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O CAIXA E A ALMA

  • Carlos A. Buckmann
  • 11 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

O CAIXA E A ALMA

            Enquanto escrevia a crônica de ontem, vinham à minha mente outras ideias que mesclavam o gestor de empresas com o escritor filosófico. Mas não dava para misturar os assuntos. Talvez desse, mas achei melhor não. Daí resolvi deixar para hoje, como uma série da Netflix.

 

Vamos lá: Temporada 1 – Episódio 2.

“QUANDO O GESTOR ASSUME O FILÓSOFO.”

 

            Durante anos, tratei o caixa da empresa como um oráculo silencioso. Ele me dizia, com números frios e impassíveis, se o mês havia sido bom, se os clientes estavam satisfeitos, se os fornecedores estavam em paz. Mas numa tarde em que o saldo era positivo e, ainda assim, eu me sentia vazio, percebi: o caixa não é apenas um instrumento contábil, é um espelho da alma, que registra Créditos e Débitos Invisíveis.

            Assim como a alma, o caixa registra entradas e saídas. Há dias em que recebemos muito: elogios, reconhecimento, afeto, mas não damos conta de registrar. Outras vezes, as saídas são silenciosas: um cansaço que não se explica, uma tristeza que não se contabiliza. E, como na contabilidade, se não lançamos corretamente, o balanço da vida não fecha.

            E num rápido balancete mensal, mensuramos os “Lucros e Perdas Existenciais”.

            Há quem acumule capital e perca o sentido. Há quem viva no vermelho, mas com o coração em festa. E há aqueles raros que conseguem o ponto de equilíbrio: investem em si, distribuem dividendos de gentileza, e mantêm uma reserva emocional para tempos de crise. Esses são os verdadeiros gestores da alma.

            De tempos em tempos, é preciso fazer uma auditoria interna. Rever os valores (os éticos, não os monetários), reavaliar os ativos (amizades, sonhos, memórias) e reconhecer os passivos (mágoas, medos, culpas). Só assim podemos saber se estamos crescendo ou apenas girando em falso.

            No fim do expediente, quando desligo o computador e olho para o céu, esse grande livro razão do universo, penso que talvez a vida seja isso: um fluxo constante de entradas e saídas, onde o que realmente importa não é o saldo, mas o que fizemos com cada centavo de tempo que nos foi dado.

            Agora me diga, quer que a gente registre isso como ativo fixo ou como intangível poético? - E se um dia a alma for auditada por alguma entidade cósmica, espero que ela encontre um pequeno lucro de humanidade, e nenhuma fraude emocional.

Beto Buckmann

Crônicas entre ideias e pólvora.

 
 
 

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