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MEU LIVRO DA SEMANA - 85

  • Carlos A. Buckmann
  • 7 de abr. de 2024
  • 6 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 85

A UTOPIA – (Tomás Morus)

Tomás Morus, também conhecido como Thomas More ou Thomas Morus, nasceu em Londres em 7 de fevereiro de 1478.  Foi escritor, diplomata, advogado e um dos grandes humanistas do Renascimento. Morus fez carreira como advogado e se tornou um profissional respeitado, ocupando vários cargos importantes, incluindo o de Chanceler da Inglaterra. Ele era muito apegado aos seus filhos e lhes deu uma educação avançada para a época, incluindo latim, grego, lógica, astronomia, medicina, matemática e teologia. Morus foi preso na Torre de Londres e condenado à morte pelo rei Henrique VIII por se recusar a reconhecer o divórcio do rei. Na manhã de 6 de julho de 1535, Morus foi decapitado em Londres.

Apesar de sua execução, Morus deixou um legado duradouro. Ele foi canonizado em 1935 pelo Papa Pio XI em reconhecimento à sua importância histórica e religiosa.

Morus foi um dos principais filósofos do século XVI e sua obra “Utopia” foi uma das obras mais influentes dessa época. A obra é essencialmente humanista renascentista e apresenta influências platônicas e agostinianas.

Morus defendeu a liberdade religiosa, criticou a corrupção e o individualismo da sociedade de sua época, e imaginou uma sociedade ideal. Em sua obra “Utopia”, ele descreveu essa sociedade organizada de acordo com a razão, onde a propriedade privada e a intolerância religiosa não existiam.

“A Utopia”  descreve uma república imaginária governada pela razão, com o objetivo de contrastar com a realidade cheia de conflitos da política europeia da época. A história se passa em uma ilha imaginária, onde os cidadãos gozam da eficiência do Estado. Foi publicada em 1516, quase três décadas após o descobrimento da América, para apontar a sociedade ideal.

A narrativa é contada pelo personagem principal, Rafael Hitlodeu, que descreve detalhadamente os aspectos culturais, religiosos e políticos da sociedade utópica. A ilha é formada por cinquenta e quatro cidades, e estas são organizadas em estruturas familiares comandadas pelo “filarca”, o homem mais velho da família.

“Utopia” foi publicada em um período de intensa transformação social, marcado pelas navegações, o colonialismo e o contato com culturas diferentes. Morus  usa o livro para criticar o rei Henrique VIII,  fazendo fortes críticas ao Exército e à glória concedida aos estadistas à custa do sangue dos súditos.

Thomas Morus aborda ainda vários temas importantes, muitos dos quais são considerados atuais até hoje. Explora a ideia de uma sociedade que valoriza a paz e evita a guerra, discute a organização econômica de uma sociedade ideal, onde o dinheiro e as riquezas materiais não têm valor,  fazendo críticas à corrupção movida  pelo dinheiro. Critica também  a ânsia pela conquista e a colonização, especialmente considerando que “Utopia” foi escrita apenas 24 anos após a descoberta da América.

A religião em Utopia retrata o ideal de tratamento entre os homens, diferindo do que ocorre na Europa da época, que ainda lança mão da colonização para impor a religião cristã.

A obra descreve uma sociedade organizada de forma distinta da sociedade em que Morus vivia, sem propriedade privada e sem intolerância religiosa, na qual a razão é o critério para estabelecer condutas sociais e não o autoritarismo do Rei ou da Igreja.

Além disso, a obra é estruturada em várias partes, cada uma abordando um aspecto específico da sociedade utópica:

  • As cidades da ilha, destacando-se Amaurota

  • Dos magistrados

  • Das artes, dos ofícios e ocupações

  • Da vida e das mútuas relações entre os cidadãos

  • Das viagens dos Utopianos

  • Dos escravos

  • Da guerra

  • Das religiões da Utopia

 “Utopia” apresentou uma nova forma de pensar sobre a organização política e social,  como já descrevi acima,  uma sociedade sem propriedade privada e sem intolerância religiosa, onde a razão é o critério para estabelecer condutas sociais e não o autoritarismo do Rei ou da Igreja.

Morus não foi o criador do pensamento político utópico, mas foi o teórico que fez circular o ideal utópico em sua corrente mais influente. Ele foi quem criou a palavra ‘Utopia’, que significa um lugar que não existe na realidade. Hoje usamos a palavra para a busca de uma realidade distante e talvez inalcançável.

