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MEU LIVRO DA SEMANA - 73

  • Carlos A. Buckmann
  • 14 de jan. de 2024
  • 4 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 73

PEQUENO TRATADO DAS GRANDES VIRTUDES  -

(André Comte-Sponville)

Não vou trazer aqui mais dados biográficos sobre o autor, pois sobre ele escrevi na semana passada. Assim, se meu leitor quiser saber essas informações, basta ir até a minha publicação anterior. No entanto,  quero ressaltar que considero Sponville se não O, mas com certeza, UM dos mais importantes filósofos contemporâneos do mundo ocidental. De toda sua obra, com certeza também, esse é seu livro mais importante, tanto que foi já traduzido para 25 idiomas diferentes.

Em “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes”, André Comte-Sponville, reflete sobre a importância e a necessidade das virtudes humanas em nossos atos cotidianos. Publicado em 1995, o livro surge em um contexto marcado pelo individualismo e pela banalização da ética, propondo um resgate das virtudes como elementos essenciais para uma vida plena.

A obra é dividida em 18 capítulos, cada um dedicado a uma virtude específica. Entre as virtudes discutidas estão a Polidez, Fidelidade, Prudência, Coragem, Justiça, Generosidade, Compaixão, Misericórdia, Gratidão, Humildade, Simplicidade, Tolerância, Pureza, Doçura, Boa-fé, Humor e Amor. Comte-Sponville analisa essas virtudes sob uma perspectiva filosófica, ética e moral, sem a complexidade encontrada em obras como “As Virtudes Morais” de Tomás de Aquino, mas com uma abordagem ampla e profunda.

O autor foi influenciado por filósofos como Montaigne, Spinoza e Pascal, e sua obra reflete sobre as virtudes que ele, como filósofo influenciado pela “Ética” de Spinoza, e embora não cite, mantendo as normas da ÉTICA PARA NICÔMANO de Aristóteles que ensina a evitar os extremos, considera representativas do homem enquanto ser moral. Comte-Sponville busca uma compreensão das virtudes que possa ser aplicada à vida contemporânea, argumentando que a virtude é uma força que age ou pode agir, e que a virtude de um ser é o que constitui seu valor próprio.

Em termos de estrutura narrativa, o livro não segue uma trama convencional, mas sim uma série de reflexões e análises filosóficas. Cada capítulo se concentra em uma virtude, explorando sua relevância e aplicação na vida diária. O autor utiliza exemplos históricos e literários para ilustrar seus pontos, e cita frases importantes para reforçar suas ideias.

Em seu prefácio, a definição de virtude:

“Virtude é poder, e o poder basta à virtude.”

No tratado sobre a POLIDEZ, magistralmente cita KANT:

“O homem só pode tornar-se homem pela educação, ele é apenas o que a educação faz dele.”

O que se destaca na análise que faz de cada uma dessas virtudes, permeia sempre a importância do amor “cáritas”, o amor repleto de caridade, caridade repleta de amor  para com o próximo, caridade repleta de amor para si, até chegar  ao capítulo final cuja virtude é justamente O AMOR.

Ah, então, me permitam o emprego de um lugar comum: eis a “cereja do bolo” (acho horrível a tal cereja do bolo, mas é uma expressão que se tornou chavão para designar o ápice de uma obra).

Ao tratar do amor, Sponville transborda de sabedoria e magistralmente disseca todas as possibilidades dessa virtude, sem a qual todas as outras não poderiam existir.

“O amor não se comanda, pois é o amor que comanda.”

E nos demonstra o amor Eros (deus grego do amor) ligado a sexualidade, fonte de todas as paixões e que cada um de nós sempre esteve sujeito e que não podemos desconhecer.

“O corpo sabe mais sobre o amor do que os poetas, pelo menos os poetas  - quase todos – que nos mentem sobre o corpo.”

Eros é o amor egoísta, o amor na busca do prazer de si, sem se preocupar com a reciprocidade desse amor. É o amor que basta em si.

E existe o amor PHILIA,  o amor desprendido de si e impregnado pela amizade. Onde , citando Stendhal,  "amar é poder desfrutar alguma coisa ou regozijar-se dela." – Philia, do grego, é literalmente amizade, mas aqui é estendido para todos os laços de afetividade, de irmandade, de família, de amor recíproco.

“Contra a angústia? O real. Contra a falta? A alegria. Ainda é amor, mas não é Eros...”

E finaliza com o amor ÁGAPE: Ágape TAMBÉM significa amor e também  é uma palavra de origem grega. Ágape é  o amor que se doa, o amor incondicional, o amor que se entrega. É o amor impregnado de “cáritas”, o amor entrega, o amor até ao inimigo, o amor do outro pelo outro. O amor caridade:

“Talvez seja isso que melhor a defina: (falando da caridade) é um amor libertado do ego e que liberta dele.”

A obra é do final do século XX, um período, como até hoje, de questionamentos sobre os valores tradicionais e a busca por novos significados na vida moderna. Comte-Sponville oferece uma visão atualizada das virtudes clássicas, adaptando-as às necessidades e desafios do mundo contemporâneo.

Mantendo uma análise objetiva, “Pequeno Tratado das Grandes Virtudes” é uma obra que convida à reflexão sobre o papel das virtudes na construção de uma sociedade mais ética e mais humana. É um convite para repensar a importância das virtudes em um mundo em constante mudança.

Então, VALE A PENA.

Boa leitura.

NH, 14/01/2024

# Fica a dica. – Siga meu blog: https://linktr.ee/betobuckmann

 

 

 
 
 

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