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O FIM DO ACASO

  • Carlos A. Buckmann
  • 30 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

O FIM DO ACASO 

Após navegarmos pelas marés do Ritmo, onde compreendemos o balanço inevitável do pêndulo da existência, chegamos agora à engrenagem que sustenta cada movimento desse pêndulo.

            Como combinamos anteriormente, avançamos para o sexto princípio de Hermes Trismegisto, buscando desvendar a lógica por trás daquilo que muitos chamam, por conveniência ou ignorância, de destino.

O Sexto Princípio: Causa e Efeito – O Fim do Acaso

            Frequentemente, vejo-me observando a sucessão de eventos que compõem um único dia.

            Um encontro inesperado na esquina, um e-mail que muda o rumo de um projeto, uma palavra dita que encerra um ciclo. Para a mente distraída, esses fatos parecem flutuar em um mar de casualidades.

            No entanto, o Caibalion nos retira essa venda com uma afirmação de rigor matemático: “Toda Causa tem seu Efeito; todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, mas nada escapa à Lei”.

            A análise criteriosa deste princípio revela um universo onde a "sorte" ou o "azar" não possuem cidadania. No plano hermético, o que chamamos de acaso é apenas o resultado de causas que residem em planos superiores, invisíveis à percepção imediata do homem comum.

            O texto nos ensina que a liberdade não consiste em fugir da lei, mas em compreendê-la para subir de plano, transformando-nos de "jogadores" (vítimas dos efeitos) em "causas" conscientes de nossos próprios resultados.

            Essa lei é o alicerce sobre o qual construímos a nossa civilização.

            Na sociedade, as tensões políticas ou crises econômicas não surgem do nada; elas são o efeito tardio de sementes plantadas décadas antes. A aplicação dessa lógica nos obriga a olhar para a história não como uma colcha de retalhos, mas como uma corrente ininterrupta. Se o presente é o efeito do passado, o futuro é, inexoravelmente, o efeito do que causamos agora.

            Este pensamento ressoa em mentes brilhantes de diversas épocas.

            Baruch Spinoza, o filósofo da ética e da substância, argumentava que na natureza nada é contingente; tudo é determinado pela necessidade da natureza divina a existir e a agir de maneira certa.

            No século XIX, Ralph Waldo Emerson ecoou essa ideia ao afirmar que "a causa e o efeito são os dois lados de um mesmo fato".

            Até mesmo na psicologia de Carl Jung, o conceito de “sincronicidade”, embora trate de coincidências significativas, convida-nos a pensar que existe uma ordem subjacente que conecta o mundo interno e externo, desafiando a noção de puro acaso.         

            No ambiente corporativo e no mundo dos negócios, o Sexto Princípio é a base da estratégia. O sucesso não é um "golpe de sorte", mas a acumulação de causas precisas: pesquisa de mercado, cultura organizacional, disciplina financeira e timing.

            O Efeito Borboleta na Gestão: Uma pequena negligência ética no nível operacional (causa) pode levar, anos depois, a um escândalo reputacional que destrói bilhões em valor de mercado (efeito).

            Causalidade e Inovação: As empresas que dominam o mercado são aquelas que param de reagir aos efeitos do mercado para começarem a criar as causas que ditarão as tendências futuras.

            Um exemplo contemporâneo notável é o das empresas de tecnologia que ignoraram as questões de privacidade de dados em seus primórdios. O "acaso" de enfrentarem regulamentações severas hoje (como a LGPD) é, na verdade, o efeito direto da causa que eles mesmos estabeleceram ao priorizar o crescimento sobre a segurança. Não houve azar regulatório, houve o cumprimento de uma lei de compensação causal.

            Percebo que aceitar a Lei de Causa e Efeito é um ato de maturidade filosófica. Ela nos retira o consolo de sermos "vítimas das circunstâncias" e nos coloca na posição, por vezes desconfortável, de protagonistas responsáveis.

            A crítica que se impõe é sobre a nossa tendência de querer os efeitos sem nos comprometermos com as causas.

            Desejamos a paz social enquanto causamos a desigualdade; buscamos a saúde enquanto causamos o desequilíbrio do corpo.

            O hermetismo nos alerta: não há petição ou ritual que anule a Lei. O universo não negocia com o acaso.

            Se queremos colher um novo efeito, precisamos ter a coragem de ser uma nova causa.

 

 
 
 

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