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MEU LIVRO DA SEMANA - 94

  • Carlos A. Buckmann
  • 9 de jun. de 2024
  • 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 94

A REVOLUÇÃO DOS BICHOS – (George Orwell)

Se existe uma obra que poderia ter sido escrita ontem, como sátira ao momento político atual em qualquer lugar do mundo, essa é sem dúvida “A REVOLUÇÃO DOS BICHOS”.

Eric Arthur Blair, verdadeiro nome de George Orwell, nasceu em 25 de junho de 1903 em Motihari, Bengala, Índia, e morreu em 21 de janeiro de 1950 em Londres, Inglaterra. Romancista, ensaísta e crítico inglês, famoso por seus livros “A Revolução dos Bichos” (1945) e “1984” (1949) (este último um profundo romance distópico que examina os perigos do governo totalitário e que já comentamos há algumas semanas atrás). A mudança de nome correspondeu a uma mudança profunda no estilo de vida de Orwell, no qual  passou de um pilar do estabelecimento imperial britânico para um rebelde literário e político.

“A Revolução dos Bichos” é uma novela  publicada em 1945, cuja  história é uma alegoria que explora a Revolução Russa e a subsequente ascensão do stalinismo, mas que bem poderia ser posta como crítica da política atual. Se Orwell quis criticar o modelo político Russo da época, tornou-a atemporal.   A trama se passa em uma fazenda, onde os animais derrubam seus opressores humanos e estabelecem seu próprio governo, liderado pelos porcos.

Os personagens principais da obra são os porcos Napoleão e Bola-de-Neve, que representam na visão de Orwell, respectivamente Joseph Stalin e Leon Trotsky. Outros personagens importantes incluem o cavalo de tração Boxer, cuja força incrível, dedicação e lealdade desempenham um papel fundamental na prosperidade inicial da fazenda, e o porco Gritador, que espalha a propaganda de Napoleão entre os outros animais e que hoje poderia ser qualquer dos inúmeros “influenciadores” na internet e criadores de “Fake News”.

O conflito central de “A Revolução dos Bichos” surge quando o desejo dos animais por liberdade e igualdade é corrompido pela consolidação do poder político entre os porcos. A obra retrata a agonia de Orwell como socialista ao ver como o socialismo foi deformado por Stalin. A novela apresenta, de forma sutil, como um grupo de animais (cidadãos) de uma fazenda (nação), eventualmente é levado a uma vida terrível, governada por um regime totalitário, quando lhes foi prometida liberdade e igualdade.

A linguagem em “A Revolução dos Bichos” é usada de maneira poderosa e estratégica. George Orwell emprega uma linguagem simples, clara e acessível e direta. A descrição e o diálogo são mantidos no mínimo e Orwell evita a sentimentalidade - até mesmo as seções mais comoventes do texto são muito diretas em estilo. Ele se concentra em contar a história, permitindo que o leitor se concentre nas lições que ele quer que aprendamos.

Os porcos, em particular, usam a linguagem como uma ferramenta para manipular e controlar os outros animais. Eles distorcem e retorcem a retórica das revoluções socialistas para justificar seu comportamento e manter os outros animais no escuro. Por exemplo, Napoleão usa a repetição para reforçar sua mensagem. Repetindo ‘Viva’, ajuda a enfatizar o ponto de Napoleão de que ele quer que a Fazenda dos Animais continue para sempre.

Além disso, Squealer controla os outros questionando suas memórias. Este dispositivo retórico é usado para fazer os animais duvidarem de si mesmos, o que hoje bem poderia ser retratado pelo dogmatismo religioso. Orwell mostra como a retórica pode ser usada negativamente.

Deixe-me reforçar: - Os porcos, que assumem o controle da fazenda, usam a linguagem para manipular e controlar os outros animais. Eles distorcem e manipulam a linguagem para justificar suas ações e manter os outros animais na ignorância. Por exemplo, eles alteram os Sete Mandamentos originais da fazenda para se adequar à sua conduta, mas usam a linguagem para convencer os outros animais de que os mandamentos nunca foram alterados. Qualquer semelhança com as distorções  (bandeira de Israel para simbolizar o cristianismo) com certeza se encaixam 100% nos dias atuais.

Além disso, a linguagem é usada para criar uma divisão de classes na fazenda. Os porcos, sendo os únicos animais que conseguem ler e escrever, colocam-se em uma posição de autoridade e usam sua habilidade linguística para manipular os outros animais Aqui se vê então a crítica ao analfabetismo literal e, ao funcional, mais particularmente. Isso contribui para a atmosfera opressiva, pois os outros animais são mantidos na ignorância e, portanto, são mais facilmente controlados.

O final de “A Revolução dos Bichos” é simbólico e carregado de significado. Nele, os porcos, que assumiram o controle da fazenda, começam a se vestir e se comportar exatamente como os humanos. Esta imagem assustadora simboliza a corrupção do poder e o ciclo inevitável de tirania que ocorre quando os ideais revolucionários são traídos.

Os animais percebem que os porcos se tornaram tão cruéis e opressivos quanto os fazendeiros humanos. O final também argumenta que o poder político é sempre o mesmo, não importa quem o tenha e qual ideologia seja usada para justificá-lo. As pessoas poderosas são cruéis e egoístas, sejam elas porcos ou humanos, comunistas ou capitalistas.

Além disso, não oferece muita esperança para um sistema político viável com verdadeira igualdade para todos. Em vez disso, o final sugere que a natureza corruptora do poder condena todos os sistemas políticos ao fracasso. Isso é evidenciado na última cena do jantar, onde o Sr. Pilkington e Napoleão estão discutindo porque ambos tentaram trapacear em um jogo de cartas da mesma maneira e ao mesmo tempo.

Resumindo: -  “A Revolução dos Bichos” destaca a influência corruptora do poder e a falha dos sistemas políticos em alcançar a verdadeira igualdade.

VALE A PENA.

Boa leitura.

NH, 09/06/2024. – Na tentativa de recomeçar um Estado arrasado pela catástrofe climática.

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