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MEU LIVRO DA SEMANA - 91

  • Carlos A. Buckmann
  • 19 de mai. de 2024
  • 6 min de leitura


MEU LIVRO DA SEMANA – 91

A REPÚBLICA – (Platão)

Como nas últimas semanas tenho comentado sobre livros que nos ajudam a entender um pouco mais de política, resolvi trazer hoje para comentar, o que considero um dos, ou o primeiro, tratado sobre política da história da humanidade, cujo primeiro contato que tive com ele, foi durante meu curso Letras, lá nos anos 70, “A REPÚBLICA”, de Platão. – Foi meu primeiro contato com a “maiêutica” de Sócrates, um verdadeiro jogo dialético onde a importância das perguntas levam ao necessário conhecimento da verdade. O termo “maiêutica” Sócrates utilizou com base na profissão de sua mãe que era parteira. Ou seja, “maiêutica” é a arte de realizar partos. Na dialética socrática, as perguntas extraem aos poucos, como num parto, a verdade que está escondida no contexto do assunto em discussão.

Platão (428/427 a.C. - 348/347 a.C.) nasceu em Atenas, Grécia. Filósofo, que foi aluno de Sócrates e professor de Aristóteles e  fundador da Academia. Como Sócrates não nos deixou nada escrito de sua filosofia, tudo o que sabemos dele é através das obras de Platão. Que se especializou em transcrever os “diálogos socráticos”.

Platão introduziu a ideia de que os erros dos chamados especialistas em questões éticas se deviam ao fato de não se envolverem adequadamente com uma classe de entidades que ele chamou de formas, cujos exemplos principais eram Justiça, Beleza e Igualdade. Ele desenvolveu a visão de que a boa vida requer não apenas um certo tipo de conhecimento, mas também a habituação a respostas emocionais saudáveis e, portanto, a harmonia entre as três partes da alma (segundo Platão, razão, espírito e apetite). No pensamento de Platão, o termo “apetite” também referido como a parte concupiscível da alma se refere aos desejos e impulsos básicos que são inerentes a todos os seres humanos. Isso inclui desejos por coisas como comida, bebida, sono e prazeres sexuais.

Por exemplo, se considerarmos a Forma da Justiça, segundo Platão, a justiça que vemos no mundo é apenas uma cópia imperfeita da Forma da Justiça. A verdadeira Justiça, em sua forma perfeita e imutável, só pode ser compreendida pela mente, não pelos sentidos.

Quando Platão fala sobre a criação do universo físico, ele sugere que “Deus” usou essas Formas eternas como um modelo; moldando a matéria imperfeita à semelhança delas. “O que percebemos no mundo empírico é, portanto, uma cópia imperfeita de sua contraparte perfeita e abstrata”.

Em alguns aspectos, essas cópias participam de suas Formas perfeitas, mas sempre “ficam aquém”. Nossas almas eternas estavam familiarizadas com essas Formas antes do nascimento, e por isso somos lembrados delas quando vemos suas cópias imperfeitas ao nosso redor. Com a ajuda da razão, somos capazes de nos aproximar de um conhecimento mais próximo (ou recordação) das próprias Formas.

Platão escreveu “A República” com o uso  de um diálogo socrático por volta de 375 a.C., tratando  sobre justiça, a ordem e o caráter da cidade-estado justa e do homem justo. Temos que lembrar que a Grécia antiga era formada por cidades-estados. A obra é conhecida por suas exposições detalhadas de justiça política e ética e seu relato da organização do estado ideal.

O diálogo começa com a pergunta “Por que devo ser justo?” e Sócrates propõe que essa investigação pode ser avançada examinando a justiça “em grande escala” em um estado ideal. O estado ideal de Platão/Sócrates compreende três classes sociais: governantes, guardiões (ou soldados) e produtores (por exemplo, agricultores e artesãos). A justiça política, então, é a condição de um estado em que cada classe social desempenha adequadamente seu papel, inclusive não tentando desempenhar o papel de qualquer outra classe.

Os personagens principais do diálogo incluem Sócrates, que é o principal orador, e outros atenienses e estrangeiros, como Trasímaco, um sofista e professor de retórica especiosa, e Glaucon, irmão de Platão.

A  narrativa da obra é complexa e envolve uma série de cidades hipotéticas em comparação, culminando em Kallipolis, uma cidade-estado utópica governada por uma classe de reis-filósofos. No conceito da REPÚBLICA perfeita, Platão dizia que esta deveria ser comandada pelo homens mais sábios (filósofos), a quem se submeteriam os soldados e as classes produtoras.  Eles também discutem o envelhecimento, o amor, a teoria das formas, a imortalidade da alma e o papel do filósofo e da poesia na sociedade.

