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O CONTRATO SOCIAL

  • Carlos A. Buckmann
  • 20 de jan. de 2025
  • 4 min de leitura

O Contrato Social: Da Filosofia à Gôndola

“O homem nasce livre, e por toda parte encontra-se a ferros.” Com essa afirmativa contundente, Jean-Jacques Rousseau iniciava sua obra seminal, “O Contrato Social”, um tratado filosófico que buscava compreender a origem e a legitimidade do poder político. Mas o que um filósofo do século XVIII tem a nos dizer sobre o frenético mundo do varejo brasileiro do século XXI?

A ideia central de Rousseau é que a sociedade civil surge de um contrato social, um acordo tácito entre os indivíduos que renunciam a parte de sua liberdade em troca de proteção e bem-estar comum. No varejo, podemos ver esse contrato social se manifestando de diversas formas. Quando um consumidor escolhe uma determinada marca ou rede de lojas, ele está, em certa medida, “contratando” aquela empresa para suprir suas necessidades e desejos. Em troca, ele oferece sua lealdade, seu tempo e seu dinheiro.

E como encontramos o registro do Contrato Social nas Gôndolas de nossas lojas?

Esse contrato nem sempre é justo ou equilibrado. As empresas, como qualquer poder, podem ser tentadas a abusar de sua posição. A exploração de mão de obra, a publicidade enganosa e a venda de produtos de baixa qualidade são exemplos de violações desse contrato social implícito. Por outro lado, os consumidores também podem não cumprir sua parte, realizando compras por impulso, gerando desperdício e contribuindo para a obsolescência programada.

A pandemia da COVID-19 intensificou essa relação complexa. A busca por segurança, conveniência e preços baixos tornou-se ainda mais urgente, enquanto as empresas tiveram que se adaptar rapidamente a novas demandas e restrições. Nesse contexto, a confiança entre consumidores e empresas tornou-se um bem ainda mais precioso.

Rousseau idealizava um estado de natureza em que os homens viviam em harmonia, guiados por um bom senso natural. No varejo, esse estado de natureza seria um mercado livre e justo, onde a oferta e a demanda se equilibram naturalmente, e os consumidores encontram tudo o que precisam com facilidade e segurança.

É claro que esse é um ideal difícil de alcançar. A realidade do mercado é marcada por concorrência acirrada, desigualdades sociais e pressões por resultados a curto prazo. No entanto, a filosofia de Rousseau nos convida a refletir sobre o papel que cada um de nós desempenha nesse sistema e a buscar formas de construir um comércio mais justo e sustentável.

A ideia de um consumidor consciente, que busca produtos éticos, sustentáveis e que respeitam os direitos dos trabalhadores, tem ganhado cada vez mais força nos últimos anos. Mas como podemos conectar esse conceito com as ideias de um filósofo do século XVIII como Jean-Jacques Rousseau?

Rousseau, em seu "Contrato Social", defendia a ideia de que a sociedade civil surge de um acordo tácito entre os indivíduos, onde cada um renuncia a parte de sua liberdade em troca do bem comum. No contexto do consumo consciente, podemos pensar em um novo tipo de contrato social: o que estabelecemos com as empresas ao escolhermos seus produtos.

Ao optar por produtos de empresas que se preocupam com o meio ambiente, com as condições de trabalho de seus funcionários e com a origem dos seus insumos, o consumidor consciente está, na prática, renovando esse contrato social. Ele está dizendo: "Eu quero consumir, mas quero que esse consumo seja justo e responsável".

Rousseau falava da "vontade geral", uma força coletiva que guia a sociedade para o bem comum. No consumo consciente, essa vontade geral se manifesta na busca por um modelo de consumo mais sustentável e equitativo. Ao escolher produtos de empresas que compartilham desses valores, o consumidor contribui para fortalecer essa vontade geral e para construir um mundo mais justo.

O consumidor consciente não é apenas um indivíduo que faz escolhas no supermercado. Ele é um cidadão que exerce seu poder de transformação ao escolher quais empresas deseja apoiar. Ao optar por produtos de empresas que respeitam o meio ambiente e os direitos humanos, ele está contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável.

No entanto, ser um consumidor consciente não é tarefa fácil. A publicidade enganosa, a falta de informação e a pressão social para consumir podem dificultar a tomada de decisões conscientes. Além disso, nem sempre é fácil encontrar produtos que atendam a todos os nossos critérios.

Um Novo Paradigma:

O “Contrato Social” de Rousseau, apesar de ter sido escrito há mais de dois séculos, continua a ser uma obra relevante para entendermos as relações de poder e as dinâmicas sociais que moldam o nosso mundo. Ao aplicarmos seus princípios ao universo do varejo, podemos refletir sobre o papel que cada um de nós desempenha na construção de um mercado mais justo e equitativo.

O conceito de consumidor consciente representa um novo paradigma de consumo, que desafia o modelo tradicional baseado na obsolescência programada e na busca incessante por novidades. É um modelo que valoriza a qualidade, a durabilidade e o impacto social e ambiental dos produtos.

Imaginem um mundo onde as empresas fossem como Rousseau idealizava: preocupadas apenas com o bem-estar dos consumidores, oferecendo produtos de alta qualidade a preços justos e promovendo a igualdade social. Nesse mundo, as promoções seriam apenas um meio de compartilhar a prosperidade, e os consumidores seriam tratados como reis em vez de números. Mas, como diz o ditado, "sonhar não custa nada".

As ideias de Rousseau, apesar de terem sido formuladas em um contexto histórico completamente diferente, continuam a ser relevantes para pensarmos sobre as relações entre os indivíduos e a sociedade. Ao aplicarmos esses conceitos ao mundo do consumo, podemos construir um futuro mais justo e sustentável para todos.

E você, o que acha? Acredita que o consumo consciente é o caminho para um futuro mais sustentável?

 
 
 

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