MEU LIVRO DA SEMANA - 82
- Carlos A. Buckmann
- 17 de mar. de 2024
- 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA - 82
A HERMENÊUTICA DO SUJEITO (Michel Foucault)
Como de costume, começamos por uma breve biografia do autor: - Paul-Michel Foucault (1926-1984) foi um filósofo francês de grande influência sobre os intelectuais contemporâneos. Suas teorias abordam a relação entre poder e conhecimento, (aqui se nota a influência de Francis Bacon) explorando como esses elementos são usados para controle social através das instituições.
Foucault nasceu em Poitiers, França, em 15 de outubro de 1926. Estudou na Sorbonne, onde se formou em filosofia e psicologia. Ele se destacou por sua posição contrária ao sistema prisional tradicional e criticou a psiquiatria e a psicanálise. Além disso, Foucault foi um ativista envolvido em campanhas contra o racismo e pelos direitos humanos.
Suas teorias influenciaram acadêmicos em estudos de sociologia, teoria literária, teoria crítica e comunicação, sendo conhecido por obras como “História da Loucura na Era Clássica” e “Vigiar e Punir” .
Michel Foucault desafiou convenções, questionou estruturas de poder e deixou um legado relevante para a compreensão do sujeito e do conhecimento na sociedade.
A HERMENÊUTICA DO SUJEITO, é a transcrição do curso ministrado por FOUCAULT, em 1982, em doze horas aulas, sendo em doze semanas consecutivas (uma aula por semana). Cada aula se concentrava em um texto específico, como o “Alcibíades” de Platão ou escritos de filósofos helenísticos. Foucault explorava os conceitos-chave desses textos, destacando ideias sobre ética, virtude e cuidado de si, dividindo seu trabalho em três momentos:
Socrático-Platônico: Analisa o “Alcibíades” de Platão.
Helenístico: Baseado em escritos de Sêneca, Marco Aurélio e outros estoicos, epicuristas e cínicos.
Transição do Ascetismo Pagão para o Ascetismo Cristão.
Foucault investiga como o sujeito se constrói através de “exercícios espirituais”, afastando-se do discurso que o liga a uma natureza pré-estabelecida..
Quando aborda “Alcibíades”, Foucault discute o templo de Apolo, também conhecido como ORÁCULO DE DELFOS. Como ele apenas menciona esse local, vou abrir um parêntese para explorar essa referência:
Localização:
O templo de Apolo está situado em Delfos, uma cidade antiga na Grécia que fica no sopé do monte Parnaso, perto do Golfo de Corinto.
1. Estrutura:
É um dórico períptero (com colunas em todo o perímetro) construído em mármore.
Possui 6 colunas na fachada frontal e 15 colunas abrangendo as laterais e fundos.
2. Particularidades:
O templo era dedicado ao deus Apolo, o deus da beleza, profecia, música, poesia e luz.
No interior do templo, havia uma sala chamada adyton, onde a pitonisa (sacerdotisa) fazia suas profecias.
O Oráculo de Delfos era famoso por suas respostas enigmáticas e proféticas..
3. Contexto Histórico:
O templo foi construído por volta do século VI a.C. e era um importante centro religioso e cultural na Grécia Antiga.
As pessoas vinham de toda a Grécia para consultar o oráculo e buscar orientação divina.
Em resumo, o templo de Apolo em Delfos era um local sagrado, associado à profecia e à busca por conhecimento divino. Suas colunas majestosas e sua localização pitoresca no sopé do monte Parnaso o tornavam um marco significativo na Grécia Antiga.
Aqui fecho o parêntese e volto ao livro, abordando os três momentos narrados por Foucault:
1. Socrático-Platônico:
Nesse momento, analisa o diálogo “Alcibíades” de Platão.
O foco está na relação entre Sócrates e Alcibíades.
Sócrates questiona Alcibíades sobre o autoconhecimento e a busca pela sabedoria.
Essa análise explora a ideia de que o cuidado de si envolve a reflexão sobre a alma e a busca por uma vida virtuosa e saudável.
2. Helenístico:
Nesse momento, se baseia em escritos de filósofos como Sêneca, Marco Aurélio e outros estoicos, epicuristas e cínicos.
Ele examina práticas de autocuidado e exercícios espirituais.
Esses escritos enfatizam a importância da introspecção, da atenção ao presente e da aceitação das circunstâncias.
3. Transição do Ascetismo Pagão para o Ascetismo Cristão:
Aqui, investiga a mudança do ascetismo pagão para o ascetismo cristão.
Ele explora como as práticas de jejum, oração e autocontrole evoluíram.
Foucault destaca a influência do cristianismo na formação das práticas de cuidado de si.
Em resumo, “A Hermenêutica do Sujeito” examina diferentes abordagens filosóficas e práticas de autocuidado ao longo da história, destacando a importância da reflexão, da virtude e da espiritualidade e no caso do conceito helenístico, o cuidado com o próprio corpo.
Apenas como informação complementar, utilizando a teoria dessa obra, desenvolvi com toda a minha equipe de trabalho, durante mais de um mês em nossas reuniões semanais das segundas-feiras, uma série de exercícios do cuidado de si, em que, a cada semana, um colaborador apresentava sua necessidade do cuidado de si para todo o grupo. Foi um trabalho maravilhoso, que além de agregar mais o nosso grupo, desenvolveu a necessidade do cuidado de si, muitas vezes relevado a segundo plano pela azáfama do trabalho diário.
Enfim, a obra é um clássico da filosofia foucaulandica (não sei se este termo existe, mas fica assim mesmo dito) que com certeza agrada aos que gostam de estudar filosofia, para aprender a filosofar.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 17/03/2024.
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