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MEU LIVRO DA SEMANA - 67

  • Carlos A. Buckmann
  • 3 de dez. de 2023
  • 5 min de leitura

Atualizado: 29 de jan. de 2024


MEU LIVRO DA SEMANA – 67

COMO AS DEMOCRACIAS MORREM

(Steven Levitsky e Daniel Ziblatt)


Comecemos por uma breve biografia de cada um desses autores: Steven Levitsky nasceu em 17 de janeiro de 1968. É um cientista político americano e professor de regimes governos na Universidade de Harvard e é conhecido por seu trabalho em regimes autoritários competitivos e instituições políticas informais. Seus interesses de pesquisa se concentram na América Latina e incluem partidos políticos e sistemas partidários, autoritarismo e democratização, e instituições fracas e informais. - Daniel Ziblatt nasceu em 1972. Ele é também um cientista político americano e professor na Universidade de Harvard, com foco em política comparada, democracia e democratização, bem como a política e a história política da Europa Ocidental. Desde 2018, ele é o Professor Eaton de Ciência do Governo na Universidade de Harvard. (“Professor Eaton” é um acadêmico que ocupa uma posição de professor nomeado na Universidade).

A obra “Como as Democracias Morrem” foi lançada em 2018. O livro analisa como as democracias modernas entram em colapso, e para investigar isso, eles usam como base o governo americano de Donald Trump. A tese fundamental de Levitsky e Ziblatt é que a morte das democracias pós-Guerra Fria se dá predominantemente pelas mãos de líderes eleitos, não pela via dos golpes de Estado clássicos. Eles argumentam que, na verdade, no mundo contemporâneo o enfraquecimento democrático muitas vezes ocorre de forma gradual e sutil, minando os princípios democráticos por dentro.

A amostragem de “coincidências” que levam a morte das democracias, deixam claro que não se trata disso, mas sim de método planejado e testado em vários países mundo afora:

· Argentina - Juan Perón 1946

· Equador – Rafael Correa 2007

· Hungria – Victor Orban - 2010

· Itália – Silvio Berlusconi – 2001

· Peru – Alberto Fujimori – 1990

· Polônia – Jaroslaw Kaczynski – 2015

· Rússia – Vladimir Putin – 2000

· Turquia – Recep Erdogan – 2003

· Venezuela – Hugo Chavez – 1999

As “coincidências”:

Todos atacaram e minaram os poderes das respectivas Supremas Cortes. -Todos insuflaram nas populações o medo do comunismo (Claro, essa última não vale para Putin). Na maioria deles, houve a cooptação de inúmeros e dogmáticos cultos evangélicos, onde a palavra comunismo era sinônimo de demônio.

O livro é estruturado em nove capítulos e uma introdução, nos quais os autores alternam entre a apresentação de suas teses ilustradas com casos ao redor do mundo, em distintos tempos, e capítulos onde as aplicam a episódios da história contemporânea estadunidense. Eles identificam os sinais de alerta que podem indicar um perigo iminente para uma democracia saudável. Entre esses sinais, estão a persistência de líderes políticos que desrespeitam as normas democráticas, a manipulação das instituições para garantir vantagens políticas e a exploração da mídia para disseminar desinformação.

O contexto histórico em que a obra foi escrita é marcado por um Zeitgeist mundial em que a democracia enfrenta visíveis processos de erosão e ruptura.

“Zeitgeist” é uma palavra alemã que significa “espírito da época”, “espírito do tempo” ou "sinal dos tempos". Refere-se ao conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época, ou as características genéricas de um determinado período. Em outras palavras, o Zeitgeist é o clima geral de ideias, crenças, sentimentos, etc., que é típico de um determinado período na história. História essa que estamos vivenciando no dia a dia, nas mais diversas nações em todas as partes do mundo.

A insuflação na população do medo ao comunismo não é nova. Como bem descrevem os autores, teve seu ápice nos Estados Unidos com o Senador Joseph McCarthy (daí o Macarthismo) eleito em 1947 pelo estado do Winsconsin.


