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MEU LIVRO DA SEMANA - 99

  • Carlos A. Buckmann
  • 14 de jul. de 2024
  • 5 min de leitura

 (Diadorim e Riobaldo em imagem criada por IA)

 

MEU LIVRO DA SEMANA – 99

GRANDE SERTÃO: VEREDAS (Guimarães Rosa)

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 1908. Além de escritor, ele também foi médico e diplomata. Sua carreira diplomática o levou a viver em diversos países, incluindo Alemanha, França e Itália. Guimarães Rosa é conhecido por sua profunda conexão com a cultura popular brasileira e sua habilidade em criar uma linguagem literária única e regionalista.

“Grande Sertão: Veredas”, publicado em 1956, é uma das obras mais emblemáticas do autor. A narrativa se passa nos sertões de Minas Gerais, Goiás e Bahia. O protagonista, Riobaldo, é um ex-jagunço que relata suas aventuras, amores e conflitos. Seu grande amor é Diadorim, cuja identidade esconde uma surpresa marcante.

Essa novela marcantemente do sertão brasileiro, envolve uma gama diversificada de personagens, que enriquecem a narrativa da saga de Riobaldo, protagonista e narrador-personagem, (aer) ex-jagunço: - Diadorim, grande amor de Riobaldo, com uma reviravolta surpreendente; - Nhorinhá,  que representa o amor carnal de Riobaldo; - Otacília,  a pureza do amor verdadeiro; - Zé Bebelo, fazendeiro com pretensões políticas; - Joca Ramiro, pai de Diadorim, o maior chefe dos jagunços; - Medeiro Vaz, líder da vingança contra Hermógenes e Ricardão; - Hermógenes e Ricardão, assassinos do chefe Joca Ramiro e o grande personagem silencioso que é o próprio sertão, cenário vibrante de toda essa obra.

Acho importante registrar a estrutura da obra:

  • Mais de 600 páginas, dividida em 2 volumes, sem capítulos.

  • Linguagem coloquial, repleta de neologismos e arcaísmos.

  • Narrativa não-linear, em primeira pessoa (Riobaldo).

  • Tempo psicológico predominante, como afirma Riobaldo:

Viver é muito perigoso.” 

A obra foi escrita na década de 1950, período marcado por profundas transformações sociais e culturais no Brasil. Guimarães Rosa captura a essência do sertão e da alma humana, explorando temas como amor, violência, identidade e existência.

Riobaldo, o protagonista e narrador-personagem, é um homem marcado por sua vida como jagunço. Mas o que significa ser um aer ex-jagunço, conforme é descrito por Guimarães Rosa? Vamos desvendar essa expressão:

1.   Aer ex-jagunço:

o    Aer é uma palavra inventada por Guimarães Rosa, e sua etimologia remete a “ar”, “vento” ou “alma”. Assim, podemos interpretá-la como algo que transcende a materialidade.

o    Ex-jagunço indica que Riobaldo já não é mais um jagunço, mas carrega consigo as marcas e experiências dessa vida.

o    Portanto, aer ex-jagunço sugere uma transformação profunda, uma metamorfose da alma após a jornada violenta e intensa como jagunço.

2.   Riobaldo como jagunço:

o    Riobaldo foi um jagunço, um pistoleiro do sertão, que percorreu cidades, lutou, matou e fugiu da polícia.

o    Ele pertencia ao bando de Joca Ramiro, um dos maiores chefes de jagunços da região.

3.   Lutas e dilemas:

o    Riobaldo lutava por sobrevivência, honra e lealdade ao bando.

o    Suas batalhas eram contra outros jagunços, como Hermógenes e Ricardão, assassinos de Joca Ramiro.

o    No entanto, sua maior luta era interna: o amor impossível por Diadorim, outro jagunço, que se revela como seu grande amor e também como uma figura misteriosa e trágica.

Em resumo, aer ex-jagunço é a síntese da transformação interior de Riobaldo, sua busca por sentido e transcendência além das armas e do sertão. Essa expressão nos leva a refletir sobre a complexidade humana e os dilemas enfrentados por aqueles que vivem à margem da sociedade. 

Diadorim tem um papel crucial na trama de “Grande Sertão: Veredas”. Ele é o grande amor de Riobaldo, o protagonista e narrador da história. No entanto, há uma reviravolta surpreendente: Diadorim é, na verdade, uma mulher disfarçada de homem. Essa revelação impacta profundamente a relação entre os dois personagens e adiciona camadas de complexidade à narrativa. Diadorim representa não apenas o amor, mas também a busca pela identidade e a dualidade entre masculino e feminino. Sua presença é fundamental para a compreensão dos temas explorados na obra.

