O BALCONISTA QUE ENCANTA
- Carlos A. Buckmann
- 23 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

O BALCONISTA QUE ENCANTA
Se você acompanhou as últimas duas crônicas deste blog, “O Balconista Que se Paga” e “O Balconista Que Multiplica, já sabe que o varejo farmacêutico deixou de ser apenas um ponto de troca mercantil para se tornar um campo de atuação estratégica, onde o balconista não é mais um mero operador de caixa, mas um agente de valor, de fidelização, de resultado.
Hoje, encerro esta trilogia com o ápice da jornada: “O Balconista Que Encanta". - Porque, no fundo, tudo o que construímos até aqui, a autonomia financeira, a capacidade de multiplicar o valor do cliente, converge para um único objetivo: ENCANTAR.
Não é só vender mais. Mas ser lembrado. Ser procurado. Ser referência. - E é aqui que a vida imita a arte, e a arte, por sua vez, nos ensina a viver melhor a vida. - Há um paradoxo sutil, mas poderoso, entre o que acontece no palco e no balcão. Ambos são espaços de performance. Ambos exigem presença. Ambos dependem da conexão com o público.
Foi Constantin Stanislavski, o grande mestre da técnica teatral moderna, quem disse que o ator não deve “interpretar” um personagem, mas “VIVÊ-LO”. Não se limitar a dizer as falas, mas incorporar as emoções, os gestos, as pausas, os silêncios. Para ele, a verdade no palco não vem da encenação, mas da “verossimilhança emocional”.
É exatamente isso que o balconista encantador faz todos os dias: “VIVE O PAPEL”, não o interpreta.
Ele não FINGE que se importa. - Ele SE IMPORTA. - Ele não SIMULA atenção. - Ele OUVE DE VERDADE. - Ele não RECITA um script de upselling. - Ele “oferece soluções com intenção clara de cuidar”.
Stanislavski falava em “memória afetiva”, em “ação física”, em “objetivo de cena”. Em termos técnicos, o ator deve ter um “objetivo de atuação”, um “estado emocional verdadeiro” e um “comportamento coerente com o personagem”.
Aplicado ao nosso contexto:
- O “objetivo de cena” do balconista encantador não é vender, mas resolver.
- Seu “estado emocional” é de acolhimento, presença, disponibilidade.
- Seu “comportamento” é consistente: ético, consultivo, humanizado.
E, como no teatro, isso exige “preparação técnica e emocional diária”.
Assim como o ator estuda o texto, o contexto histórico e o perfil psicológico do personagem, o balconista encantador precisa dominar:
- O CONHECIMENTO TÉCNICO: farmacologia básica, interações medicamentosas, diferenciais de produtos, protocolos de uso.
- O DOMÍNIO DO MIX: saber quais itens têm maior valor agregado, como combiná-los, quando sugerir versões premium.
- A ESCUTA ATIVA: entender não apenas o que é dito, mas o que está por trás: o cansaço, a ansiedade, a dúvida.
- A MEMÓRIA DO CLIENTE: nome, histórico, preferências, necessidades recorrentes.
Mas, acima de tudo, precisa cultivar EMPATIA COM DISCIPLINA.
Porque encantar não é sorte. É técnica. É repetição. É intenção.
Vejamos na prática:
- Uma senhora entra com uma receita de hipertensão.
O balconista que INTERPRETA O PAPEL:
— “Boa tarde. Só um momento.”
Digitaliza, entrega, troca. - Tudo correto. - Nada memorável.
Já o balconista que VIVE O PERSONAGEM:
— “Boa tarde, Sra. Marta! Tudo bem com a pressão essa semana?”
Ela se surpreende:
- “Ah, você lembra do meu nome?”
- “Claro. E vi que na última vez trouxe o exame de potássio. Está tudo em ordem?”
Depois, com naturalidade:
- “Enquanto preparo a medicação, posso mostrar um suplemento de magnésio que muitos clientes com hipertensão têm usado? Ajuda no relaxamento e na regulação do sono.”
Não é venda. - É cuidado. - É continuidade. - É encantamento.
Ele não está INTERPRETANDO UM PAPEL - Ele “É” esse papel.
Encantar não é sobre grandes gestos. - É sobre pequenas constâncias:
São micro experiências que, somadas, constroem uma RELAÇÃO DE CONFIÂNÇA INABALÁVEL. - E é essa confiança que transforma um cliente em PÚBLICO FIEL, como nas plateias que voltam para ver o mesmo ator, não pelo espetáculo, mas pela entrega.
Um desafio final:
Para os balconistas que leem esta crônica:
Você está apenas “interpretando” o papel de vendedor? - Ou você VIVE o papel de cuidador, consultor, parceiro de saúde?
Você se prepara como um artista se prepara para o palco? - Estuda? Reflete? Pratica? - Ou repete o mesmo script vazio todos os dias?
E para os donos de pequenas farmácias:
Você vê seu balconista como um custo operacional? - Ou como o “principal ator do seu negócio”?
Porque, no teatro da experiência do cliente, não há coadjuvantes. - Todos estão em cena. - Todos são vistos. - Todos são julgados.
E o público, seu cliente, não perdoa má atuação. Encanto não é sorte. É escolha. - É decidir, todos os dias, que você não vai apenas atender, vai “TOCAR”. - Que você não vai apenas vender, vai CUIDAR. - Que você não vai apenas trabalhar, vai TRANSFORMAR.
O balconista que encanta não é um vendedor. É um artista. E a farmácia? É seu palco.
Aplausos.
Cortinas.
Próximo ato.




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