Em “A República”, Além de Sócrates, existem vários outros personagens importantes:

Trasímaco, já mencionado, um sofista na obra de Platão, apresenta uma visão bastante distinta sobre a justiça. Ele acredita firmemente que "a justiça é para a vantagem do mais forte". Segundo Trasímaco, a justiça é determinada pelos governantes em seu próprio interesse, e as leis são estabelecidas para beneficiar esses governantes.

Polemarchus: Filho de Cephalus, é um dos oponentes mais agressivos de Sócrates, sendo superado apenas por Trasímaco.

Cephalus: Um comerciante idoso e rico, é em sua casa que ocorrem os diálogos. Ele exemplifica o homem experiente que, embora não seja um filósofo, tentou viver a boa vida e adotar as virtudes que ouviu e aprendeu.

Glaucon: Irmão de Platão, que caminha com Sócrates até o Pireu e participa de todo o debate. Glaucon questiona Sócrates cuidadosamente e está interessado em determinar o que realmente significa justiça e o que define a boa vida.

Adeimantus: Outro irmão de Platão. No início, ele não concorda que a justiça é melhor do que a injustiça, mas Sócrates consegue convencê-lo.

Cada personagem contribui para a exploração de Platão sobre a natureza da justiça, a ordem e o caráter da cidade-estado justa e do homem justo.

Para refutar a afirmação de Trasímaco de que a injustiça é mais lucrativa do que a justiça, ele argumenta que a injustiça prejudica a harmonia da alma e, portanto, prejudica a felicidade e o bem-estar do indivíduo. No entanto, é importante notar que a discussão entre Sócrates e Trasímaco é complexa e multifacetada, e, portanto, esses pontos que trago aqui, são apenas uma simplificação.

É muito conhecido e amplamente comentado “Alegoria da Caverna” ou o “Mito da Caverna”, dependendo a tradução que se lê, que  é uma parte fundamental de “A República”.  Ele é apresentado  como uma metáfora para a condição humana - nossa educação e a busca pela verdade.

No mito, Sócrates, em Platão, descreve um grupo de pessoas que passaram toda a vida acorrentadas dentro de uma caverna, olhando para a parede e vendo apenas as sombras projetadas por uma fogueira. Para essas pessoas, as sombras são a realidade.

Um dia, um dos prisioneiros é libertado e descobre o mundo exterior. Inicialmente, ele é ofuscado pela luz do sol, mas gradualmente se acostuma e percebe que o mundo exterior é a verdadeira realidade e que as sombras na caverna são apenas imitações imperfeitas.

Quando o prisioneiro liberto retorna à caverna para contar aos outros sobre o mundo exterior, eles resistem à ideia e até o matariam para evitar a mudança.

No contexto da obra, o “Mito da Caverna” é uma ilustração da teoria das Formas de Platão e da jornada do filósofo em busca da verdade. A caverna representa o mundo sensível a que percebemos, enquanto o mundo exterior representa o mundo das Formas, que só pode ser compreendido pela razão.

Nos dias de hoje, o “Mito da Caverna” ainda é relevante, nos lembrando que, o que percebemos como realidade pode ser apenas uma sombra da verdade. Isso pode ser aplicado a várias áreas, como mídia (a jornalística e a social) e a educação. Por exemplo, a maneira como as mídias apresentam informações pode ser comparada às sombras na parede da caverna. Da mesma forma, a educação pode ser vista como o processo de sair da caverna e descobrir a verdade.

Que tal a gente usar o “Mito da Caverna” de Platão em nossa vida cotidiana?

Vamos lá:

Educação e Aprendizado: O processo de sair da caverna e ver a luz pode ser visto como uma metáfora para a educação e o aprendizado. À medida que aprendemos e adquirimos novos conhecimentos, passamos de um estado de ignorância (a caverna) para um estado de iluminação (o mundo exterior).

Mídia e Informação: A mídia e a informação que consumimos podem ser comparadas às sombras na parede da caverna. Muitas vezes, somos apresentados a uma versão distorcida ou incompleta da realidade. É importante questionar e buscar a verdade além das sombras.

Mudança e Crescimento Pessoal: O prisioneiro que é libertado da caverna passa por uma jornada de mudança e crescimento pessoal. Isso pode ser visto como uma metáfora para nossa própria jornada de autodescoberta e desenvolvimento pessoal.

Questionamento e Pensamento Crítico: O “Mito da Caverna” nos encoraja a questionar nossas suposições e a buscar a verdade. Isso é relevante em todas as áreas da vida, desde tomar decisões informadas até desenvolver uma compreensão mais profunda do mundo ao nosso redor.

Portanto, embora o “Mito da Caverna” seja uma antiga alegoria filosófica, seus conceitos ainda são muito relevantes e aplicáveis à nossa vida cotidiana.

Só me resta acrescentar que “A REPÚBLICA” de Platão é um excelente exercício de filosofia e uma aula de política, na busca de um Estado democrático mais justo e menos corrupto.

VALE A PENA.

Boa Leitura.

NH, 19/05.2024. – Tentando sair da tragédia climática.

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