O DESCONFORTO QUE IMPULSIONA
- Carlos A. Buckmann
- 14 de jan. de 2019
- 2 min de leitura

Quando estamos numa situação confortável, tanto na vida pessoal, na família, quanto nos negócios, nas empresas, somos tomados pelo desejo (inércia) de permanecer como está, com base no que “time que está ganhando, não se mexe”. Com o desconforto, novas necessidades, achamos que então vamos gerar progresso e desenvolvimento. O estar satisfeito com o que se tem, não leva a lugar nenhum, a não ser à morte lenta e gradual.
Alain de Botton, nos conta a seguinte história: No século I d.C., movidos pelo espírito romano de sempre rechaçar a frustração, os habitantes de Nîmes, na Provença, concluíram que precisavam de mais água para a cidade do que a natureza lhes provinha. Saindo a procura de uma fonte que pudesse abastecer a cidade, localizaram uma a oitenta quilômetros ao norte. Então, planejaram um desvio dessa água por tubulações subterrâneas através de montanhas e vales. Ao chegar à garganta do rio Gard, não se abalaram com o obstáculo. Construíram um aqueduto com 48 metros de altura com três andares de arcadas e 360 metros de comprimento, que lhes permitiu abastecer Nîmes com mais de 30.000 metros cúbicos de água por dia, gerando mais conforto e progresso para a cidade.
Esse espírito de inconformismo, essa busca por melhorias, deve ser constante para o desenvolvimento de nossos negócios e de nossas vidas particulares.
Não é preciso esperar que nossos clientes se sintam desconfortáveis ao entrarem em nossa loja para então começarmos a reforma. Não podemos esperar que reclamem da demora de nosso serviço para desenvolvermos práticas de agilidade. Não é preciso perdermos vendas por falta de produtos para gerenciarmos melhor nossos estoques. Não é preciso ter que correr aos bancos para então administramos nosso fluxo de caixa. Não é preciso que nossa equipe se despedace para então começarmos a treiná-la.
O desconforto que impulsiona vem sempre tarde. É “correr atrás da máquina”, é estar em descompasso com a rapidez dos dias atuais.
Quando “a água começa a bater na bunda”, pode ser tarde para buscar a solução. Você tem que sair da zona de alagamento enquanto está seco e fácil de mudar, pois mais cedo ou mais tarde, se você ficar, é isso que vai lhe acontecer. Pior, a enchente às vezes vem muito rápida e vai molhar bem mais que seu traseiro.
Assim como os habitantes de Nîmes, é preciso que saiamos da inércia, não esperar o desconforto para iniciarmos em melhorias.
Pense nisso.
Bons negócios prá nós.




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