 A obra “Utopia” tornou-se tão célebre que o termo foi considerado uma espécie de gênero de escrita caracterizado por conter como principal tema uma organização política e/ou social ideais, geralmente em contraponto a uma organização política e/ou social atuais.

Inicialmente, a utopia era vista como uma sociedade perfeita e idealizada, um lugar que não existia no mundo físico. No entanto, com o tempo, o conceito de utopia começou a ser visto não apenas como um ideal inatingível, mas também como uma fonte de inspiração para a melhoria contínua da sociedade.

O filósofo Michael Foucault, por exemplo, propôs a utopia como um conceito físico, de significado imaginário. Segundo ele, a utopia seria um ideal de sociedade futura, uma ideia irreal que se sustenta por meio de um pensamento real.

Ao longo da história, várias “utopias” foram propostas, cada uma refletindo as aspirações e os desafios de sua época. Por exemplo, a utopia de Platão reflete o conceito na antiguidade, onde a sociedade seria dividida em três diferentes classes, com atribuições esquematizadas de acordo com suas habilidades.

No entanto, é importante notar que a busca pela utopia pode levar a regimes autoritários e opressivos, como foi o caso da União Soviética. Por isso, a reflexão sobre a utopia nos leva a questionar nossos valores e objetivos como indivíduos e como sociedade.

Em resumo, o conceito de utopia evoluiu de uma sociedade ideal inatingível para uma fonte de inspiração para a melhoria contínua da sociedade. Relembro aqui o que escreveu Eduardo Galeano, o imortal escritor de  AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, em outra magistral obra, PALAVRAS ANDARILHAS:


"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." 


Embora a utopia seja inalcançável, a busca pela perfeição pode nos levar a avanços significativos em várias áreas, como ciência, tecnologia e artes e no que pudermos evoluir.

Voltando a Thomas Morus:

Morus é considerado uma das figuras mais importantes do humanismo renascentista.  Ele era amigo de Erasmo de Roterdã, um dos mais proeminentes humanistas europeus, (do qual eu publiquei há algumas semanas atrás O ELOGIO DA LOUCURA), e sua obra reflete os ideais humanistas de racionalidade, ética e justiça.

Pontos que eu gostaria de aqui ressaltar:

1.   Influência na Literatura e Filosofia: “Utopia” teve uma grande influência na literatura e filosofia, sendo considerada uma das obras mais importantes do Renascimento. Ela inspirou outros autores a criarem suas próprias utopias, como é o caso de Francis Bacon.

2.   Criação do Conceito de Utopia: A obra de Morus deu origem ao conceito de utopia, que guia a filosofia de vida e a atuação política de muitas pessoas até hoje.

3.   Crítica Social: “Utopia” é uma obra que, apesar de ter sido pensada no mundo do período renascentista, apresenta questões bem atuais, anseios de acomodação e resolução de problemas que ainda hoje são vividos pelas sociedades da América Latina, África, Ásia e Terceiro Mundo em geral.

4.   Transcendência de sua Época: “Utopia” se tornou uma obra que transcendeu sua época e repercutiu o anúncio de um novo ordenamento social que ecoou no alvorecer da era moderna.

5.   Reflexão sobre a Sociedade: A obra de Morus nos faz refletir sobre a importância da igualdade social, da educação e da liberdade de pensamento em uma sociedade justa. Além disso, ela nos mostra que é possível construir um mundo melhor, desde que haja vontade política e engajamento social para isso.

E, só para complementar:  o que é a DISTOPIA?

A utopia e a distopia são conceitos que estão intimamente relacionados, embora sejam opostos em sua essência.

Uma rápida observação que vale ser anotada: A distopia, também conhecida como antiutopia, é a antítese da utopia. Ela apresenta uma visão negativa do futuro, sendo geralmente caracterizada pelo totalitarismo, autoritarismo e pelo opressivo controle da sociedade. Nas distopias, a realidade para um mundo melhor não é possível, pelo contrário, as características negativas da realidade são reforçadas. Temos obras de distopia que se tornaram clássicos: “1984” de GEROGE ORWELL;  “ADMIRÁVEL MUNDO NOVO” de Aldous Huxley entre outros.

Portanto, enquanto a utopia representa um ideal de perfeição, a distopia representa um cenário de desesperança e opressão. Ambos os conceitos são usados para explorar ideias sobre a sociedade, a política e a natureza humana.

Mas, voltando ao livro,

VALE A PENA.

Boa Leitura

NH, 07/04/2024.

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