O disfarce de Diadorim é um elemento central. Ele representa uma dualidade profunda: Diadorim é, na verdade, uma mulher que se veste e age como homem. E essa ambiguidade de gênero simboliza questões de identidade, desejo e busca pela própria essência. Além disso, o disfarce de Diadorim cria tensão e mistério na relação com Riobaldo, impactando a narrativa de maneira significativa. A revelação de que Diadorim é uma mulher disfarçada de homem abala Riobaldo, levando-o a questionar sua própria percepção de gênero e desejo. A dualidade de Diadorim representa não apenas a ambiguidade de papéis sociais, mas também a busca pela autenticidade e a complexidade das relações humanas.

Quero aqui tomar a liberdade de entrar em detalhes mais minuciosos do que chamarei de  ‘psicoconflitos”  de Riobaldo:

Riobaldo ama Diadorim intensamente, mas a descoberta de que Diadorim é uma mulher disfarçada de homem o perturba. Ele lida com a dualidade entre desejar Diadorim como homem e amá-la como mulher. Ele questiona sua própria percepção de gênero e se sente enganado por não ter percebido antes. Riobaldo é leal a Diadorim, mas também se sente traído por não ter sido informado da verdade desde o início. Essa tensão afeta profundamente sua relação com o outro jagunço.

A dualidade de Diadorim espelha a busca de Riobaldo por significado e autenticidade em um mundo violento e complexo.

Esses conflitos internos tornam a história de Riobaldo e Diadorim ainda mais cativante e reflexiva.

Vou destacar alguns dos momentos mais impactantes envolvendo Diadorim e Riobaldo, que levaram a estes “psicoconflitos”:

1.   O Encontro: O primeiro encontro entre Riobaldo e Diadorim é marcado por uma atração intensa e misteriosa. Riobaldo sente-se profundamente ligado a Diadorim, sem compreender completamente o motivo.

2.   A Revelação: O momento em que Riobaldo descobre que Diadorim é, na verdade, uma mulher disfarçada de homem é um dos pontos cruciais da narrativa. Essa revelação abala suas emoções e questiona sua percepção de gênero e desejo.

3.   O Duelo: Riobaldo e Diadorim enfrentam um duelo mortal com Hermógenes e Ricardão. Diadorim luta com bravura, e Riobaldo percebe a verdade sobre sua identidade durante esse confronto sangrento.

4.   A Morte de Diadorim: A morte de Diadorim é um momento de profunda tristeza para Riobaldo. Ele lamenta a perda de seu grande amor e reflete sobre a complexidade da vida e do destino.

5.   A Busca Pela Verdade: Riobaldo busca entender a essência de Diadorim, sua dualidade e o significado de seu amor. Essa busca interior é constante ao longo da narrativa.

Esses momentos exploram temas como amor, identidade, dualidade e existência, tornando a relação entre Diadorim e Riobaldo uma das mais marcantes da literatura brasileira.

O sertão desempenha um papel fundamental na obra. Ele é mais do que um cenário geográfico; é um elemento vivo e simbólico, que eu chamei acima de personagem mudo:

O sertão é retratado como um ambiente árido, vasto e desafiador. Ele reflete a dureza da vida e a luta pela sobrevivência dos personagens. Guimarães Rosa mergulha na cultura, nas crenças e nas tradições do sertão, usando a linguagem coloquial e os costumes locais, que  são essenciais para a autenticidade da história. O sertão passa a representar a jornada interior dos personagens,  porque  é vasto e cheio de mistérios,  buscando por sentido e identidade profunda e complexa.

O sertão é tanto um lugar de beleza quanto de violência. Essa dualidade coincidem com os conflitos internos dos personagens, especialmente de Riobaldo.

Além dos personagens centrais, a obra apresenta outros elementos simbólicos que enriquecem a narrativa:

A obra reflete a espiritualidade do sertanejo, onde estão presentes:  fé, superstição e misticismo. A relação com o sagrado permeia a história. O enigmático diabo é uma presença constante, representando as forças do mal e os conflitos internos dos personagens. Esses elementos contribuem para a profundidade e riqueza da obra de Guimarães Rosa.

VALE A PENA.

Boa leitura.

NH. 13/07/2024

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