MEU LIVRO DA SEMANHA - 64
- Carlos A. Buckmann
- 12 de nov. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 64
NO QUE ACREDITO – (Bertrand Russel)
Se você também é um dos que consideram Bertrand Russel um autor difícil de ler por ter uma escrita densa, difícil de entender, eis aqui um livro que, se não mudar sua opinião, vai pelo menos lhe mostrar quem foi esse brilhante filósofo do século XX.
Bertrand Arthur William Russell (1872-1970) foi matemático, filósofo, lógico e intelectual público. Britânico, ele teve uma influência considerável em várias áreas, incluindo matemática, lógica, teoria dos conjuntos, linguística, inteligência artificial, ciência cognitiva e ciência da computação. Ele é também conhecido como um dos fundadores da filosofia analítica.
Sua crença era de que a filosofia, assim como a ciência, busca o conhecimento, embora reconheça, controversamente, que não há certeza absoluta. Ele defendia a ideia de que, a filosofia mostra possibilidades não suspeitas sobre questões de fato, e acreditava que ambas, a filosofia e a ciência, compartilham métodos comuns, mas que a filosofia deve se esforçar para responder às proposições mais gerais sobre o mundo. Foi também um defensor do princípio de Occam, que evita a multiplicação desnecessária de entidades.
O princípio de Occam, também conhecido como Navalha de Occam, é um princípio filosófico e científico que propõe que, entre várias explicações possíveis para um fenômeno, a mais simples é geralmente a correta. Este princípio foi formulado pelo filósofo medieval Guilherme de Occam.
Em sua formulação mais simples, a Navalha de Occam dirá que, entre duas teorias com iguais resultados, que explicam ou preveem os mesmos fenômenos, devemos sempre escolher a teoria mais simples. A navalha de Occam é frequentemente utilizada para evitar inflações ontológicas desnecessárias, quando uma entidade ou substância é postulada, sem que haja evidências de sua existência, simplesmente para possibilitar a aplicação ou consistência de uma teoria.
A expressão, normalmente atribuída a Occam, “entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem” (entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade) serve de base para atribuir a ele a fundação do conceito.
No entanto, é importante notar que a Navalha de Occam é um princípio metodológico, e não uma lei que diz o que é verdade e o que não é. Ou seja, ela não sugere que as explicações mais simples são sempre as verdadeiras e que as mais complexas devem ser refutadas em qualquer situação.
“No Que Acredito”, publicado em 1925, é uma reflexão de Russell sobre o papel e a influência da religião na vida das pessoas. É um livro emblemático de seu célebre e articulado ateísmo. As ideias deste ensaio eram - e ainda são - ousadas, controversas e, para os religiosos, extremamente blasfemas. Isso sugere que o livro contém argumentos poderosos e potencialmente transformadores.
O livro, repetindo, foi publicado em 1925, um período marcado por mudanças significativas no cenário político e social. Foi o período entre as duas Guerras Mundiais, um tempo de grande tensão e mudança. Russell, conhecido por suas atividades pacifistas e altamente independentes do militarismo, manteve-se ativo durante este tempo, questionando e debatendo questões importantes sobre esse e outros temas.
Em suma, “No Que Acredito” é um compêndio literário que reúne cinco capítulos curtos, originalmente publicados em formato de panfleto, abordando:
1. A natureza e o papel do homem nela: Russell destaca que o homem faz parte intrínseca da natureza, e por isso não pode a ela se opor.
-“Deste mundo físico, em si mesmo desinteressante, o homem é parte. Seu corpo, como qualquer outro tipo de matéria, é composto por elétrons e prótons...”
2. A vida virtuosa inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento: argumenta que não se pode levar uma vida virtuosa se esta não for inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento.
“Eis o que penso:
A vida virtuosa é aquela inspirada pelo amor e guiada pelo conhecimento. (...) Nem o amor sem o conhecimento, nem o conhecimento sem o amor podem produzir uma vida virtuosa.”
3. As normas morais: Como nasce a necessidade prática da moralidade no conflito dos desejos.
“No âmbito da educação, outro efeito pernicioso da superstição é a ausência da instrução quanto aos fatos que dizem respeito ao sexo. (...) Na puberdade, deveriam ser ensinados os elementos de uma moralidade sexual despida de qualquer caráter supersticioso.”
4. O papel e influência da religião na vida das pessoas: O livro é basicamente uma reflexão de Russell sobre o papel e a influência da religião na vida das pessoas.
Cabe aqui abrir um parêntese:
(Em seus escritos e discursos, afirma que a religião é apenas uma falácia e, não obstante quaisquer efeitos positivos que a religião possa ter no bem-estar emocional ou psicológico de uma pessoa, o conceito de religião é, na maior parte, prejudicial às pessoas, pois:
Religião é baseada no medo: O aspecto mais poderoso da crítica de Russell à crença religiosa é sua afirmação de que a religião é baseada no medo, e que o medo gera crueldade.
Religião causa guerras e perseguições: Russell argumentou que as crenças religiosas causam guerras e perseguições. A história, da antiguidade até aos dias atuais, comprovam sua teoria.
Religião é moralista e opressiva: Ele acreditava e defendia isso: a religião é moralista e opressiva, ou seja, pelo medo, impõe uma moral opressiva através do dogmatismo.
Russell foi um crítico incansável da religião e suas críticas continuam a ser um ponto de referência importante nos debates contemporâneos sobre a religião.)
E fechamos o parêntese.
5. Ateísmo articulado: “No Que Acredito”, como já citei, é um livro emblemático do célebre e articulado ateísmo de Russell.
Note-se que esses são apenas alguns dos temas abordados na obra. Sem querer influenciar ou não, a você que me lê, em suas crenças religiosas, a leitura completa do livro proporcionará uma compreensão mais profunda e abrangente das ideias de Russell.
Então, VALE A PENA
Boa leitura.
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