O FAZER E O ÉTICO
- Carlos A. Buckmann
- 18 de dez. de 2018
- 3 min de leitura

No livro “O GESTOR EFICAZ”, publicado no Brasil pela GEN/LTC, logo na introdução, PETER DRUCKER descreve o que descobriu em seus sessenta e cinco anos como consultor de empresas, sobre o que os gestores eficazes possuíam de características em comum, em oito práticas ou habilidades e inicia a lista com duas perguntas que faziam estes gestores:
- “Eles perguntavam: O QUE PRECISA SER FEITO?”;
- “Eles perguntavam: O QUE É CORRETO PARA A EMPRESA?”.
Conversando sobre isso com um de meus clientes, ele me argumentou o seguinte: - “Mas Drucker era consultor de grandes empresas e é difícil aplicar seus ensinamentos aqui na minha loja” – Ledo engano, respondi, tudo o que se aplica nas grandes empresas pode e deve ser aplicado, com mais facilidade na sua loja.
O QUE PRECISA SER FEITO é o que todo empresário, grande, médio, pequeno ou micro, deve fazer sempre para ter sucesso no seu negócio. É preciso ter uma visão holística de seu negócio e sobre como você o está administrando. – Como está o layout interno da loja? A iluminação está suficiente ou é penumbra de boate? A fachada está limpa, “clean” e atrativa? Seus clientes se sentem confortáveis nas suas experiências de compras? (lembre-se que o cliente é o motivo do seu negócio) – Ah! Besteira tudo isso. No momento você está preocupado em comprar sua nova caminhonete importada, pois seu colega comprou uma e você não pode ficar prá traz. – É isso que precisa ser feito? Seus clientes vão entrar na sua loja por causa da nova caminhonete? – Claro que surgem diversos argumentos que vão justificar sua escolha pelo novo carro. Mas eu insisto: É isso que precisa ser feito? O que é correto para a empresa?
– Você está preocupado com seu ego e não com seu negócio. Os grandes empresários sabem que o ego pode por em risco, não só a empresa, como sua própria vida. A jornalista e escritora Cristiane Correa, no seu livro O SONHO GRANDE, conta como o empresário Jorge Paulo Lemann, escapou de um assalto em um posto de gasolina, por estar em seu velho Passat (aquele fabricado no Brasil na década de oitenta), pois os malfeitores não deram bola para aquele senhor idoso em seu carro velho.
Isso que nossos pequenos empreendedores fazem (e que os leva à falência), não é correto para a empresa e nem é ético em se tratando de negócio. Pode não ser ilegal, mas não é ético para si nem para com seus empregados. – Isso é alimentação do ego.
Em seu livro DESEJO DE STATUS, o filósofo suíço ALAIN DE BOTTON defende a tese de que “O desejo de status tem uma capacidade excepcional de inspirar sofrimento” - Mas você, como empresário, tem que acabar com essa “sofrência”. O carro novo pode esperar, sua loja não.
Você tem uma obrigação ética com seu negócio, seus empregados, colaboradores e clientes e, em matéria de ética eu tenho apenas três regras:
REGRA Nº 1: NUNCA AGIR FORA DA LEI.
REGRA Nº 2: NEM TUDO O QUE É LEGAL (DENTRO DA LEI) É ÉTICO.
REGRA Nº 3: A REGRA Nº2 SEMPRE DEVE SE IMPOR A REGRA Nº1.
Então, se o que precisa ser feito no momento é uma repaginada na sua loja, esqueça o carro novo e não veja isso como um fracasso. E se, mesmo assim você ainda achar que isso é um fracasso, veja o que diz a psicóloga doutora JOYCE BROTHERS: - “A pessoa interessada no sucesso tem de aprender a encarar o fracasso como uma parte saudável e inevitável do processo que leva ao topo”.
Uma última observação: adote a rotina de observar sua loja de fora prá dentro e se pergunte, à moda de Drucker: O QUE PRECISA SER FEITO? – O QUE É CORRETO PARA MINHA EMPRESA? – ... E PARTA PARA FAZER!... com calma, pensando bem e medindo as consequências que advirão de suas ações, seguindo o que disse Fiódor Dostoiévski em sua novela, NOTAS DO SUBSOLO: “...Pois, para começar a agir, é preciso que antes se esteja completamente calmo e totalmente livre de dúvidas”.
Bons negócios prá nós.
Beto Buckmann




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