MEU LIVRO DA SEMANA - 70
- Carlos A. Buckmann
- 24 de dez. de 2023
- 4 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 70
AMAR, VERBO INTRANSITIVO – (Mário de Andrade)
Nesse dia de véspera de Natal, quero fazer uma homenagem a todos os meus amigos paulistanos e aos paulistas, nascidos no interior ou vindos de todas as partes do país, tendo São Paulo por seu lar adotivo, onde se aquerenciaram (termo gauchesco para dizer de quem se adapta ao novo local de morada) e desenvolvem suas vidas. Porque São Paulo teve um papel fundamental na vida e obra de Mário de Andrade, e que desconfio que paulistanos e paulistas, com raras e privilegiadas exceções, pouco sabem de sua importância. Os que conhecem sua obra, queiram me perdoar pela minha ignorância de suas sapiências, pois citando Caetano:
“É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi”
A cidade de São Paulo foi uma espécie de baliza na poesia de Mário de Andrade, pois foi nela que o poeta projetou seus vários ‘eus’, é por ela que ele transita, trafega como um flâneur (influência do francês, obrigatório na formação escolar da época). A coleção “Paulicéia Desvairada”, lançada para a SEMANA DE ARTE MODERNA, é uma coletânea de poesias, descritivas de São Paulo e está ligada à cidade de inúmeras maneiras, tanto artisticamente quanto historicamente.
Como diretor do Departamento de Cultura de São Paulo de 1935 até sua morte, ele organizou pesquisas sobre o folclore e a música popular brasileira. Mário de Andrade nasceu e morreu em São Paulo, e viveu quase toda a sua vida na cidade. Ele teve toda sua vida vinculada à capital paulista, tendo morado em apenas duas casas. Mais raiz que isso, impossível.
Portanto, São Paulo não só moldou a vida e a obra de Mário de Andrade, mas também foi profundamente influenciada por suas contribuições.
Mário Raul de Morais Andrade (1893-1945) foi poeta, romancista, musicólogo, historiador de arte e crítico brasileiro, além de fotógrafo. Ele foi um dos fundadores do modernismo brasileiro e praticamente criou a poesia moderna brasileira com a publicação de sua obra “Paulicéia Desvairada” em 1922.
Mário de Andrade foi uma figura central na Semana de Arte Moderna de 1922. Ele ajudou a organizar o evento, que foi realizado em fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo. Ele era membro do então apelidado Grupo dos Cinco, que também incluía Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.
Mário de Andrade é conhecido por sua influência na literatura brasileira moderna e, como estudioso e ensaísta, sua influência se estendeu muito além do Brasil.
Mas vamos falar sobre a obra: “Amar, Verbo Intransitivo”, publicado em 1927, é uma obra que conta a história de Elza, uma alemã de 35 anos contratada como governanta para iniciar o filho adolescente de uma família rica e tradicional de São Paulo na sexualidade. A narrativa é estruturada em torno da relação entre Elza (também conhecida como Fräulein), Carlos (o filho adolescente) e a família Sousa Costa, ricos plantadores de café e modelo da sociedade da época.
A obra é marcada pela ambiguidade e pela transgressão, quem sabe de um certo erotismo, características marcantes do modernismo. A história é contada de uma maneira que desafia as convenções narrativas tradicionais como por exemplo em algumas citações importantes do livro:
“Que coisa misteriosa o sono! ... Só aproxima a gente da morte, para nos estabelecer melhor dentro da vida
“A felicidade é tão oposta à vida que, estando nela, a gente esquece que vive.”
O livro foi publicado em 1927, uma época de efervescência cultural e intelectual no Brasil, iniciada com a Semana de Arte Moderna de 1922. Este movimento buscava romper com os padrões artísticos e literários vigentes, inspirando-se em tendências internacionais, como o modernismo europeu.
Devemos considerar que “Amar, Verbo Intransitivo” é uma obra fundamental para a literatura brasileira por várias razões:
1. Inovação e Experimentalismo: O romance é fruto da busca constante de Mário de Andrade pela renovação estética da ficção brasileira. Ele desafiou preconceitos e inovou na técnica narrativa e na linguagem. O livro é cheio de inovações que visam expressar melhor a realidade brasileira, e suas características permitem classificá-lo como experimental e modernista.
2. Crítica Social: O romance é de importância fundamental para entender o lugar do intelectual modernista na sociedade que lhe fornece os temas e as experiências para a modernização da literatura brasileira. Ele apresenta uma reflexão sobre as contradições entre o indivíduo e a sociedade, bem como sobre o curso que a história tomou na década de 1920.
3. Renovação da Linguagem: Mário de Andrade utilizou metáforas musicais, discorreu sobre teorias literárias, fez crítica de arte, numa linguagem que ele chamou de “brasileira”: coloquial, repleta de palavras e expressões do cotidiano de todo o país.
4. Impacto Duradouro: Apesar de ter sido publicado em 1927, “Amar, Verbo Intransitivo” continua a ser relevante e a interessar aos leitores do Brasil.
Portanto, “Amar, Verbo Intransitivo” é uma obra que representa um marco na literatura brasileira, tanto por sua inovação estilística e linguística quanto por sua crítica social penetrante.
Me perdoem meus amigos paulistanos, e paulistas de todas as partes do Brasil, mas não podemos desconhecer Mário de Andrade, pois seria desconhecer as raízes de São Paulo e por que não a história das oligarquias brasileiras.
VALE A PENA.
Boa leitura.
NH, 24/12/2023
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