MEU LIVRO DA SEMANA - 96
- Carlos A. Buckmann
- 23 de jun. de 2024
- 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 96
ILÍADA – (Homero)
Fazer uma análise literária das obras de Homero, por certo que não é uma tarefa fácil, pela complexidade de seus textos, ainda mais que se trata de uma narrativa em forma de poema épico. Mas, mesmo assim, vamos fazer o nosso melhor possível.
Homero foi um poeta da Grécia Antiga, autor das obras-primas “Ilíada” e “Odisseia”, que narram as aventuras dos heróis gregos da guerra de Troia e que tiveram grande influência na literatura ocidental. Nasceu em algum lugar da Jônia, antigo distrito grego da costa ocidental da Anatólia, que hoje constitui a parte asiática da Turquia, por volta de 850 a. C. A existência de Homero foi questionada por muitos estudiosos, devido às diferenças de estilo entre a Ilíada e a Odisseia. Particularmente, prefiro não opinar a esse respeito, já que estamos tratando de mitologia e mitos não existem além da imaginação de seres humanos, ou não tão humanos.
A mitologia grega consiste na forma mais antiga de crença e conhecimento do homem ocidental. Os gregos buscavam explicar a realidade através de entes sobrenaturais e figuras mitológicas. A mitologia era narrada em forma de poesia e era cantada nas ruas pelos poetas, dentre os quais o mais famoso foi justamente Homero.
Mas vamos então analisar a “ Ilíada”, esse poema épico que narra o cerco da cidade de Troia pelos aqueus na tentativa de resgatar Helena, esposa do rei Menelau, que foi raptada por Páris, príncipe troiano. A obra é composta por 24 cantos, onde são narrados diferentes eventos ocorridos durante o último ano da Guerra de Troia, que teria durado 10 anos.
Abrindo um parênteses: O filme Tróia, onde Brad Pitt interpreta Aquiles, foi uma reprodução muito fiel da obra de Homero. E fechamos o parênteses.
Destacando então os personagens principais da obra: Aquiles, o herói principal, conhecido por sua coragem e fúria; Heitor, príncipe troiano e líder militar, confrontado com Aquiles; Agamêmnon, rei dos aqueus e comandante-chefe do exército grego; Helena, esposa de Menelau e que, com sua beleza, foi a causa da Guerra de Troia.
Este poema desenvolve-se, como já citei, em torno da Guerra de Troia, que provavelmente teria se conflagrado no século XIII a.C. Homero descreve com detalhes o mundo grego da época apesar de não ter sido testemunha dos fatos, pois viveu quatro séculos depois. Aqui podemo-nos questionar onde termina o registro da história e onde começa a imaginação do poeta.
E a força da Mitologia Grega na “Ilíada”, mostra como os deuses desempenham um papel significativo e estão constantemente intervindo nos eventos da Guerra de Troia, como em todas as vidas dos cidadãos gregos. Eles, os deuses, não são meros espectadores, mas participantes ativos que influenciam o curso da guerra de acordo com suas preferências e rivalidades pessoais. Nota-se que esses deuses resolviam suas “querelas” pessoais, através dos mortais, que eram por eles manipulados.
Entre os deuses e deusas mencionados na “Ilíada” e suas preferências, se incluem:
Afrodite: Deusa do amor, ela apoia os troianos.
Apolo: Deus que envia uma praga, filho de Zeus e Leto. Ele apoia os troianos.
Ares: Deus da guerra. Ele apoia os troianos.
Atena: Deusa ativa na batalha, filha de Zeus. Ela apoia os gregos.
Hera: Deusa do casamento e dos partos, ela apoia os gregos.
Hefesto: Deus da tecnologia, dos metais e do fogo.
Os deuses frequentemente tomam partido na guerra, apoiando os troianos ou os aqueus, dependendo de suas alianças e inimizades pessoais. Por exemplo, Afrodite, que favorece os troianos, tenta proteger seu filho Enéas no campo de batalha. A intervenção dos deuses adiciona uma camada de complexidade à guerra, tornando-a não apenas um conflito entre humanos, mas também um campo de batalha para as disputas divinas. Outro exemplo, a ausência de Aquiles deixa os aqueus vulneráveis, e Heitor consegue matar o amigo próximo de Aquiles, Pátroclo, que havia vestido a armadura de Aquiles na tentativa de reunir as tropas aqueias.
Na escolha de seus favoritos, os deuses frequentemente intervêm nas batalhas: - Atena, por exemplo, aconselha Diomedes e transmite a ele raiva e coragem para lutar na batalha. Por sua vez, Pândaro fere Diomedes com uma flecha, mas Atena vem em seu resgate e consegue curá-lo. Depois, ela o alerta para evitar atacar outros deuses, a menos que encontre Afrodite. (Eita rivalidade feminina, até entre as deusas).
Além disso, Zeus tem um plano para eliminar os principais heróis porque as mortes destes heróis causam sofrimento nos deuses. Isso mostra que os deuses não apenas influenciam as decisões dos heróis, mas também são afetados pelas consequências dessas decisões.
As decisões dos heróis, influenciadas pelos deuses, podem mudar o curso da guerra: quando Agamenon decide enviar a população para suas respectivas casas após um sonho enviado por Zeus, isso muda o curso da guerra. As decisões dos heróis também têm consequências pessoais: quando Aquiles decide se retirar do acampamento após Agamenon lhe roubar sua serva Briseida, isso tem consequências pessoais para Aquiles e também afeta o curso da guerra.
Não podemos deixar de registrar que a vingança é um tema central na “Ilíada” e é retratada principalmente através do personagem Aquiles. - Aquiles, o guerreiro mais valente dos aqueus, retira-se da batalha devido a um desentendimento com Agamêmnon, que lhe tomou a escrava Briseida. No entanto, quando seu amigo Pátroclo é morto por Heitor, Aquiles enfurece-se e retorna à luta para vingá-lo. A ira de Aquiles e sua vingança contra Heitor são o ponto máximo da narrativa de Homero.
Por fim e não por termos esquecido de comentar anteriormente, na “Ilíada”, a justiça é um tema importante e é retratada de várias maneiras. Muitas vezes toma a forma de retribuição: quando Agamenon toma Briseida de Aquiles, Aquiles se retira da guerra. Sua mãe, a deusa Tétis, consegue de Zeus a promessa de que os gregos não triunfarão enquanto a injustiça contra Aquiles não for reparada. Isso mostra que a justiça é vista como uma forma de equilíbrio ou retribuição.
A justiça também é vista como uma forma de manter a ordem social. Outro exemplo, quando um guerreiro viola as normas de uma cultura aristocrática, ele deve pagar uma compensação por essa transgressão, mostrando que a justiça é vista como uma forma de manter a ordem e a harmonia na sociedade.
Também a justiça na “Ilíada” é alcançada por um processo de negociação entre partes em litígios, realizada oralmente. Ela é particular, não universal, quando ampliada exclui seus opositores. Isso mostra que a justiça é vista como um processo de negociação e compromisso.
Homero parece ter escrito a “Ilíada” com o objetivo de demonstrar que até mesmo na arte poética o artista pode valer--se dos princípios da Moral, da Ética, da Justiça para demonstrar que nenhuma Sociedade se sustenta na riqueza da conquista por assaltos, na traição, na mentira, na força física.
Esse poema épico nos mostra porque a cultura grega foi o berço de toda a civilização ocidental.
VALE A PENA.
Boa Leitura.
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