O BALANÇO ETERNO DO PÊNDULO
- Carlos A. Buckmann
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura

O BALANÇO ETERNO DO PÊNDULO
Como bem lembramos, nossa travessia por estas leis ancestrais começou justamente no coração da Polaridade (Quarto Princípio Hermético), onde descobrimos que os opostos são apenas gradações de uma mesma essência. Agora, avançamos para o quinto degrau: se a Polaridade estabelece os dois pontos de uma linha, o próximo princípio descreve o movimento incessante entre eles.
Ao observar o cair da tarde, sinto uma melancolia mansa que não me assusta mais. Compreendo que a luz que se despede é a promessa do seu retorno, assim como a inspiração profunda que agora enche meus pulmões exige, por uma lei soberana, a exalação que se segue.
No Caibalion, Hermes Trismegisto nos apresenta a dinâmica dessa pulsação:
“Tudo tem fluxo e refluxo; tudo tem suas marés; tudo sobe e desce; tudo se manifesta por oscilações rítmicas; a medida do movimento à direita é a medida do movimento à esquerda; o ritmo é a compensação”.
Uma análise criteriosa do texto hermético nos revela que nada no universo é estático em sua posição de polo. O Ritmo é a força que assegura que o pêndulo da existência nunca pare.
Se a Polaridade nos mostra que existe o Calor e o Frio, o Ritmo nos mostra como as estações se sucedem. A "lei da compensação" mencionada no livro é o que mantém o equilíbrio galáctico: para cada ação, há uma reação; para cada avanço, um recuo necessário. O sábio não é aquele que tenta parar o pêndulo, mas aquele que aprende a flutuar acima de suas oscilações.
Esta lei se manifesta com uma clareza quase cruel na sociedade e na história humana. Civilizações nascem, atingem o apogeu de sua vibração e, inevitavelmente, entram em declínio para dar lugar ao novo, o refluxo que sucede o fluxo.
Vemos isso nas modas, nas ideologias políticas que oscilam entre o conservadorismo e o progressismo, e até na moralidade pública. A sociedade nunca caminha em linha reta; ela dança em um ritmo de sístole e diástole.
Filósofos de diversas eras observaram esse padrão.
Friedrich Nietzsche, com sua tese do Eterno Retorno, sugeriu uma circularidade rítmica no tempo.
Hegel, através de sua Dialética, mostrou que o pensamento se move em ritmos de tese, antítese e síntese, um balanço constante que gera evolução.
Até no texto bíblico de Eclesiastes, encontramos a sabedoria do ritmo:
"Há tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou".
É a aceitação de que a vida possui uma cadência própria que independe do nosso desejo de permanência.
No mundo dos negócios, ignorar a Lei do Ritmo é o caminho mais curto para a ruína. O mercado financeiro é a manifestação mais pura dessa lei: os ciclos de expansão (Bull Market) e contração (Bear Market) são as marés de Hermes em trajes modernos.
O gráfico abaixo explica esse conceito:
Ciclos de Produto: Toda inovação segue o ritmo do "Hype Cycle", o entusiasmo exagerado, seguido pela desilusão e, finalmente, pela estabilidade produtiva. Empresas que não se preparam para o "refluxo" após um sucesso estrondoso acabam sendo varridas pela maré baixa.
Gestão de Energia: Líderes contemporâneos começam a entender que a produtividade humana também é rítmica. O conceito de sprints de trabalho seguidos de períodos de recuperação nada mais é do que a aplicação prática da compensação hermética para evitar o burnout.
Um exemplo icônico é a indústria da tecnologia móvel. Vimos gigantes que pareciam imbatíveis no topo do pêndulo (o "fluxo" da Nokia e BlackBerry) serem levadas pelo movimento de retorno quando o ritmo do mercado mudou para os smartphones de tela sensível ao toque. O ritmo não perdoa a estagnação.
Vivemos em uma cultura que idolatra o crescimento infinito e a felicidade perpétua, como se fosse possível manter o pêndulo apenas no lado direito. Essa é a grande ilusão moderna.
A Lei do Ritmo é afirmativa porque nos liberta do desespero nos momentos de queda: se tudo recua, é porque a energia para um novo avanço está sendo acumulada. No entanto, ela também nos adverte contra a soberba nos momentos de glória.
O verdadeiro mestre hermético não tenta deter o movimento, mas utiliza a "Lei da Neutralização", elevando sua consciência para um plano onde as oscilações rítmicas da emoção e da sorte não o arrastem consigo.
A vida é uma dança, e só sofre quem tenta ficar parado no meio do salão.




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