MEU LIVRO DA SEMANA - 93
- Carlos A. Buckmann
- 2 de jun. de 2024
- 6 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 93
HAMLET – (William Shakespeare)
Assim como toda música precisa ter “alma” ou então é só barulho, toda arte deve ser engajada para que possa ser chamada de arte. Isso vale para todas as artes e mormente para o teatro. A arte é feita não só para mostrar a realidade, mas também para contestá-la, desde os primórdios da antiga Grécia até nossos dias. E a arte é sempre atemporal, independente de quando foi criada. Isso vale para todas as peças de Shakespeare.
William Shakespeare (1564-1616) foi dramaturgo e poeta. Inglês, autor de tragédias famosas como “Hamlet”, “Otelo”, “Macbeth” e “Romeu e Julieta”. Ele é considerado uma das maiores figuras literárias da língua inglesa. Nasceu em Stratford-upon-Avon, na Inglaterra, e escreveu suas obras para um pequeno teatro no final do século XVI e início do XVII. Ele estudou muito e leu autores clássicos, novelas, contos e crônicas, que foram fundamentais para sua formação de dramaturgo.
“Hamlet” é uma tragédia que se baseia em um príncipe que busca vingar a morte de seu pai. A narrativa é densa e reflexiva, abordando conflitos de família, amores, loucura e sanidade, filosofia, poder, moralidade e todas as circunstâncias da condição humana.
A peça, escrita entre 1599 e 1601, se passa na Dinamarca, mais precisamente no castelo de Elsinor. (O castelo de Elsinor, conhecido como Castelo de Kronberg, realmente existe e está localizado na cidade de Elsinor, na Dinamarca. Este castelo renascentista foi construído no século XV e é famoso em todo o mundo por sua ligação à peça de William Shakespeare).
Vejamos uma rápida análise dos principais personagens e suas relevâncias
Hamlet: Príncipe da Dinamarca e protagonista da peça. Ele é um jovem atormentado pela morte de seu pai e pelo casamento apressado de sua mãe com seu tio.
Rei Hamlet: Pai de Hamlet e antigo rei da Dinamarca. Ele é assassinado por seu irmão, Cláudio, antes do início da peça.
Rainha Gertrudes: Mãe de Hamlet e viúva do Rei Hamlet. Ela se casa com Cláudio logo após a morte do marido.
Cláudio: Tio de Hamlet e novo rei da Dinamarca. Ele assassina seu irmão para tomar o trono e se casar com Gertrudes.
Ofélia: Jovem donzela e interesse romântico de Hamlet. Ela é filha de Polônio.
Polônio: Conselheiro do rei e pai de Ofélia.
Horácio: Amigo leal de Hamlet, que o ajuda ao longo de toda a trama.
A peça começa com o aparecimento do fantasma do Rei Hamlet (pai) para os guardas do castelo de Elsinor. O espírito revela que foi assassinado por Cláudio e pede a Hamlet (o príncipe da Dinamarca) que vingue sua morte, colocando-o em um dilema moral e emocional. Hamlet decide fingir estar louco para investigar a verdade sobre o assassinato de seu pai. Ao longo da peça, Hamlet luta com conflitos internos profundos. Ele está dividido entre seu desejo de vingança e suas dúvidas sobre a moralidade de matar Cláudio.
“Hamlet” foi escrita durante o período elisabetano. A obra reflete as preocupações e dilemas da sociedade da época, como a instabilidade política e a busca por justiça.
Shakespeare era também um grande poeta e, como tal, um romântico e trazia isso para os textos de suas peças. Assim, Ofélia é uma personagem crucial na obra “Hamlet”. Ela é uma jovem da alta nobreza da Dinamarca, filha de Polônio, irmã de Laertes e noiva do Príncipe Hamlet.
Ofélia desempenha um papel significativo na trama, principalmente em relação ao desenvolvimento do personagem de Hamlet. Ela é o interesse amoroso de Hamlet e sua relação com ele é uma das principais subtramas da peça.
A personagem de Ofélia é muitas vezes vista como uma vítima das circunstâncias, presa entre o amor por Hamlet e a lealdade à sua família. A pressão desses conflitos eventualmente leva Ofélia à loucura.
Um dos momentos mais marcantes da peça é quando Ofélia, em um estado de desespero e loucura, se afoga, o que é interpretado por muitos como um suicídio. A morte de Ofélia é um ponto de virada na peça, pois intensifica o conflito entre Hamlet e Laertes e leva ao clímax trágico da história.
