MEU LIVRO DA SEMANA - 90
- Carlos A. Buckmann
- 12 de mai. de 2024
- 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 90
A MENTE DE ADOLF HITLER – (Walter C. Langer)
Em meio ao caos em que estamos vivendo no Rio Grande do Sul, procuro manter minha rotina dentro da maior normalidade que me é possível, cumprindo meus compromissos assumidos: Entre eles, essa publicação dominical.
Então, vamos lá.
Começo a análise literária de hoje, avisando que esse não é nenhum romance, mas sim um documentário histórico, destinado àqueles leitores que querem entender ou se aprofundar no conhecimento político e da política como um todo, inclusive a internacional. Esse livro/documento, é um relato histórico para que tenhamos oportunidade de comparar os fatos aqui narrados com o contexto atual e, de forma isenta, constatar as tentativas de repetir a história que se replicam mundo afora.
Walter Charles Langer (5 de fevereiro de 1899 - 4 de julho de 1981) foi um psicanalista americano que estudou a matéria na Universidade de Harvard, onde também trabalhou como professor após concluir sua formação. Ele preparou uma análise psicológica detalhada de Adolf Hitler em 1943. Langer previu com sucesso que Hitler se suicidaria como o “resultado mais plausível”, bem como a possibilidade de um golpe militar contra Hitler bem antes da tentativa de assassinato que Hitler sofreu em 1944.
Agora, vamos para a obra “A Mente de Adolf Hitler”: Este livro é uma biografia psicológica única de Adolf Hitler, construída a partir de entrevistas com pessoas que conviveram com o líder nazista. O livro, ou melhor, o relatório que deu origem ao livro, foi escrito durante a Segunda Guerra Mundial, enquanto o conflito ainda estava em curso.
Walter C. Langer foi contratado pelo Escritório de Serviços Estratégicos (OSS) dos Estados Unidos em 1943 para preparar uma análise psicológica de Adolf Hitler. A ideia surgiu durante a Segunda Guerra Mundial, quando o general William Donovan, então chefe do OSS (órgão de inteligência anterior à CIA), procurou pessoalmente Langer. Donovan acreditava na psicologia como ferramenta de informação de guerra e viu em Langer, que era um psicanalista proeminente na Universidade de Harvard e tinha estudado com Freud em 1930, a pessoa ideal para essa tarefa.
O irmão de Langer, o falecido historiador diplomático de Harvard, Dr. William L. Langer, que era um alto funcionário do OSS e posteriormente da CIA, apresentou Walter ao Diretor do OSS, William Donovan. Foi Donovan quem se convenceu da necessidade de perfis psicanalíticos de líderes inimigos durante a guerra.
Walter C. Langer conduziu sua pesquisa sobre Adolf Hitler de maneira meticulosa e abrangente. Ele utilizou várias fontes escritas e entrevistou todas as pessoas que pôde encontrar que haviam conhecido Hitler pessoalmente. Langer e seus colegas entrevistaram pessoas que conheciam Hitler pessoalmente e reuniram mais de 1000 páginas de pesquisa a partir de um documento conhecido como "The Hitler Source Book". Na realidade, Langer acumulou mais de 11.000 páginas de dados para fazer seu relatório. Ele trabalhou em colaboração com três outros psicólogos - Professor Henry A. Murray, Dr. Ernst Kris e Dr. Bertram D. Lewin.
O objetivo principal do estudo era antecipar as ações de Hitler e dos alemães após a derrota, pois os aliados já pressentiam que ganhariam a guerra e a vitória era uma questão de tempo. Langer foi encarregado de prever como Hitler reagiria sob intensa pressão. Suas previsões se mostraram muito precisas, e o comando aliado considerou o estudo uma valiosa fonte de informação estratégica.
O estudo sobre a mente de Hitler está dividido em seis partes: “Como ele acredita ser”, “Como o povo alemão o conhece”, “Como seus colaboradores o conhecem”, “Como ele se conhece”, “Análise e reconstrução psicológica” e "Seu provável comportamento no futuro". Langer previu que Hitler se isolaria, até o suicídio, à medida que os fracassos nazistas se tornassem evidentes; também, que se afastaria dos generais mais profissionais e inteligentes, capazes de confrontá-lo, para manter intactos seu poder e as próprias ilusões de onipotência.
