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MEU LIVRO DA SEMANA - 71

  • Carlos A. Buckmann
  • 31 de dez. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 28 de jan. de 2024



MEU LIVRO DA SEMANA – 71

RELIGIÃO PARA ATEUS - (Alain de Botton)

Em outras publicações que fiz, analisando outras obras desse autor, já fui detalhista em sua biografia, mas não custa nada repetir alguns pontos e dar ênfase em outros aspectos.  Alain de Botton nasceu em Zurique, Suíça, em 1969 e agora vive em Londres. Escrevendo livros ensaísticos que foram descritos como uma 'filosofia da vida cotidiana’,  escreveu sobre amor, viagem, arquitetura e literatura. Seus livros foram best-sellers em 30 países. Ele estudou história na Universidade de Cambridge e completou um MPhil (significa Mestre em Filosofia)  no King’s College, Londres. Ele começou a estudar para um doutorado em filosofia francesa na Universidade de Harvard, mas desistiu de sua pesquisa para escrever livros para o público em geral.

 Os livros de Alain de Botton discutem vários temas contemporâneos  enfatizando a relevância da filosofia para a vida cotidiana. Ele acredita no poder do insight filosófico para ter um efeito prático em nossas vidas. Em seu livro “The Consolations of Philosophy”, (AS CONSOLAÇÕES DA FILOSOFIA) ele refuta a noção de que a boa filosofia deve ser irrelevante e reúne seis grandes filósofos que estavam convencidos do poder do insight filosófico para ter um efeito prático em nossas vidas.

Aqui em “Religião para Ateus” argumenta que, embora as afirmações sobrenaturais feitas pela religião sejam falsas, alguns aspectos da religião ainda são úteis e podem ser aplicados na vida e na sociedade seculares. Como nessas citações  no capítulo SABEDORIA SEM DOUTRINA:

“A nova fé incorporou as celebrações de inverno do  hemisfério norte, e as repaginou como o Natal.” (...) “... boa parte do que existe de melhor no Natal é totalmente desvinculado da história do nascimento de Cristo. Gira em torno de temas de comunidade, festividade e renovação que antecedem o o contexto em que foram colocados ao longo dos séculos pelo cristianismo.”

O livro é dividido em dez capítulos: Sabedoria sem Doutrina, (acima citado), Comunidade, Bondade, Educação, Ternura, Pessimismo, Perspectiva, Arte, Arquitetura e Instituições.

Em COMUNIDADE, analisa a nossa interação como ente social e suas dificuldades:

“Ainda que a sociedade moderna continuamente nos prometa acesso a uma comunidade, trata-se de uma comunidade centrada no culto ao sucesso profissional. Sentimos que estamos batendo à sua porta quando a primeira pergunta que nos indagam em uma festa é “o que você faz?” – e a resposta determinará  se seremos bem acolhidos ou se nos abandonarão ao relento.”

Nos demais capítulos: Bondade, Educação, Ternura, Pessimismo, Perspectiva, Arte, Arquitetura e Instituições, “Religião para Ateus” tem um formato geral no qual de Botton descreve cada problema na sociedade, discute como as religiões (particularmente o cristianismo, o judaísmo e o budismo) tentaram resolver esse problema e propõe alternativas seculares. O livro presta atenção especial à maneira como as religiões atraem a mente das pessoas para ideias por meio de cerimônias e rituais anuais, como o Natal ou o Dia da Expiação.

É importante destacar também, a análise que ele nos traz sobre a EDUCAÇÃO. Talvez eu esteja destacando esse tema, porque vem ao encontro do que escrevi em meu livro ROMPENDO FRONTEIRAS - uma breve história sobre a educação e as religiões – mas sem antes ter lido a obra de Botton. Apenas uma feliz coincidência de pensamentos esclarecidos:

“O propósito das universidades não é produzir advogados, médicos ou engenheiros competentes. É criar seres humanos capazes e cultos”. (...) “... a educação deveria engendrar nada menos que a ‘Nobre inspiração de tornar o mundo melhor e mais feliz do que quando o encontramos’.”

 “Religião para Ateus” foi publicado em 2012, um período em que a discussão sobre a relevância da religião na sociedade moderna estava em alta. O livro foi um best-seller do New York Times.

Alain de Botton se identifica como ateu, mas ele é um ateu “gentil” e respeitoso. Ele não sente a necessidade de zombar de quem acredita. Mas, embora ele seja profundamente respeitoso com a religião, ele não acredita em nenhum de seus aspectos sobrenaturais.

De Botton propõe uma “religião para ateus”, que ele chama de Ateísmo 2.0, sugerindo  que os ateus podem adotar aspectos da religião que satisfazem a necessidade humana de conexão, ritual e transcendência. Ele acredita que os ateus têm tanto direito de desfrutar de arquitetura inspiradora dos templos e obras de arte religiosas, quanto os crentes religiosos.

Repetindo o que escrevi no início, de Botton argumenta que, embora as afirmações sobrenaturais feitas pela religião sejam falsas, e expõe argumentos para essa afirmação, alguns aspectos da religião ainda são úteis e podem ser aplicados na vida e na sociedade seculares. Ele acredita que o ateísmo pode ser mais atraente se seus defensores escolherem e adotarem os aspectos da religião que eles gostam: amor, empatia, caridade, por exemplo.  Portanto, ele defende a adoção de um senso de comunidade e responsabilidade cívica, enquanto rejeita aspectos negativos associados a algumas práticas religiosas.

É um livro atual, respeitando todas as religiões, sem defender nenhuma, mas encarando o lado positivo que cada uma pode contribuir para um mundo melhor.

Vale a pena.

Boa Leitura.

NH, 31/12/2023.

Que tenhamos um 2024 com mais paz e mais humanidade.

# Fica a dica. Siga meu blog: https://linktr.ee/betobuckmann

 

 

 
 
 

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