MEU LIVRO DA SEMANA - 97
- Carlos A. Buckmann
- 30 de jun. de 2024
- 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 97
A ODISSÉIA – (Homero)
A mitologia grega é o estudo dos conjuntos de narrativas relacionadas com os mitos dos gregos antigos e dos seus significados. Ela ganhou destaque sobre a mitologia de vários outros povos pela própria influência que a civilização e o pensamento grego exerceram sobre o mundo, em particular sobre o Ocidente. A mitologia grega ou greco-romana, em suas origens mais remotas está ligada a uma visão de mundo de caráter religioso.
O autor, Homero, já apresentei uma pequena biografia na publicação anterior (ILÍADA), mas que não me custa repetir: Homero nasceu em algum lugar da Jônia, antigo distrito grego da costa ocidental da Anatólia, que hoje constitui a parte asiática da Turquia, por volta de 850 a. C. As cidades de Esmirna, Rhodes, Quio, Argos, Ítaca, Pilos e Atenas também reivindicam a honra de ter sido a pátria de Homero, dada a importância de suas obras.
Odisseia, assim como ILÍADA, é um poema épico, que narra o percurso atribulado do herói Ulisses para voltar para casa depois da Guerra de Troia. O tema central da Odisseia é a luta para retornar ao lar, que não é apenas uma jornada física, mas também espiritual e moral.
Na cultura grega, o personagem principal é conhecido como "Odisseu". No entanto, quando a obra foi traduzida para o latim, o nome “Odisseu” foi latinizado para “Ulixes”, que posteriormente evoluiu para "Ulisses".
Essa mudança de nome é comum em traduções e adaptações literárias, pois muitas vezes os nomes são ajustados para se adequar melhor à linguagem e cultura do público-alvo. No caso de “Odisseu” e “Ulisses”, a mudança reflete as diferenças linguísticas e culturais entre os públicos grego e latino.
A Odisseia, é a história de Ulisses, que depois de passar 10 anos na Guerra de Troia, leva mais 17 anos para voltar para casa, passando por muitas aventuras no caminho. Acredita-se que a obra tenha sido escrita entre os séculos VIII e VII a.C., durante o período conhecido como Idade das Trevas, quando a Grécia passava por um período de instabilidade política e social.
Os personagens e suas relevâncias dentro da história da Odisseia são: Ulisses, rei de Ítaca, na volta para casa; Atena, a deusa que o protege; Poseidon, o rei dos mares e Circe a deusa feiticeira que tenta cativá-lo. Ulisses é o personagem principal da obra, um herói pouco convencional que tenta solucionar os problemas através da lógica e da retórica, não através da violência. Telêmaco, filho de Ulisses e Penélope, sua esposa, desempenha um papel importante na história.
No início do poema, Telêmaco é um jovem inexperiente, mas ao longo da jornada, ele amadurece e assume um papel mais ativo na busca por seu pai. Ele passa grande parte de sua vida buscando notícias sobre Ulisses, pois sempre contrariou todas as expectativas de que ele teria perecido nos mares, assim como sua mãe, Penélope, que consegue evitar os pretendentes ao lugar de Ulisses visando suas terras e posses. Vinte e sete anos mais tarde, quando Ulisses retornou, pai e filho decidem assassinar todos os usurpadores que tentavam casar com sua esposa com o Arco da Morte (uma arma mitológica).
A Odisseia é formada por 24 cantos ou rapsódias, divididas em três partes, embora não haja separação explícita. A primeira parte é chamada “Telemaquia”, por tratar de “Telêmaco”, filho de Ulisses e Penélope. A segunda parte, que abrange os contos V a XIII, relata as aventuras de Ulisses. A terceira parte tem como tema a vingança de Ulisses sobre os mnesteres (do grego, “pretendentes” de sua esposa, Penélope).
Ulisses, o herói da “Odisseia”, enfrenta uma série de desafios e aventuras em sua jornada de volta para casa após a Guerra de Troia, que passo a resumir, não necessariamente nessa ordem:
Encontro com Circe, uma deusa e feiticeira de beleza encantadora e uma das personagens mais marcantes da Odisseia. Ela consegue transformar os companheiros de Ulisses em porcos, mas Ulisses, com a ajuda de Hermes, consegue resistir ao seu feitiço. Circe, apaixonada por Ulisses, promete lhe dar a imortalidade e a eterna juventude para que ele permaneça em sua ilha.
