MEU LIVRO DA SEMANA - 79
- Carlos A. Buckmann
- 25 de fev. de 2024
- 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 79
O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA (Gabriel Garcia Márquez)
Como de costume, comecemos pela biografia do autor: Gabriel García Márquez (1927-2014) foi um escritor colombiano, autor também do clássico livro “Cem Anos de Solidão” publicado em 1967, e que já comentei aqui há algum tempo atrás. Recebeu o Prêmio Nobel de Literatura, em 1982, pelo conjunto da obra. Nasceu em Aracataca, Colômbia, no dia 6 de março de 1927. García Márquez começou sua carreira como jornalista e trabalhou em vários jornais na América Latina antes de publicar seus romances.
Conhecido por suas reflexões sobre a vida, o amor e a solidão, Garcia Márquez acreditava que a sabedoria vem quando não nos serve mais e também valorizava as coisas não pelo que valem, mas pelo que significam.
Em “O Amor nos Tempos do Cólera” nos traz um romance que narra a história de Florentino Ariza, que espera mais de meio século para declarar seu amor a Fermina Daza, um amor para toda a vida, como só que já viveu um, pode descrever e sentir. O livro explora os temas de amor, paixão e perseverança em um ambiente marcado pelo cólera e mudanças sociais na América Latina.
O romance é ambientado no final do século XIX e início do século XX na Colômbia, terra natal de Garcia Marquez, refletindo as transformações sociais e políticas na América Latina durante esse período, incluindo a influência da epidemia do cólera e as mudanças na estrutura das classes sociais.
O cólera, uma doença intestinal grave, é uma metáfora para os desafios e obstáculos que os personagens enfrentam em suas vidas amorosas. A doença, assim como o amor, é retratada como algo que pode ser ao mesmo tempo destrutivo e transformador.
O livro narra as histórias de Florentino Ariza, um apaixonado e perseverante enamorado, e Fermina Daza, objeto do amor de Florentino, uma mulher de classe alta, e, ainda, como componente de um triângulo romântico, o Dr. Juvenal Urbino, o esposo de Fermina, e uma figura proeminente na sociedade local.
Narrada em terceira pessoa com poucos diálogos, a obra é dividida em capítulos sem títulos individuais.
Como já mencionei, Florentino Ariza, o personagem principal do livro é retratado como um homem apaixonado e perseverante, sendo sua história narrada ao longo de mais de meio século, desde a juventude até sua velhice.
Ariza é descrito como um homem simples na juventude e que ao longo da história, constrói sua própria vida, fazendo seu nome e criando sua fortuna, através de trabalho árduo e resiliente, que lhe permitiu um avanço social. Florentino se apaixona por Fermina Daza na juventude, quando começam a trocar cartas e juras de amor eterno. No entanto, o pai de Fermina considera Florentino indigno para sua filha, e o amor entre eles se torna proibido. Apesar disso, Florentino mantém seu amor por Fermina ao longo de sua vida, esperando a oportunidade de declarar esse amor novamente.
É importante notar que a descrição de Florentino Ariza é um retrato vívido da solidão do homem idoso, que se sente deslocado em um mundo que não entende mais. Além disso, a história de Florentino reflete as tensões sociais e culturais em uma sociedade em transformação, como é típico das narrativas de Garcia Márquez.
O livro, em sua primeira edição, foi publicado em 1985, durante um período de intensas mudanças políticas e sociais na América Latina. A história se passa durante uma epidemia de cólera e no meio de uma guerra civil colombiana.
Florentino começa sua carreira como telegrafista, descrito como um homem dedicado e trabalhador, que usa sua posição para manter contato com Fermina Daza, o amor de sua vida.
Economicamente, Florentino Ariza consegue construir uma fortuna considerável, tornando-se um aristocrata e administrador de frotas marítimas no litoral da Colômbia. Isso mostra sua habilidade para os negócios e sua determinação em melhorar sua posição social.
Apesar de seu sucesso profissional e econômico, Florentino nunca esquece seu amor por Fermina, mantendo sua devoção a ela ao longo de sua vida, mesmo enquanto constrói sua própria história, seu nome, sua herança e seus amores.
"Pode-se estar apaixonado por várias pessoas ao mesmo tempo, por todas com a mesma dor, sem trair a nenhuma"
A epidemia do cólera é um elemento significativo no romance. Ela não apenas dá título ao livro, mas também molda o ambiente e o contexto em que a história se desenrola.
A epidemia do cólera cria um ambiente de incerteza e medo, que é contrastado com a perseverança e a esperança dos personagens principais.
Nota-se um simbolismo: O cólera pode ser visto como um símbolo da paixão avassaladora entre os personagens principais. Assim como o cólera, o amor pode ser intenso, consumidor e, às vezes, perigoso.
Fermina Daza, personagem da paixão de Florentino, se casa com o médico Juvenal Urbino. Ela toma essa decisão por capricho, ao perceber o interesse da prima Hidelbranda por ele. Apesar de não amar Juvenal quando se casou, Fermina era feliz com o casamento e tinha consciência de que Juvenal era a pessoa certa para ter se casado.
Florentino Ariza, passa a maior parte de sua vida apaixonado por Fermina Daza, mesmo após ela se casar com outro homem. Ele mantém seu amor ao longo da vida, esperando pacientemente para a realização de seu sonho maior.
No final da história, após a morte do marido de Fermina, Florentino tem a oportunidade de declarar seu amor novamente. Ele escreve uma carta para Fermina expressando seu pesar pela morte de seu marido e reafirmando seu amor. O final da história deixa a visão de que Florentino e Fermina podem finalmente ter a chance de viver esse amor.
Portanto, apesar de anos de amor não realizado, Florentino Ariza vê para si um destino de esperança.
O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA, é Gabriel Garcia Márquez em toda a sua plenitude narrativa. Um romance para quem gosta de romance, sem perder o contexto histórico de uma América Latina sofrida em toda a sua plenitude.
VALE A PENA,
Boa leitura.
NH, 24/02/2024.
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