MEU LIVRO DA SEMANA - 78
- Carlos A. Buckmann
- 18 de fev. de 2024
- 3 min de leitura
MEU LIVRO DA SEMANA – 78
ELOGIO DA LOUCURA (Erasmo de Roterdã)
Hoje vamos explorar a obra “Elogio da Loucura”, de Erasmo de Roterdã.
Alguns tópicos da biografia do Autor: Erasmo de Roterdã (1466-1536) foi teólogo e escritor holandês, sendo considerado o maior vulto do Humanismo cristão, tendo dedicado sua vida à causa da reforma interna da Igreja Católica.
Erasmo defendia o conhecimento dos clássicos bem como a autonomia do saber em relação à religião. Acreditava que o objetivo da filosofia é conhecer-se a si mesmo, seguindo os passos de Sócrates. Para Erasmo, apesar do homem ter o poder de fazer suas escolhas livremente, ele nunca encontraria a salvação sem a graça divina, donde se depara que, pela sua fé, era um tanto dogmático.
“Elogio da Loucura” é uma obra satírica escrita em 1509 e publicada em 1511. A demora entre a escrita e a publicação pode ser atribuída a vários fatores. No início do século XVI, o processo de publicação era muito mais demorado do que hoje. A imprensa estava apenas começando a se estabelecer na Europa, e os livros eram impressos manualmente, o que era um processo demorado.
É importante notar que, apesar da demora, “Elogio da Loucura” foi um dos maiores sucessos editoriais do século XVI e continua sendo o livro mais conhecido de Erasmo.
No livro, a Loucura se apresenta como uma deusa, filha do deus Plutão, educada pela ignorância e pelo êxtase. A obra começa com um aspecto satírico para depois tomar um aspecto mais sombrio, em uma série de orações, já que, segundo Erasmo, a loucura aprecia a autodepreciação.
Escrita durante o Renascimento, um período de efervescência cultural, Erasmo se deparava com mudanças nos costumes, pensamentos e religião.
O livro foi escrito em primeira pessoa, com a Loucura contando sua própria história, e através dessa personagem, Erasmo critica a sociedade e suas instituições, questionando valores morais, políticos e religiosos, como podemos ver em diversas passagens:
“A vida é uma comédia onde cada um usa a sua máscara.”
“Representamos nosso papel até que o diretor nos tira do palco.”
Volto a frisar, pois acho importante, que a obra foi escrita em um momento de grande mudança na Europa, durante o Renascimento, tanto que as ideias de Erasmo criaram o ambiente intelectual em que Martinho Lutero se ergueu contra o papa, lançando as bases da Reforma Protestante. No entanto, Erasmo se colocou numa posição equidistante entre católicos e protestantes, zombando tanto da pretensão destes últimos, que reinterpretavam o cristianismo, quanto da arrogância dos católicos.
A Loucura, não poupa suas críticas também à sociedade da época, que historicamente teima em se repetir:
“Uma grande parte dos homens atormentam-se com processos judiciais eternos e parecem querer saber quem enriquecerá: o juiz que prolonga a causa ou o advogado que os engana”
“É uma grande sabedoria saber ser louco no momento certo”
A Loucura que é personificada e apresentada como a narradora da história, faz uma verdadeira análise psicológica do ser humano em seu viver em sociedade.
A Loucura argumenta que ela é a base da amizade, pois é a loucura que permite aos indivíduos ignorarem as falhas uns dos outros e desfrutar da companhia recíproca, se apresentando (ela, a Loucura) como fonte de alegria na vida humana, donde se depara que, sem alegria não é possível a amizade verdadeira.
Muito Sagaz, a Loucura argumenta que está presente na natureza em sua "naturalidade encantadora."
E ela não se omite de estar presente nos poetas e nos seguidores de Baco, o deus do vinho, simbolizando a inspiração artística e a celebração da vida.
Não esquecendo que ela é uma parte essencial do amor, permitindo aos amantes verem além das falhas e imperfeições uns dos outros.
Além disso, a Loucura, em tom de brincadeira, ou melhor, de forma sarcástica, denuncia males reais, como a ingratidão, a hipocrisia e a intolerância. Ela se demonstra a imperatriz da humanidade, uma vez que ela é a “mola oculta da vida” e ninguém lhe escapa.
Isso posto, me paro a pensar que talvez precisemos todos ser um pouco loucos para enfrentarmos esse mundo de uma humanidade muito louca.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 18/02/2024.
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