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MEU LIVRO DA SEMANA - 65

  • Carlos A. Buckmann
  • 19 de nov. de 2023
  • 4 min de leitura

Atualizado: 29 de jan. de 2024



MEU LIVRO DA SEMANA – 65

DA PROFICIÊNCIA E O AVANÇO DO CONHECIMENTO DIVINO E HUMANO. (Francis Bacon)

Não foi literalmente só isso que ele disse, mas, com certeza, a frase está ligada a seu nome: - “Conhecimento é Poder”. No entanto, tudo o que está por trás dessa frase, está nesse livro.

Francis Bacon (1561-1626) foi filósofo, político e ensaísta inglês, nasceu em Londres, Inglaterra, em 22 de janeiro de 1561 e é considerado um dos fundadores do método indutivo de investigação científica, que estava baseado no Empirismo. Sua principal contribuição para a filosofia foi a aplicação do raciocínio indutivo (generalizações baseadas em instâncias individuais), a abordagem usada pela ciência moderna, em vez do método da escolástica medieval e do aristotelismo, baseado no raciocínio puro. Ele foi um dos primeiros proponentes do empirismo e do método científico.

- “O saber afasta a selvageria, o barbarismo e a ferocidade da mente humana...”

A obra “Da Proficiência e o Avanço do Conhecimento Divino e Humano” foi publicada em 1605. Nela, Bacon estabeleceu as bases para uma reforma radical do conhecimento, tendo como objetivo o progresso social. Ela mapeia o estado da ciência da época e aponta obstáculos que precisavam ser removidos para garantir seu avanço. Bacon aponta o poder de intervenção na natureza para explorar suas possibilidades como o melhor caminho para o desenvolvimento.

O livro divide o entendimento humano em três partes: história, relacionada à faculdade de memória do homem; poesia, relacionada com a faculdade de imaginação do homem; e filosofia, pertencente à faculdade da razão do homem. Ele defendeu a ideia de que o avanço do conhecimento científico depende do desenvolvimento de instrumentos e da conjunção de esforços e colaboração de diferentes grupos de trabalho. Para Bacon, conhecer implicava alcançar melhores condições de vida para a sociedade, ou seja, o inconformismo com as circunstâncias do momento levaria a sociedade a superar obstáculos, partindo do desenvolvimento das artes de manipular a natureza.

-“ Portanto, assim como sectários e espiões de príncipes e Estados apresentam contas por suas informações, você também deve permitir que os espiões e informantes da natureza apresentem suas contas ; senão, você estará mal informado.”

A obra foi escrita no contexto do final do período da Renascença, um período de grandes mudanças e descobertas em várias áreas do conhecimento. Na época, o conhecimento não era considerado algo que progredisse com o passar do tempo. Acreditava-se que aquilo que existia para ser conhecido já havia sido escrito pelos autores clássicos da Antiguidade. A obra de Bacon, portanto, representou uma ruptura significativa com essa visão tradicional e estabeleceu as bases para o desenvolvimento da ciência moderna.

- “antiquitas saeculi juventus mundi. (A antiguidade é a juventude do mundo)”

Na sociedade humana, estabelece-se um vínculo entre o conhecimento, ou seja, o acúmulo de conhecimento, e o poder. O conhecimento é valorizado e guardado em circuitos sociais mais ou menos formais, como as academias, as grande empresas e até em fontes de segurança de governos de todas as instâncias. Aos especialistas de cada área cabe transmitir o conhecimento aos seus alunos, ou seus colaboradores ou comandados, verificando o conhecimento, questionando-o e organizando-o, permitindo o acesso ao conhecimento preferencialmente aos iniciados.

Portanto, quem tem conhecimento também pode ter poder. Por isso, o conhecimento não deve ser cedido, mas merece uma gestão estratégica, na conveniência, entre os diferentes concorrentes. É o que acontece, por exemplo, quando duas empresas competem para encontrar a fórmula para fazer um novo produto.

Apenas porque me ocorreu agora: o filósofo Michel Foucault também estudou a relação entre poder e conhecimento. Para Foucault, todo poder é uma forma de conhecimento e todo conhecimento é uma forma de poder. Ele se referia ao estabelecimento da autoridade daquele que sabe.

Mas eu, particularmente na minha insignificância, continuo pensando como Descartes (daria de bom grado tudo o que sei, pela metade do que desconheço) e como Sócrates (só sei que nada sei).

Em “Da Proficiência e o Avanço do Conhecimento Divino e Humano”, Francis Bacon estabelece uma relação entre o conhecimento humano e o conhecimento divino através de sua visão de que o conhecimento é uma forma de poder (novamente aí está a frase que citei no início). Para Bacon, o conhecimento humano, adquirido através da observação empírica e do raciocínio indutivo, pode ser usado para entender e manipular a natureza. Por outro lado, o conhecimento divino, que é inacessível ao ser humano, é visto por Bacon como a fonte última de toda a verdade. No entanto, ele acreditava que o ser humano poderia se aproximar desse conhecimento divino através do estudo e da compreensão da natureza. Portanto, para Bacon, o avanço do conhecimento humano, através da ciência, é uma forma de se aproximar do conhecimento divino. Ele via a ciência como uma forma de revelar as leis divinas que governam o universo. Assim, o conhecimento humano e o conhecimento divino estão intimamente ligados na filosofia de Bacon.

Analisando mais detalhadamente e procurando contextualizar esses escritos do século XVI e o progresso que atingimos até agora, vemos então que a relação entre conhecimento humano e poder é um tema central na filosofia e nas ciências sociais. Repetindo, Bacon originalmente escreveu:

- “Scientia potentia est” (Conhecimento é poder)

Mas desenvolveu ainda mais:

- “ipsa scientia potentias est” (“A própria ciência é poder”)

Voltando ao início: a interpretação tradicional dessa frase é que a educação e a acumulação de conhecimentos são a verdadeira possibilidade do ser humano de ser influente, de mudar, de crescer e até mesmo de ter sucesso profissional. Portanto, as possibilidades de ação e influência de uma pessoa aumentam proporcionalmente ao seu conhecimento.

- “Assim, se alguém pensar que a Filosofia e a universalidade são estudos inúteis, estará deixando de considerar que todas as profissões são por elas servidas e abastecidas.”

E ele pensou e escreveu sobre tudo isso no Século XVI, enquanto em nosso século pós-moderno ainda convivemos com NEGACIONISMOS.

Então, VALE A PENA.

Boia leitura.

NH, 19/11/203.

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