Destacando:
“Como ele acredita ser”:
“Em 1936, na reocupação da Renânia. Hitler fez uso de uma surpreendente figura de linguagem ao descrever a própria conduta . Ele afirmou: - ‘Sigo meu caminho com a precisão e a segurança de um sonâmbulo’”. (página 21)
- “Com o passar do tempo, fica cada vez mais evidente que Hitler acredita que é realmente o ‘Escolhido’ e que, em seu pensamento, concebe-se como o segundo Cristo, que foi enviado para instituir no mundo um novo sistema de valores baseado em brutalidade e violência. Ele se apaixonou pela imagem de si mesmo nesse papel e se cercou com seus próprios retratos,” (Página 30)
“Como o povo alemão o conhece”
Edgar Mowrer, que o via pela primeira vez, perguntou-se:
“O terrível rebelde era esse dândi provinciano, com seu cabelo escuro ensebado, sua casaca, seus gestos estranhos e sua língua solta? Ele pareceu para todos um caixeiro-viajante de uma firma de roupas.” (página 38)
“Como seus colaboradores o conhecem.”
Rauschning, relata:
“Hitler não sabe trabalhar regularmente. De fato, ele é incapaz de trabalhar.” (página 68)
“Fúria e insultos tornaram-se as armas favoritas de seu arsenal.” (página 74)
“Como ele se conhece”
“A grande diferença entre Hitler e milhares de outros psicopatas é que ele conseguiu convencer milhões de outras pessoas que a imagem fictícia é realmente ele.” (página 131)
“Análise e reconstrução psicológica”
“O mundo passou a conhecer Adolf Hitler por sua cobiça insaciável pelo poder, sua brutalidade, sua crueldade, sua total falta de sentimentos, seu desprezo pelas instituições estabelecidas e sua falta de contenções morais.” (página 139).
“Seu provável comportamento no futuro”
“Hitler pode se suicidar (...)”
“Hitler já imaginou uma morte desse tipo, pois disse a Rauschning: ‘Sim, na hora do perigo supremo, devo me sacrificar pelo povo’. Do nosso ponto de vista, isso seria extremamente indesejável, porque, se feito com inteligência, fixaria a lenda de Hitler tão vigorosamente na mente do povo alemão que poderia levar gerações para erradicá-la” (página 220).
Infelizmente, fatos atuais nos comprovam que isso se concretizou, não só na Alemanha, como no mundo todo e até entre nós.
Destaco aqui as principais conclusões do estudo da mente de Hitler, elaboradas por Walter C. Langer:
Isolamento e Suicídio de Hitler: Langer previu que Hitler se isolaria, até o suicídio, à medida que os fracassos nazistas se tornassem evidentes, conforme citei acima e que está descrito no último capítulo.
Afastamento de Generais Profissionais: Ele também previu que Hitler se afastaria dos generais mais profissionais e inteligentes, capazes de confrontá-lo, para manter intactos seu poder e as próprias ilusões de onipotência.
Possibilidade de Golpe e Atentado: Langer anteviu ainda a possibilidade de golpe e atentado por parte de militares alemães bem-preparados e menos ideológicos.
Compreensão da Mente de Hitler: O livro oferece uma visão única da mente de um dos homens mais malignos da história da humanidade.
Compreensão do Extremismo Político: Ao analisar o perfil psicológico de Hitler, Langer oferece insights valiosos sobre os mecanismos mentais por trás do comportamento de um ditador e os fatores que podem levar à ascensão do extremismo político.
É isso. Uma lição de história para quem quer entender um pouco mais de política.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 12/05/2024. - Com nosso Estado (RS) sob uma tragédia climática, nunca vista anteriormente.
# Fica a dica. Siga meu blog: https://linktr.ee/betobuckmann




Comentários