MEU LIVRO DA SEMANA - 72
- Carlos A. Buckmann
- 7 de jan. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 72
O ESPÍRITO DO ATEÍSMO (André Comte-Sponville)
Confesso que sou um admirador do pensamento e da obra toda de Sponville. Mas, esse livro particularmente, eu adquiri e fiz a sua leitura apenas na segunda metade do ano de 2023, por recomendação de meu amigo Neto José Abud.
Então vamos analisá-lo.
André Comte-Sponville é um filósofo materialista francês, nascido em Paris em 1952. Estudou na École Normale Supérieure e se tornou professor na Universidade Paris I Panthéon-Sorbonne. Comte-Sponville é conhecido por sua abordagem clara e acessível sobre questões filosóficas complexas, sendo um defensor do ateísmo e do materialismo, mas de uma forma particular, por causa de seu objetivo espiritualista. Parece controverso o que estou dizendo, mas não é. Quando você lê sua obra, entende que espiritualista não é sinônimo de deísta. Ele transitou por inúmeros temas durante sua carreira, mas um recurso recorrente em seu trabalho é retornar aos filósofos antigos para colocá-los em diálogo com os pós-modernos e modernos.
A obra “O Espírito do Ateísmo” é um exemplo de seu pensamento filosófico. Neste livro, Comte-Sponville expõe de forma elegante a sua ética do homem ateu, baseando sua ética na escolha do ateísmo como um caminho filosófico para a vida. Desta forma, procura expor o lado da filosofia ateísta em oposição ao estereótipo do ateu inimigo das virtudes. Aborda questões decisivas como: "Pode-se viver sem religião? Deus existe? Os ateus estão condenados a viver sem espiritualidade?".
Então ele responde:
"A fé é uma crença; a fidelidade, no sentido em que tomo a palavra, é mais um apego, um comprometimento, um reconhecimento. A fé tem por objetivo um ou mais deuses; a fidelidade, valores, uma história, uma comunidade."
"Quando não se tem mais fé, resta a fidelidade. Quando não se tem mais nem uma nem outra, resta apenas o nada e o pior."
O livro foi publicado em 2006, um período caracterizado por um crescente interesse na filosofia ateísta e nas discussões sobre a relevância da religião na sociedade moderna. A obra de Comte-Sponville é uma contribuição significativa para essas discussões, oferecendo uma perspectiva única e respeitosa sobre o ateísmo.
Claro que existem críticas ao livro, mas são em grande parte positivas, com os leitores apreciando a abordagem respeitosa e reflexiva do autor sobre o ateísmo. No entanto, algumas críticas notáveis incluem:
Alguns leitores notam que, apesar de ser um ateu, Comte-Sponville parece estar em busca de uma forma de religiosidade. Isso pode ser visto como uma contradição ou como uma tentativa de reconciliar a falta de crença em Deus com a necessidade humana de espiritualidade.
O livro é frequentemente descrito como extremamente pessoal, o que pode ser uma vantagem para alguns leitores, mas outros podem preferir uma análise mais objetiva e menos influenciada pelas experiências pessoais do autor.
Lembre-se de que a interpretação e a apreciação de uma obra literária podem variar muito de pessoa para pessoa. É sempre útil ler várias críticas e, se possível, o livro em si, para formar sua própria opinião.
O estoicismo é uma escola de filosofia helenística que enfatiza a disciplina do caráter e a busca pela virtude como um meio de alcançar a felicidade, independentemente das circunstâncias externas. Comte-Sponville compartilha com os estoicos a ideia de que a felicidade não depende de fatores externos, mas de como interpretamos e respondemos a esses fatores. Ele também adota a visão estoica de que devemos aceitar o mundo como ele é, em vez de como gostaríamos que fosse.
No entanto, Comte-Sponville difere dos estoicos em sua rejeição da ideia de um cosmos racional governado pela Providência. Em vez disso, ele defende um materialismo que vê o universo como indiferente aos nossos desejos e necessidades.
Portanto, embora existam semelhanças entre o pensamento de Comte-Sponville e o estoicismo, também existem diferenças significativas. A filosofia de Comte-Sponville é uma síntese única de várias tradições filosóficas, incluindo o estoicismo, mas também o materialismo e o ateísmo.
Então, aqui estão alguns fatos que considero interessantes sobre a obra “O Espírito do Ateísmo” de André Comte-Sponville:
O livro, podemos descrever como a comunhão de um ateu com a vida religiosa. Comte-Sponville busca uma reconciliação com a verdade, diferente de pensadores como Michel Onfray em seu Tratado de Ateologia. (Mas isso é outra história, que fica para uma outra oportunidade).
Comte-Sponville expõe de forma elegante a sua ética do homem ateu. Ele baseia sua ética na escolha do ateísmo como um caminho filosófico para a vida. Respeitando todas as crenças, ressalta que não faz proselitismo ateu. acreditando que há espíritos livres nos dois campos (crentes e ateus) e é a eles que se dirige.
Espero que meu amigo Neto, que com certeza vai ler esse comentário, tenha gostado do que escrevi. Para todos os outros que me acompanham semanalmente, aconselho que leiam essa obra, mantendo, como Sponville, um respeito por seus pensamentos.
Vale a pena.
Boa leitura.
NH, 07/01/2024.
#Fica a dica. Sigam meu Blog:




Comentários