Portanto, Ofélia desempenha um papel fundamental na trama, tanto em termos de desenvolvimento do enredo quanto na exploração dos temas de amor, traição e loucura.
A linha entre o fingimento e a realidade da loucura de Hamlet é uma questão central na peça e tem sido objeto de muitos debates literários. Hamlet decide fingir loucura como parte de seu plano para investigar a morte de seu pai e vingá-lo. No entanto, à medida que a peça avança, o estado mental real de Hamlet torna-se cada vez menos certo.
Em um ponto da peça, Hamlet confessa a seu amigo Horácio que sua loucura é fingida. No entanto, sua obsessão pela vingança e a pressão das circunstâncias que enfrenta levantam dúvidas sobre se sua loucura é totalmente fingida ou se ele realmente desliza para a insanidade em alguns momentos.
Além disso, a peça sugere que a loucura de Hamlet pode ser vista como um reflexo da loucura e corrupção que permeiam o reino da Dinamarca. Assim, a loucura de Hamlet pode ser interpretada tanto como uma estratégia consciente quanto como uma resposta inconsciente ao mundo ao seu redor.
Portanto, a distinção entre o fingimento e a realidade da loucura de Hamlet é intencionalmente ambígua e sujeita a interpretações variadas. Isso contribui para a complexidade e profundidade da personagem de Hamlet e da peça como um todo.
Mas temos a trama política de “Hamlet”, que é uma parte essencial da obra. - A peça retrata a corrupção política e moral que permeia a sociedade de Elsinor. Cláudio, o tio de Hamlet, é um exemplo claro dessa corrupção, tendo assassinado seu próprio irmão para obter o trono. A obra levanta questões sobre a natureza da ambição e o preço do poder.
A política é essencial na composição de “Hamlet”. O teatro elisabetano é visto como um teatro político e a ideia de poder que se encontra nas obras de Shakespeare é construída pela vivência familiar, escolar e eclesial do poeta e de sua experiência com novas ideias políticas em discussão no ambiente londrino.
No mundo elisabetano, quem se alçava ao poder detinha a razão e fazia um discurso de legitimação. Cláudio não foge à regra. Sua fala busca convencer de que ele, de forma legítima, ocupa uma posição na hierarquia e possui capacidade de tomar ações eficazes no exercício do poder.
Contextualizando aos dias atuais, a obra ainda é relevante por suas reflexões sobre poder, corrupção, moralidade e a condição humana. A corrupção política retratada na peça é um problema que persiste nas sociedades modernas. Além disso, a luta de Hamlet com questões de moralidade, dever e vingança ressoa com muitos dilemas éticos contemporâneos.Suas reflexões sobre poder e corrupção são tão relevantes hoje quanto eram na época de Shakespeare. A obra continua a oferecer insights valiosos sobre a natureza humana e a sociedade, tornando-a uma leitura essencial para os tempos atuais. Se não, vejamos:
Corrupção do Poder: A peça retrata a corrupção política e moral que permeia a sociedade de Elsinor. Cláudio, o tio de Hamlet, é um exemplo claro dessa corrupção, tendo assassinado seu próprio irmão para obter o trono. Isso levanta questões sobre a natureza da ambição e o preço do poder.
Moralidade e Vingança: Hamlet luta com questões de moralidade ao longo da peça. Ele é confrontado com o dilema moral de vingar a morte de seu pai, o que envolve matar Cláudio. Isso destaca o conflito entre a moralidade pessoal e as demandas do poder e da justiça.
Poder e Loucura: A loucura de Hamlet, seja ela real ou fingida, é usada como uma ferramenta de poder na peça. Ao fingir loucura, Hamlet é capaz de navegar pela corte sem levantar suspeitas enquanto planeja sua vingança.
Influência e Controle: Vários personagens na peça são influenciados pelo poder de outros. Por exemplo, Ofélia é manipulada por seu pai, Polônio, e pelo rei Cláudio, que a usam para espionar Hamlet. Isso mostra como o poder pode ser usado para controlar e manipular os outros, levantando questões sobre a moralidade e a ética dessas ações.
“Hamlet” deve ser lido para entendermos um pouco mais de política, pois explora os paralelos entre poder e moralidade de várias maneiras, destacando a complexidade desses conceitos e sua interação na sociedade humana.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 02/06/2024.
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