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MEU LIVRO DA SEMANA - 81

  • Carlos A. Buckmann
  • 10 de mar. de 2024
  • 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 81

Um de meus maiores prazeres é divulgar a rica biografia de Paulo Freire (1921-1997). Educador brasileiro, criador de um método inovador para alfabetização de adultos,  nasceu no Recife, Pernambuco, em 19 de setembro de 1921. Freire iniciou sua carreira como professor de Língua Portuguesa e, posteriormente, tornou-se diretor do Departamento de Educação e Cultura do Serviço Social de Pernambuco. Em 1955, junto com outros educadores, fundou o Instituto Capibaribe, uma escola inovadora no Recife.

Paulo Freire foi preso e exilado após o golpe militar de 1964 no Brasil.  Passou 72 dias na prisão e, quando solto, foi forçado ao exílio.

Freire primeiro se exilou na Bolívia, mas após um golpe de estado naquele país,  mudou-se para o Chile, onde trabalhou por cinco anos no Instituto de Capacitação e Investigação em Reforma Agrária (ICIRA) e escreveu sua obra mais célebre, "Pedagogia do Oprimido", que em outro momento pretendo comentar.

De 1969 a 1970, Freire foi professor convidado da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Em 1970, quando publicou o livro escrito no Chile, tornou-se professor da Universidade de Genebra, na Suíça.

Entre 1975 e 1979, Freire fundou, com outros exilados, o Instituto de Ação Cultural (IDAC), para serviços educativos a países terceiro-mundistas. Ele também liderou programas de educação e alfabetização em Guiné-Bissau, Cabo Verde, Angola e São Tomé e Príncipe, na África.

Paulo Freire retornou ao Brasil apenas em 1980. Foi Secretário de Educação de São Paulo durante o  governo da prefeita Luiza Erundina.

Freire refletiu sobre sua experiência no exílio, considerando-o profundamente pedagógico, afirmando que:

“Quando exilado, tomei distância do Brasil, comecei a compreender-me e a compreendê-lo melhor.”

 

O pensamento de Paulo Freire foi influenciado por várias correntes filosóficas e se pauta pela busca da independência crítica do homem, pela sua libertação. Ele foi herdeiro do Idealismo Hegeliano, do Marxismo e do Personalismo de Mounier, o que vamos ver na síntese desse  livro:

“A Importância do Ato de Ler” é uma obra que aborda a relevância da leitura não apenas como um processo de decodificação de palavras, mas como uma prática que engloba a compreensão crítica da realidade social e a transformação do mundo. Freire defende que o ato de ler vai além da simples aquisição de conhecimento, sendo fundamental para o desenvolvimento da consciência crítica e da emancipação dos indivíduos, como seres políticos e integrados, queiram ou não, na política.


       “Cada um de nós é um ser no mundo, com o mundo e com os outros.”


A obra foi publicada originalmente em 1981 e relata os aspectos da biblioteca popular e a relação com a alfabetização de adultos desenvolvida na República Democrática de São Tomé e Príncipe.

O livro não apresenta personagens no sentido tradicional, pois é uma obra de caráter pedagógico e filosófico. O “personagem” principal é o próprio leitor, que é convidado a refletir sobre a importância do ato de ler e a compreender a leitura como um instrumento de libertação e transformação social.


“Do ponto de vista de uma tal visão da educação, é da intimidade das consciências , movidas pela bondade dos corações, que o mundo se refaz. E, já que a educação modela as almas e recria corações, ela é a alavanca das mudanças sociais.”


A obra é composta por três artigos que se complementam. Cada artigo aborda diferentes aspectos da leitura, desde a sua importância na formação da consciência crítica até a sua relação com a alfabetização de adultos.


“Agora já não é possível texto sem contexto.”

 

“Esse movimento dinâmico é um dos aspectos centrais do processo de alfabetização que deveriam vir do universo vocabular dos grupos populares, expressando sua real linguagem carregadas da significação de sua experiência existencial e não da experiência do educador”

(...)

“O ato de ler implica na percepção crítica, interpretação e da “re-escrita” do lido.”


A obra foi escrita em um contexto de grande efervescência política e social, marcado pela luta contra o analfabetismo e pela busca de uma educação mais justa e igualitária. Freire desenvolveu seu método de alfabetização em um período de intensas transformações sociais e políticas, tanto no Brasil quanto em outros países onde trabalhou.

“O Brasil foi “inventado” de cima para baixo, autoritariamente. Precisamos reinventá-lo em outros tempos.”

Para essa reinvenção, a tomada de consciência do eterno pensamento socrático:

“Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. – Por isso, aprendemos sempre.

Enfim, se você como eu, é um apaixonado por livros, depois de ler e reler e reler, até entender  A IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER, vai poder compreender o porque de Paulo Freire ser tão odiado pelos analfabetos funcionais que se tornam (mau) influenciadores de mídias sociais.

VALE A PENA.

Boa leitura.

NH, 10/03/2024.

#Fica a dica. Siga meu Blog: https://linktr.ee/betobuckmann

 

 
 
 

1 comentário


Paulo Galvao
Paulo Galvao
11 de mar. de 2024

Beto, que delicia ler seus textos. Claros, leves, objetivos e pertinentes. Abraço

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