A passagem para o Submundo, onde Ulisses é um dos poucos mortais que teve a oportunidade de visitar o Submundo e retornar. Ele faz essa viagem para consultar o profeta cego Tirésias sobre como poderia voltar para casa.
O Canto das Sereias: Ulisses é conhecido por ser o único mortal que ouviu o canto das sereias e sobreviveu. Ele ordenou que seus homens tapassem os ouvidos com cera e o amarrassem ao mastro do navio, para que pudesse ouvir o canto sem ser atraído para a morte.
Ulisses teve que navegar entre dois monstros marinhos, Cila e Caríbdis. Cila era um monstro de seis cabeças que pegava marinheiros de navios que passavam, enquanto Caríbdis era um monstro marinho que criava redemoinhos que engoliam navios inteiros.
Durante a jornada de volta para casa, Ulisses tem um encontro desfavorável com Poseidon, deus do mar. Isso ocorre devido à ofensa anterior de Ulisses aos filhos de Poseidon, os ciclopes. Poseidon cria diversas dificuldades para Ulisses, como tempestades, monstros marinhos e a destruição de seus navios.
Essas aventuras testam a coragem, a inteligência e a resiliência de Ulisses, e cada uma delas contribui para o seu crescimento como personagem e herói.
Depois dessa jornada com muitas aventuras e revezes, Ulisses encontra Telêmaco e seu grupo e juntos retornam a Ítaca. Ulisses utiliza sua astúcia e inteligência, aliadas à ajuda de outros deuses, especialmente Atena, que se disfarça em um jovem pastor para ajudá-lo a superar os desafios.
Finalmente, Ulisses chega a Ítaca disfarçado e consegue o feito de ser aceito como pretendente por sua esposa, Penélope, para a revolta dos outros, que promovem uma verdadeira rebelião. Mas, tendo seu arco em mãos, o Arco da Morte, Ulisses consegue reprimir a revolta e retomar o seu lugar de rei depois de longa jornada.
Toda a obra grega, poesia, tragédia teatral, ou romance épico, sempre envolveu, além dos deuses, o amor e, o de Ulisses era Penélope, personagem central na “Odisseia”.
Penélope, fica responsável por governar Ítaca e criar Telémaco durante a ausência do marido. Quando todos em Ítaca acreditam que ficou viúva, dezenas de pretendentes invadem o seu palácio na esperança de casar com ela. Penélope, no entanto, inventa um esquema para enganar a todos e manter a fidelidade ao marido. Para enganá-los, ela disse que só casaria com outro homem quando terminasse de tecer um manto fúnebre para seu sogro. Assim, todos os dias, ela tecia o manto e todas as noites, desfazia o trabalho, adiando assim a decisão de escolher um novo marido. Essa astúcia permitiu que mantivesse sua fidelidade a Ulisses durante sua ausência, demonstrando sua paciência e lealdade.
Essa obra-prima da literatura mundial, numa análise mais aprofundada, transmite várias mensagens importantes e atemporais.
Ao longo da Odisseia, o protagonista, Ulisses, depende frequentemente de sua inteligência e astúcia para superar obstáculos e perigos, em vez de apenas a força bruta. Ele é um herói pouco convencional que tenta solucionar os problemas através da lógica e da retórica, não através da violência.
Ulisses demonstra um espírito resiliente e nunca desiste de reencontrar a sua família, apesar de todas as dificuldades. Sua jornada é marcada por uma busca pelo retorno ao lar, enfrentando obstáculos físicos e mentais.
Penélope, a esposa de Ulisses, é um exemplo de fidelidade e lealdade. Durante a ausência de seu marido, ela resiste às investidas dos pretendentes ao lugar de Ulisses visando suas terras e posses. Ela usa sua astúcia para adiar sua decisão sobre escolher um novo marido.
A Odisseia reflete os valores fundamentais da Grécia Antiga, incluindo a importância da hospitalidade, o respeito pelos deuses e a valorização da inteligência e da astúcia.
A Odisseia é uma das primeiras e mais influentes histórias da jornada do herói, um tema comum em muitas narrativas posteriores. A jornada de Ulisses de volta para casa é uma metáfora para a jornada da vida, cheia de desafios, crescimento e autodescoberta.
Então, aqui temos uma obra-prima da literatura universal, escrita há mais de dois mil e quinhentos anos e que realmente
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 30/06/2024.
# Fica a dica. Siga meu blog: https://linktr.ee/betobuckmann




Comentários