O CLIENTE BEM-HUMORADO
- Carlos A. Buckmann
- 2 de set. de 2025
- 3 min de leitura

O CLIENTE BEM-HUMORADO
Aquele que Sorri e Abre Portas
Se tem um tipo de cliente que entra na farmácia e já ilumina o lugar, é o bem-humorado. Ele chega com um sorriso fácil, um “bom dia, minha vida!” para a atendente, e até brinca com o vendedor: “Hoje tô aqui para comprar remédio, mas se tiver um desconto, já quero me casar com você!”
Esse cliente é um presente. Mas, calma aí: presente não é licença para bagunça.
O bem-humorado gosta de um ambiente leve, descontraído, mas nunca esqueça: ele está na farmácia, não no bar da esquina. Ele pode rir, fazer piada, chamar a atendente de “doutora”, mas ele ainda está ali por um motivo sério: cuidar da saúde, dele ou de alguém que ama.
O perigo? Confundir bom humor com intimidade.
Não é porque ele brincou que você pode começar a contar da sua vida, falar de político, de cunhado, ou chamá-lo de “meu irmão” depois da segunda visita. Isso vira farra. E farra vira falta de profissionalismo. O cliente bem-humorado não quer um amigo. Ele quer um atendimento bom, rápido e com um toque de simpatia.
A técnica de abordagem com esse cliente é simples: sorria de volta, entre no clima, mas mantenha o rumo. Se ele brinca: “Esse remédio é caro, hein? Vai ter que me dar um agrado!”, você responde com leveza: “Poxa, se eu pudesse dar agrado, dava até café! Mas o que posso fazer é te mostrar um genérico que faz o mesmo efeito e sai mais em conta. Topa?”
Veja só: você riu, respondeu na brincadeira, mas voltou na hora para o que interessa, a solução.
É aí que mora a grande oportunidade. Clientes bem-humorados são multiplicadores naturais. Eles saem da loja dizendo: “Nossa, que atendimento bom! A moça foi supersimpática e ainda me ajudou a economizar!” E contam para a vizinha. Para o colega do trabalho. Para a mãe no telefone. É o tipo de cliente que indica sua farmácia sem você pedir.
Além disso, como ele está de bom humor, é mais fácil oferecer produtos complementares: “Já que está tomando esse anti-inflamatório, que tal um protetor gástrico pra cuidar do estômago?”
Ou: “Tem um colírio novo que alivia o cansaço visual, você que passa o dia no celular vai amar.”
Ele escuta. Ele compra. E ainda agradece com um sorriso.
Mas atenção: esse é o tipo mais fácil de atender. É como começar o jogo com vantagem. O sorriso dele abre a porta. Sua competência fecha a venda.
Agora, prepare-se: os próximos tipos de cliente que vamos ver não vão sorrir. Não vão brincar. Alguns vão reclamar logo na entrada. Outros vão cruzar os braços e dizer: “Só quero o remédio, nada mais.” Tem até quem entre como se estivesse num tribunal, esperando ser julgado.
Se você acha que atender bem o cliente bem-humorado já é suficiente, está enganado.
O verdadeiro teste do bom vendedor começa quando o cliente não está de bom humor.
Por isso, aproveite esse tipo como um treino. Aprenda a equilibrar simpatia e profissionalismo. Use o bom humor como ponte, não como paradeiro. Porque no fim do dia, o que o cliente lembra não é só do remédio. É de como ele foi tratado. Foi visto. Foi acolhido.
E se você consegue transformar um simples “bom dia” em uma conexão verdadeira, você não está só vendendo.
Você está construindo lealdade.
Agora, respire fundo. O próximo cliente pode não sorrir. Mas com a técnica certa, você pode ser o motivo do sorriso dele ao sair. E isso, meus amigos balconistas, é o que separa um atendente comum de um vendedor campeão.




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