MEU LIVRO DA SEMANA - 95
- Carlos A. Buckmann
- 16 de jun. de 2024
- 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 95
O BANQUETE – (Platão)
Como de costume, deixe eu começar com uma breve biografia do autor:
Platão (427-347 a.C.) foi um filósofo grego da antiguidade, considerado um dos principais pensadores da história da filosofia. Ele era discípulo de Sócrates. Sua filosofia é baseada na teoria de que o mundo que percebemos com nossos sentidos é um mundo ilusório, confuso. O mundo espiritual é mais elevado, eterno, e o que existe verdadeiramente são as ideias, que só a razão pode conhecer. Pascal, no século XVII, também pensou assim quando escreveu: “O coração tem razões que a própria razão desconhece”. Platão viajou por Cirene (a primeira pólis grega no norte da África, fundada aproximadamente em 630 a.C.), Itália e Egito, entrando em contato com grandes mentalidades da época. Quando regressou a Atenas, com a idade de 40 anos, abriu uma escola destinada à investigação filosófica que recebeu o nome de “Academia”.
O pensamento filosófico desenvolvido por Platão, foi um pensamento metafísico próprio, relegando à questão do “ser” e das “essências”, o princípio e a chave para se ter qualquer tipo de conhecimento acerca do mundo, elaborando uma teoria metafísica dualista, que divide o mundo em duas categorias: o Mundo das Ideias e das Formas e o mundo sensível.
Agora vamos entrar propriamente na análise da obra “O Banquete”: - Ela é um diálogo fundamental na obra de Platão que traz como tema principal o amor e a amizade; supõe-se que tenha sido escrita entre os anos 385 a.C. e 380 a.C. - Durante o banquete, (era costume grego da época organizar jantares entre pensadores para debater assuntos filosóficos), cada intelectual presente tece um discurso para elogiar o amor. São apresentados seis discursos definidores sobre o amor.
Os personagens pensadores desse banquete são: Sócrates, Fedro, Pausânias, Erixímaco, Aristófanes, Agatão e Alcibíades (Lembro que o personagem Alcebíades já analisamos em A REPÚBLICA, que publiquei semanas atrás e que Platão ressurge aqui). Cada um desses personagens oferece diferentes discursos sobre o tema do amor, explorando suas várias facetas e consequências.
Contextualizando, o histórico da obra é a antiga Grécia, durante o período clássico da filosofia grega. Platão, discípulo de Sócrates e mestre de Aristóteles, desenvolveu sua filosofia por meio de diálogos como “O Banquete”, nos quais utiliza personagens fictícios, baseado na dialética socrática, para transmitir suas ideias.
O discurso mais marcante em “O Banquete” é geralmente considerado o de Sócrates, no qual ele relata o que aprendeu sobre o amor com uma sacerdotisa chamada Diotima. Segundo ela, o amor é um desejo de alcançar a beleza e a sabedoria, e sua expressão mais elevada é a busca da verdade e do conhecimento.
Sócrates finaliza seu discurso dizendo que Eros é o desejo do belo, sendo então que Eros é amante do belo. Noutras palavras, Eros é filósofo, sendo filósofo é amante do saber.
Este discurso é notável porque encapsula a visão de Platão sobre o amor como um meio de ascensão à verdade e ao conhecimento, um tema central em sua filosofia. Através deste discurso, Platão sugere que o amor não é apenas uma força que une as pessoas, mas também um caminho para a sabedoria e a compreensão. Temos aqui então a definição de filosofia: amor ao conhecimento, ou amor à sabedoria.
O conceito de amor está em Platão em seus diálogos filosóficos clássicos, como o “Banquete” e o "Fedro". Para Platão, o amor é uma força poderosa que pode levar as pessoas a buscarem a verdade e a beleza.
Em seus diálogos, Platão explora diferentes aspectos do amor. Por exemplo, em “Fedro”, ele discute o amor divino, o amor humano, e a relação entre eles. Ele também explora a ideia de que o amor é um tipo de loucura divina que pode inspirar grandes feitos.
Em “O Banquete”, cada um dos convidados expõe sua visão de Eros, o deus grego do amor. Fedro, o primeiro a falar, diz que Eros é a força inspiradora para realizar grandes feitos, afirmando que o amor é o que nos dá a coragem para sermos pessoas melhores.
Pausânias fala de dois tipos de amor: o amor corporal e o amor celestial.
A visão de Platão, passada através do discurso de Sócrates, é que o amor não pode ser um deus e, sim, um ser intermediário. Isso porque, para ele, quem ama deseja algo que não tem, logo o amor é uma carência, servindo como conexão e comunicação que enchem o vazio que existe entre o visível e o invisível.
Portanto, o que chamamos comumente de amor platônico, não corresponde a uma idealização de uma pessoa, mas sim a alcançar a sabedoria, um tipo de beleza espiritual. O amor pelo belo em si se entende como o conceito supremo de amor, o qual encontraríamos no mundo das ideias. Conhecer a beleza em todo o seu esplendor é o objetivo do amor.
Na obra, Eros é retratado como uma força que nos impulsiona em direção ao belo e ao bom. Ele é a expressão da imperfeição natural do homem e de sua busca pela perfeição. Para Platão, o amor é ainda uma força educadora que molda o homem e seu caráter. O amor, ou Eros, é a essência da amizade, que é a forma fundamental de toda comunidade espiritual e ética humana.
Platão se vale da aproximação entre Eros e Philia (amizade) para fundamentar sua própria concepção de “Philos sophía” (amor pela sabedoria), na qual Eros desempenha um papel decisivo. Mais precisamente, uma concepção de filosofia na qual o que é Belo (Eros) deve assimilar o que é Bom (Philia).
Portanto, Eros para Platão personifica a máxima filosófica do amor à sabedoria. Ele é a força que nos leva a buscar a verdade e o conhecimento, e é por isso que é tão central para a filosofia platônica.
Claro que para alguns existem críticas à visão de Platão sobre o amor, como por exemplo:
Amor como Doença Mental: Uma crítica é que Platão vê o amor como uma doença mental, mas também como um caminho para a sabedoria. O desejo insaciável do amante, que o impede de alcançar a verdadeira sabedoria, é a “doença mental” associada ao amor. Você pode concordar ou não.
Amor Platônico Moderno vs. Amor Segundo Platão: Outra crítica é que a expressão “amor platônico” é frequentemente usada de maneira errada na linguagem moderna. Muitas pessoas usam “amor platônico” para se referir a um amor não correspondido ou inatingível. No entanto, para Platão, o amor não se refere a uma pessoa inatingível, mas sim à busca do belo. Portanto, há uma desconexão entre o amor platônico moderno e o amor segundo Platão.
Amor como Ascese Espiritual: Alguns podem criticar a visão de Platão de que o amor é uma forma de ascese espiritual, um caminho para a contemplação das ideias eternas e imutáveis. Eles podem argumentar que essa visão é muito idealizada e não leva em conta a realidade complexa e muitas vezes confusa do amor humano. É uma outra maneira de pensar, mas que eu não concordo.
Essas críticas destacam algumas das controvérsias e debates em torno da visão de Platão sobre o amor. No entanto, é importante lembrar que a filosofia de Platão teve um impacto profundo e duradouro no pensamento ocidental, e suas ideias sobre o amor continuam a ser um tópico de discussão até hoje.
Concordando ou não,
VALE A PENA
Boa Leitura.
NH, 16/06/2024.
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