MEU LIVRO DA SEMANA - 84
- Carlos A. Buckmann
- 31 de mar. de 2024
- 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 84
Albert Camus: Biografia
Comecemos então por algumas notas biográficas do autor: Albert Camus nasceu em 7 de novembro de 1913 em Mondovi, na Argélia, e morreu em 4 de janeiro de 1960, perto de Sens, na França. Ele era um romancista, ensaísta e dramaturgo francês, mais conhecido por romances como L’Étranger (1942; O Estrangeiro), La Peste (1947; A Peste), e La Chute (1956; A Queda) e por seu trabalho em causas de esquerda. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1957.
Camus cresceu em um bairro de classe trabalhadora de Argel, onde viveu com sua mãe, a avó materna e um tio paralisado, em um apartamento de dois quartos.
Camus é conhecido por escrever livros que avançaram o conceito filosófico do existencialismo, que enfatiza a liberdade individual, a escolha e a responsabilidade, a busca por significado e propósito, em um mundo aparentemente sem sentido e absurdo. No entanto, Camus preferia não ser chamado de filósofo, tendo rejeitado firmemente o termo durante toda a sua vida.
O Mito de Sísifo:
“O Mito de Sísifo” é um ensaio filosófico de Camus, publicado em francês em 1942. A preocupação central de “O Mito de Sísifo” é o que Camus chama de “o absurdo”, onde afirma que existe um conflito fundamental entre o que queremos do universo (seja significado, ordem ou razões) e o que encontramos na realidade do universo (caos sem forma).
Camus argumenta que a vida é essencialmente sem sentido, embora os humanos continuem tentando impor ordem na existência e procurar respostas para perguntas incontestáveis. Ele usa a lenda grega de Sísifo, que foi condenado pelos deuses a repetir para sempre a mesma tarefa sem sentido de empurrar uma pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta assim que chega ao topo, como uma metáfora para a luta persistente do indivíduo contra a essencial absurdidade da vida.
Para quem não conhece, vai aqui um pequeno resumo da lenda grega:
Sísifo é uma figura notável na mitologia grega, conhecido por sua astúcia e por desafiar os deuses. Era um rei astuto e enganador que desafiava a ordem natural imposta pelos deuses.
Sísifo era o fundador e primeiro rei de Ephyra (hoje conhecida como Corinto). Ele era um tirano astuto que matava visitantes para exibir seu poder. Essa violação da sagrada tradição de hospitalidade enfureceu os deuses.
A lenda de Sísifo gira em torno de sua natureza astuta e sua desobediência aos deuses, sendo famoso por seu papel em enganar a morte e na sua busca incansável pelo egocentrismo, o que acabou levando à sua punição eterna.
Sísifo foi condenado pelos deuses a repetir para sempre a mesma tarefa sem sentido de empurrar uma pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta assim que chega ao topo. Essa punição foi dada a ele por sua trapaça e por enganar a morte duas vezes.
Não podemos esquecer nessa lenda, o personagem de Autolycus, uma figura também notável, conhecido por sua astúcia e por também desafiar os deuses. Ele era um ladrão bem-sucedido que tinha o poder de metamorfosear ou tornar invisíveis as coisas que ele roubava, incluindo o rebanho de Sísifo, alterando com seu poder, as cores do gado roubado.
Autolycus é também conhecido por ser o avô materno, através de sua filha Anticleia, do herói Odysseus.
Em uma tentativa de pegar Autolycus em flagrante, Sísifo marcou secretamente o interior dos cascos de seu gado. A descoberta posterior de sua marca nas vacas do rebanho de Autolycus provou que seu vizinho era um ladrão.
Sísifo não se contentou apenas em provar que Autolycus era um ladrão e recuperar seu gado. Buscando vingança, ele seduziu Anticleia, a filha de Autolycus e mais tarde a mãe de Odisseu.
Portanto, a lenda de Sísifo é uma história de astúcia, desafio aos deuses e a busca incessante pelo auto interesse, que finalmente leva à sua punição eterna de realizar uma tarefa sem sentido para sempre.
Essa lenda deu base a Camus para escrever essa obra, trazendo o absurdo para a narrativa do mundo real.
Os personagens principais do ensaio de Camus são: 1. Sísifo, 2. Don Juan, 3. um ator, 4. um conquistador e 5. um artista. Cada um desses personagens representa um aspecto da vida absurda: o sedutor, que persegue as paixões do momento; o ator, que comprime as paixões de centenas de vidas em uma carreira no palco; o conquistador, ou rebelde, cuja luta política concentra suas energias; e o artista, que cria mundos inteiros.
“O Mito de Sísifo” foi escrito durante os dias mais sombrios da Segunda Guerra Mundial. A experiência da Segunda Guerra Mundial levou muitos outros intelectuais a conclusões semelhantes. Diante dos horrores do regime nazista de Hitler e do massacre sem precedentes da guerra, muitos não podiam mais aceitar que a existência humana tivesse algum propósito ou significado discernível.
“O Mito de Sísifo” é uma obra crucial que expõe o pensamento existencialista, que enfatiza a liberdade individual, a escolha e a responsabilidade, e a busca por significado e propósito em um mundo aparentemente sem sentido e absurdo pelas consequências da guerra.
O absurdo surge da contraposição entre a necessidade humana fundamental de atribuir significado à vida e o “silêncio irracional” do universo em resposta.
Os diversos capítulos do livro, vão expondo os absurdos existencialistas ao que o ser humano é levado no dia a dia:
O ABSURDO E O SUICÍDIO:
- “O que se denomina razão de viver é ao mesmo tempo uma excelente razão para morrer”
- “Nesta corrida que todo dia nos precipita um pouco mais em direção à morte, o corpo mantém uma dianteira irrecuperável.”
OS MUROS DO ABSURDO:
- “Os grandes sentimentos levam consigo o seu universo, esplêndido ou miserável.”
O SUICÍDO FILOSÓFICO:
- “Existe um fato evidente que parece absolutamente moral: um homem é sempre vítima de suas verdades. Uma vez que as reconhece, não é capaz de se desfazer delas.”
A LIBERDADE ABSURDA:
- “(...) tudo o que há de irredutível e apaixonado num coração humano, lhes insufla ânimo e vida.”
- “Não me interessa saber se o homem é livre. Só posso experimentar minha própria liberdade.”
A lenda de Sísifo, que foi condenado a repetir para sempre a mesma tarefa sem sentido de empurrar uma pedra montanha acima, apenas para vê-la rolar de volta assim que chega ao topo, é usada por Camus como uma metáfora para a luta persistente do indivíduo contra a essencial absurdidade da vida: O NOSSO COTIDIANO.
Portanto, a relação entre o mito de Sísifo e a filosofia existencialista reside na maneira como Camus usa a história de Sísifo para ilustrar e explorar temas existencialistas fundamentais, como a busca por significado, a natureza absurda da vida e a necessidade de revolta ou resistência diante do absurdo.
Eis um livro para ler e refletir.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 31/03/2024 (Data de 60 anos do golpe militar de 31/03/1964, que entre 434 mortos e desaparecidos levou alguns amigos meus). DITADURA NUNCA MAIS.
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