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O BALCONISTA QUE ENSINA

  • Carlos A. Buckmann
  • 24 de ago. de 2025
  • 4 min de leitura

O BALCONISTA QUE ENSINA

Quando o encantamento vira legado

            No último ato da série, escrevi sobre o “Balconista Que Encanta” aquele que, com presença, técnica e empatia, transforma o balcão em um ponto de conexão humana. Um profissional que não apenas vende, mas cuida; que não apenas atende, mas marca.

            Mas há um estágio além do encantamento.  É o momento em que o impacto deixa de ser individual e passa a ser multiplicador em escala coletiva.  - É quando o balconista que encanta descobre que seu maior papel não é apenas encantar clientes, mas ensinar colegas.

            E é assim que nasce o BALCONISTA QUE ENSINA.

 Do exemplo à liderança: o poder do modelo vivo

            Na psicologia organizacional, chamamos isso de aprendizagem por observação, conceito amplamente estudado por Albert Bandura. Em ambientes de trabalho, as pessoas não mudam apenas por treinamentos formais, mas por modelos vivos. - Ou seja:  Você, GESTOR, pode ter um manual de boas práticas.  Pode fazer capacitação mensal.  Pode até premiar desempenho. Mas nada substitui o colega que, todos os dias, faz diferente, e faz melhor.

            Quando um balconista lembra o nome do cliente, pergunta pelo tratamento, monta um kit com propósito e ainda orienta sobre interações medicamentosas, ele não está apenas prestando um bom atendimento: Está ensinando em tempo real.

            E os colegas veem.  Absorvem.  Imitam.  Evolucionam.

            Esse é o poder do líder informal, aquele que não tem cargo, mas tem influência.  - Porque lidera pelo exemplo, não pela hierarquia.

O papel do gestor: cultivar o solo para que o exemplo floresça.

            O proprietário ou gestor da farmácia não pode ser apenas um administrador de estoque e caixa.  - Precisa ser, acima de tudo, um curador de cultura.

            Para que o Balconista Que Encanta se torne o Balconista Que Ensina, o gestor deve:

1. Identificar os multiplicadores naturais: 

Observar quem já tem comportamentos de excelência, quem tem ticket médio alto, taxa de retorno de clientes elevada, feedback positivo.

2. Reconhecer publicamente:

Não basta elogiar em particular. É preciso destacar em reuniões, memorandos internos, murais. Transformar o bom exemplo em referência coletiva.

3. Criar espaços de compartilhamento:

Instituir rodas de conversa rápidas (5 a 10 minutos) antes do turno: “Hoje, a Simone vai mostrar como abordou o cliente com enxaqueca crônica e montou um kit personalizado.”

4. Delegar micro formações:

Convidar o balconista destaque para ministrar pequenas capacitações práticas: “Vamos aprender com o Rafael como sugerir ômega-3 para pacientes em uso de anti-inflamatórios.”

5. Incentivar a mentoria entre pares:

Criar duplas: um experiente com um novo. Mas não como “chefe”, e sim como parceiro de desenvolvimento.

O passo a passo do Balconista Que Encanta e Que Ensina.

            Transformar-se nesse agente de desenvolvimento coletivo exige intencionalidade. Não basta ser bom, é preciso ser generoso com o conhecimento.

Para isso é preciso criar um caminho prático:

1. Documente seu método.

Anote as perguntas que faz, as frases de abordagem, os gatilhos para sugestão. Exemplo: 

- “Quando o cliente compra analgésico com frequência, pergunto: ‘Você já conversou com o médico sobre a causa da dor? Posso sugerir um complemento que ajude na recuperação?’”

2. Compartilhe em tempo real.

Durante o expediente, vire para o colega e diga: 

- “Vi que você atendeu a dona Lúcia. Ela tem gastrite. Na próxima, experimenta sugerir um protetor gástrico junto com o anti-inflamatório. Ela vai agradecer.”

3. Use dados como prova.

Mostre que não é opinião, mas resultado: 

- “Meus atendimentos com sugestão de kits têm ticket médio 38% maior, e 92% dos clientes voltam em até 15 dias.”

4. Treine em simulação.

Proponha: “Vamos fazer um role play? Eu sou o cliente com insônia, você me atende.” 

Corrija com gentileza, reforce o positivo.

5. Crie mini manuais internos.

Com ajuda do gestor, compile dicas práticas: 

- “Como abordar clientes em uso crônico de medicação” 

- “Scripts para venda de suplementos com embasamento clínico” 

- “Checklist de fidelização pós-venda”

            Um exemplo real, onde vou usar nomes fictícios: - Na Farmácia Vida Plena, o balconista José, após dois anos de excelência, foi convidado a liderar uma “Academia Interna de Atendimento”. - Toda quarta-feira, às 7h15, ele reúne a equipe por 12 minutos e mostra: - Um caso real do dia anterior.  - O que funcionou. - O que poderia melhorar. - Uma frase de impacto para usar na semana.

Resultado:  Em seis meses, o ticket médio da loja subiu 22%.  A taxa de rotatividade caiu pela metade.  E três novos balconistas já estão sendo apontados como “próximos multiplicadores”.

            Não foi um curso externo.  Foi aprendizagem no chão de loja, guiada por quem sabe fazer e, agora, sabe ensinar.

            O Balconista Que Ensina não precisa de diploma.  Não precisa de cargo.  Precisa apenas de coragem para compartilhar, de humildade para reconhecer que aprende também, e de compromisso com a excelência coletiva. -

            Porque o maior legado que um profissional pode deixar não é o número de vendas que fez, mas o número de pessoas que ajudou a evoluir. E quando o gestor entende isso, deixa de ver a farmácia como um ponto de venda e passa a enxergá-la como uma escola de atendimento humanizado, onde cada turno é uma aula, cada cliente, um caso de estudo, cada balconista, um professor, mesmo que não saiba.

            Porque o verdadeiro poder do atendimento não está em vender mais.  Está em deixar um rastro de competência onde você passou. -E quem sabe, daqui a alguns anos, não seja você o nome que um novo balconista cita como seu primeiro professor? - O balcão é seu palco.  Seu exemplo, sua lição.  - Sua herança. 

Ensine.  – Sempre!

 
 
 

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