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MEU LIVRO DA SEMANA -80

  • Carlos A. Buckmann
  • 3 de mar. de 2024
  • 5 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 80

O 18 Brumário de Luís Bonaparte ( Karl Marx)

Karl Marx (1818–1883) foi um filósofo e revolucionário socialista alemão. Lamentavelmente ele é erroneamente apenas conhecido por criar as bases da doutrina comunista, na qual criticou o capitalismo, sendo que, na realidade, foi um grande filósofo, escritor e estudioso de economia. Marx nasceu em Trier, Renânia, província ao sul da Prússia, no dia 5 de maio de 1818. Seu pai, Herschel Marx, era advogado e conselheiro da justiça.

Entre 1830 e 1835, Marx foi aluno do Liceu Friedrich Wilhelm. Em outubro de 1835, ingressou na Universidade de Bonn onde frequentou o curso de humanidades. Em outubro de 1836, Marx se transferiu para a Universidade de Berlim para estudar Direito e Filosofia. Em 1841, obteve o título de doutor em Filosofia com a tese: “Diferenças entre os sistemas filosóficos de Demócrito e de Epicuro". Após a recusa da universidade em aceitá-lo como professor, Marx passou a escrever artigos para os Anais Alemães, mais precisamente “Anais Franco-Alemães” (Deutsch-Französische Jahrbücher em alemão) era uma revista publicada em Paris por Karl Marx e Arnold Ruge. Esta revista foi criada como reação à censura do governo prussiano à Gazeta Renana.

Então aqui vamos abrir um parêntese:

Marx publicou nessa revista seu ensaio “Sobre a Questão Judaica” e a "Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel"1. No entanto, a revista teve apenas uma edição, dupla, em fevereiro de 1844, e foi extinta em razão de divergências entre Marx e Ruge.

O termo “Anais”, do latim “annales”, de “annus”, que significa “ano”, são tradicionalmente uma forma concisa de registro da história de um povo ou instituição, originalmente organizada ano a ano. O termo passou a designar, por derivação, qualquer publicação científica ou artística de frequência regular ou periódica, ou obra que registre memórias ou fatos pessoais..

E fechemos o parêntese.

As ideias de Marx foram implantadas pela primeira vez na Rússia monarquista e agrária, em 1917, pela Revolução Bolchevista, liderada por Lenin. Daí a associação de nome de Marx ao comunismo.

Marx faleceu em Londres, no dia 14 de março de 1883.

Mas vamos então abordar “O 18 Brumário de Luís Bonaparte” , uma obra de Karl Marx que analisa o golpe de estado de 2 de dezembro de 1851, por meio do qual Luís Bonaparte, então presidente da República Francesa, instaurou o Segundo Império na França. Marx desenvolve as teses fundamentais do materialismo histórico: a teoria da luta de classes e da revolução proletária, a doutrina do Estado e o conceito de ditadura do proletariado.

Marx inicia o texto lembrando que Hegel afirma que:

 "Todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem como que duas vezes. Mas ele esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia e a outra como farsa".

 Ele relaciona o golpe de Estado do General Napoleão Bonaparte, que derrubou o Diretório, em 9 de novembro de 1799 (ou seja, em 18 de brumário, Ano VIII da Revolução Francesa) com o golpe perpetrado por seu sobrinho, que ele chama "a segunda edição do 18 de brumário".

Pois é, na escola (pelo menos na minha) não me ensinaram que na França existiram dois Bonaparte(s). E esse sobrinho se deu o título de Napoleão III.

O pensamento de Marx sobre esse segundo 18 Brumário, pode ser sintetizado nessa frase:


 "A república parlamentar, na sua luta contra a revolução, viu-se obrigada a fortalecer, juntamente com as medidas repressivas, os meios e a centralização do poder do governo. Todas as revoluções aperfeiçoavam esta máquina, em vez de a destruir".

 

 A obra foi escrita entre dezembro de 1851 e março de 1852, um período de intensa atividade revolucionária na França. O golpe de estado de Luís Bonaparte ocorreu no contexto dos acontecimentos revolucionários na França, entre 1848 e 1851, que levaram ao golpe de estado após o qual Luís Bonaparte nomeou-se imperador, com o nome de Napoleão III, emulando seu tio, Napoleão I.

Dentro do contexto temporal, desde 1789 a Luís Bonaparte a Revolução Francesa, iniciada em 1789, foi um movimento impulsionado pela burguesia e contou com a participação dos camponeses e das classes urbanas que viviam na miséria. (Se quiser contextualizar esse tempo, leia “Os Miseráveis “ de Victor Hugo). Em 1799, Napoleão Bonaparte deu um golpe de Estado, derrubando o Diretório e tornando-se cônsul da França. Em 1851, Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, deu um golpe de Estado, instaurando o Segundo Império na França.

Então, é disso que se trata: “O 18 Brumário” de Karl Marx é uma análise do golpe de estado dado por Luís Bonaparte, sobrinho de Napoleão Bonaparte, que instaurou o Segundo Império na França. No entanto, o termo “18 Brumário” tem suas raízes na Revolução Francesa. (Brumário era o segundo mês do calendário republicano da Revolução Francesa, correspondendo mais ou menos ao nosso outubro).

Napoleão Bonaparte consolidou seu poder e lançou as bases para sua subsequente ascensão a imperador dos franceses em 1804. Durante seu governo, ele implementou várias reformas, como a promulgação do Código Civil e a criação do Banco da França.

Portanto, a relação entre o “18 Brumário” e a Revolução Francesa é que ambos são eventos significativos na história política da França, marcados por golpes de estado que levaram ao estabelecimento de novos regimes. Além disso, o termo “18 Brumário” usado por Marx é uma referência direta ao golpe de Napoleão Bonaparte durante a Revolução Francesa.


Karl Marx fez várias críticas ao Segundo Império francês em sua obra:


1.   Concentração de poder: Marx criticou a concentração de poder nas mãos de Luís Bonaparte, que instaurou uma ditadura na França.

2.   Exploração dos trabalhadores: Marx argumentou que os trabalhadores não recebiam o valor justo pelo seu trabalho e eram obrigados a vender sua força de trabalho para sobreviver.

3.   Aumento da desigualdade social: Marx criticou a acumulação típica do capitalismo, que criava um abismo entre as classes sociais cada vez maior.

4.   Restrição das liberdades civis: O governo de Luís Bonaparte assumiu características autoritárias ao centralizar o poder, reprimir a oposição e limitar as liberdades civis.

5.   Falta de representação da classe trabalhadora: Marx criticou a falta de representação da classe trabalhadora no governo de Luís Bonaparte.


Então vale aqui repetir o que escreveu Hegel e que Marx cita no início da obra:


"Todos os grandes fatos e personagens da história universal aparecem como que duas vezes. Mas ele esqueceu-se de acrescentar: uma vez como tragédia e a outra como farsa".


A história se repete (lá como cá) e nos deixa lições. Ou a gente aprende com a história, ou tornamos a cometer os mesmos erros. Isso se chama BURRICE.

Se você quer entender um pouco de política, eis um bom livro.

VALE A PENA.

Boa leitura.

NH, 02/03/2024.

# Fica a dica. Siga meu Blog: https://linktr.ee/betobuckmann

 

 

 

 
 
 

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