- McCarthy conquistou projeção nacional em 9 de fevereiro de 1950, com um discurso infame na frente do Clube das Mulheres Republicanas do condado de Ohio, em Wheeling, Virgínia Ocidental. McCarthy fez uma arenga bombástica contra o comunismo e a presença de “traidores”, até que topou numa frase que se tornou instantaneamente icônica: “Eu tenho em mãos uma lista de 205 nomes que chegaram ao conhecimento do Secretário de Estado; no entanto eles continuam a trabalhar e a planejar a política do Departamento de Estado”.


Lançou assim a primeira Fake News antes da criação das mídias sociais. Não está nesse livro, mas o macarthismo chegou a Hollywood, caçando atores e diretores, acusados de comunistas por suas produções cinematográficas.

A obra foi lançada em um momento em que a democracia estava sendo questionada em várias partes do mundo, incluindo os Estados Unidos sob a presidência de Donald Trump.

O livro aborda uma análise sobre como a ruptura do sistema dos “Freios e Contrapesos” (Checks and Balances), um contrato ou acordo de cavalheiros de barreiras, não escrito e invisível, que sustentam a democracia pode ocorrer de várias maneiras. Em alguns casos, isso pode ser o resultado de líderes políticos que desrespeitam as normas democráticas, manipulam as instituições para garantir vantagens políticas e exploram a mídia para disseminar desinformação. Os autores citam como exemplos, as diversas ditaduras que assolaram a América Latina e algumas repúblicas europeias até chegar ao período da presidência de Donald Trump, onde houve preocupações de que ele estava perturbando o sistema de Freios e Contrapesos dos EUA.

Outros fatos narrados na obra, são relação aos ataques sistemáticos às supremas cortes, que são muitas vezes uma tática usada por líderes autoritários para minar a democracia. As supremas cortes desempenham um papel crucial na manutenção do equilíbrio entre os poderes em uma democracia, agindo como um freio sobre o poder executivo. No entanto, quando essas cortes são atacadas ou desacreditadas, isso pode levar a um desequilíbrio de poder e à erosão da democracia.

Em resumo, a ruptura dos Freios e Contrapesos e os ataques sistemáticos às supremas cortes são táticas que podem ser usadas para minar a democracia. Eles são paralelos nos ataques às democracias porque ambos envolvem a erosão das instituições que são fundamentais para a manutenção de um sistema democrático equilibrado.

No livro, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt analisam a ascensão de Donald Trump através do Partido Republicano e seu método de governo. Os autores argumentam que líderes autoritários como Trump não conseguem destruir sozinhos a democracia. Eles precisam da ajuda de políticos tradicionais que “toleram, ajudam e protegem os autoritários” — o que o cientista político espanhol Juan Linz chama de "democratas semileais".

Em relação ao método de governo de Trump, os autores destacam que ele frequentemente desrespeitava as normas democráticas, manipulava as instituições para garantir vantagens políticas e explorava a mídia para disseminar desinformação. Essas táticas, argumentam os autores, são características de um líder autoritário e representam uma ameaça à democracia.

Temos que destacar que o livro analisa apenas o primeiro ano do governo Trump (2017) visto que o livro foi publicado em 2018 e, portanto, suas análises bem poderiam prever ao que se chegaria no ataque ao Capitólio após sua derrota na tentativa de um segundo mandato.

Portanto, o livro “Como as Democracias Morrem” demonstra que a ascensão de Trump e seu método de governo foram possibilitados em grande parte pelo apoio que ele recebeu dentro do Partido Republicano, bem como por suas próprias ações que minaram as normas e instituições democráticas.

É um livro para ser lido sem paixões ideológicas ou dogmáticas, para se poder fazer uma análise do atual momento histórico que estamos vivendo.

Vale a pena.

Boa leitura.

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