MEU LIVRO DA SEMANA - 77
- Carlos A. Buckmann
- 11 de fev. de 2024
- 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 77
DE QUANTA TERRA PRECISA UM HOMEM? (Liev Tolstói)
Liev Tolstói, (em português LEON TOLSTÓI) cujo nome completo é Lev Nikolaevitch Tolstoi, nasceu em 9 de setembro de 1828 em Iasnaia Poliana, uma propriedade familiar localizada a 200 km ao sul de Moscou. Ele era o quarto dos cinco filhos de uma família aristocrática russa. Tolstói é amplamente reconhecido como um dos maiores escritores de todos os tempos, conhecido por suas obras-primas “Guerra e Paz” (1869) e “Anna Karenina” (1877). Durante a década de 1870, Tolstói experimentou uma profunda crise moral, seguida de um despertar espiritual, conforme descrito em seu trabalho não-ficcional “A Confissão” (1882).
Tolstói era um fervoroso anarquista cristão e pacifista (Eita controvérsias de espírito!). Sua filosofia foi influenciada por várias fontes, incluindo o cristianismo, o pensamento oriental e sua própria experiência de vida. Em essência, sua filosofia é centrada na busca pela verdade, pela sabedoria e pela realização espiritual. Ele acreditava na importância da simplicidade e da vida humilde e, portanto, abraçou o pacifismo, a não-violência e a resistência passiva como princípios fundamentais de sua filosofia.
“De Quanta Terra Precisa um Homem?” é um conto que retrata a dramática história de um homem obcecado pelo desejo de obter mais terras. A obra é uma parábola da imensidade da terra e só poderia ter sido escrita no século XIX, por um russo ou por um americano. Do século XX em diante é uma ganância capitalista que assola o mundo. O conto nos mostra que o homem pode ficar obcecado pela plenitude de suas realizações pessoais-materiais como objetivo de travessia pela vida. O protagonista do conto, Pakhóm, pensa em voz alta:
"Se eu tivesse muita terra, não temeria nem mesmo o próprio diabo"
O que ele não sabe é que o diabo, escondido, o escuta e resolve despertar nele o impulso de obter mais terras. Depois de conseguir ampliar sua propriedade, mas ainda não satisfeito, Pakhóm resolve adquirir terras no longínquo território dos bashquires (um grupo étnico que vive na região dos Montes Urais, na Rússia).
O conto é uma reflexão sobre o equilíbrio entre necessidades reais e desejos insaciáveis. Ele nos mostra que entre o acúmulo de terras e a acumulação capitalista de hoje não há tantas diferenças. A obra é marcada por doutrinação moral, nacionalismo crítico e temática social.
E nessa busca sem limites, descobrimos que um homem precisa de terra apenas para cavar a sua sepultura.
"Um metro e oitenta, da cabeça aos pés, era o que bastava".
“De Quanta Terra Precisa um Homem?” foi escrito no século XIX, uma época marcada pela expansão do capitalismo e pela crescente industrialização. A obra reflete as tensões sociais e econômicas da época, especialmente a crescente desigualdade entre os ricos proprietários de terras e os pobres camponeses. As ilustrações de Cárcamo Gonzalo, caricaturista chileno que ilustrou essa obra, retratam com perfeição a realidade dos camponeses russos do século XIX.
A mensagem principal do conto “De Quanta Terra Precisa um Homem?” é uma reflexão sobre as consequências da ganância e da busca implacável por mais riqueza. Tolstói nos mostra que o desejo insaciável por mais, pode levar a um ciclo destrutivo de nunca estar satisfeito, não importa o quanto se tenha. A obra destaca a importância do equilíbrio entre necessidades reais e desejos insaciáveis. É uma poderosa lição moral sobre a importância de reconhecer e apreciar o que já temos, em vez de sempre buscar mais.
Além do conto que dá título e encerra o livro, ainda temos três outros contos magníficos que enriquecem essa pequena obra de apenas noventa e três páginas, mostrando que Tolstói, além de grande romancista, foi também um excelente contista, tanto quanto seu maias famoso conterrâneo dessa arte, Anton Tchekhov, que são:
1. Do que vivem os homens: Este conto narra a história de um anjo que vai morar com uma família muito pobre, a fim de aprender com eles importantes lições e remir seus erros. Desse conto se extrai que os homens vivem não do cuidado consigo mesmos, mas do amor.
2. Três perguntas: Este conto apresenta a história de um rei que buscava descobrir a resposta para as seguintes perguntas: qual era o momento certo para cada ação, quem eram as pessoas mais necessárias e como ele poderia saber qual era a coisa mais importante a fazer.
3. A cafeteria de Surat: Este conto traz reflexões sobre a existência ou não de Deus. Dele se extrai que "quanto mais elevada a concepção que um homem tem de Deus, melhor ele O conhecerá. E quanto mais ele conhecer a Deus, mais ele se aproximará Dele, imitando sua bondade".
Esse conjunto de contos, embora distintos, compartilham temas comuns de moralidade, espiritualidade e a natureza humana. Eles oferecem uma visão profunda da filosofia de Tolstói e de suas reflexões sobre a vida.
Para quem é fã, ou para quem quer iniciar-se na literatura russa, eis um livro que
VALE A PENA.
Boa Leitura.
NH, 11/02/2024 – Um domingo de carnaval.
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