MEU LIVRO DA SEMANA - 63
- Carlos A. Buckmann
- 5 de nov. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 63
ÉTICA A NICÔMACO – (Aristóteles)
Aristóteles nasceu em Estagira, no norte da Grécia, em 384 a.C. Seu pai, Nicômaco, era médico na corte de Filipe II da Macedônia, pai de Alexandre, o Grande. No entanto o NICÔMACO a quem é destinada a obra, é seu filho, que recebeu o mesmo nome do avô paterno. Em 367 a.C., Aristóteles mudou-se para Atenas, que era o centro intelectual e cultural da Grécia antiga. Ele passou muitos anos estudando na Academia de Platão, cercado por outros filósofos, cientistas e matemáticos. Aristóteles é geralmente identificado como o fundador da lógica no Ocidente. Seu trabalho em filosofia influenciou ideias desde a antiguidade até o Renascimento. Sua filosofia visava o universal, e sua ontologia colocava o universal em particularidades, nas coisas no mundo.
"Ética a Nicômaco", é a obra mais conhecida de Aristóteles sobre o tema: a ciência do bem para a vida humana, que é o objetivo ou fim ao qual todas as nossas ações visam. O tema da obra é uma questão socrática explorada anteriormente nas obras de Platão, amigo e professor de Aristóteles, sobre como os homens deveriam viver melhor. A ética, diz Aristóteles, é prática e não teórica.
A "Ética a Nicômaco" consiste em dez subseções, referidas como livros ou pergaminho. Nelas encontramos belas citações, aforismos, como:
“Para as coisas que temos que aprender antes de podermos fazê-las, aprendemos fazendo-as”.
(...)
“Sem amigos, ninguém gostaria de viver, mesmo que tivesse todos os outros bens”.
Aristóteles estava vivo quando, sob Filipe II e mais tarde seu filho Alexandre, o Grande, o reino da Macedônia conquistou a Grécia e o Império Persa. Embora os macedônios se retratassem como gregos, os próprios gregos tendiam a ver os macedônios como invasores estrangeiros, levando a tensões culturais.
Quando o Império Romano conquistou a Grécia, o termo ética foi traduzido como moral, por ser o que mais se parecia e se adequava ao pensamento romano.
A ética e a moral estão relacionadas ao comportamento “certo” e “errado”. Embora às vezes sejam usadas de maneira intercambiável, elas são diferentes:
Ética, vem do grego Ethos – a inserção do indivíduo na coletividade, mas mantendo o foco no indivíduo. Portanto, Ética refere-se a condutas pessoais, independente de normas escritas. A ética é onde você ganha conhecimento sobre princípios morais, sobre certo e errado. A grande diferença quando se trata de ética é que ela se refere a valores comunitários, desenvolvidos pelos seus valores pessoais. A ética é um princípio imanente, que é a potência de vida do ser humano.
Moral, vem do Latim: Moris - Morales, que para os romanos o significado era REGRA, sobretudo como regra de conduta, modo de agir corretamente dentro da sociedade. Moral refere-se aos próprios princípios de um indivíduo em relação ao certo e ao errado e que pode variar de um povo para outro, de uma sociedade para outra. A moral define o caráter pessoal, enquanto a ética enfatiza um sistema social no qual esses princípios morais são aplicados. A moral pode diferir de sociedade para sociedade e de cultura para cultura. Ainda sobre MORAL, KANT propõe a autonomia da razão, onde cada um no mundo real é autônomo na sua heteronímia, (um contrassenso?) não sendo feliz por isso, mas podendo buscar a felicidade dentro das normas morais.
Para melhor entender a diferença entre ética e moral, vamos a um exemplo familiar: um pai extremamente “moralista” não conseguirá passar conceitos éticos a seu filho impondo uma educação violenta, pois a moral que ele exerce é regra imposta e, a ética é a maneira intrínseca de se comportar no convívio social, no relacionamento pai e filho. Não sei se me fiz entender. Espero que sim.
Mas voltemos a falar sobre a obra em si.
Aristóteles nos mostra os perigos dos extremos, tanto para mais ou para menos e que a moderação nos mantém dentro dos padrões éticos. Ele propõe a ideia do “meio-termo” como a chave para a virtude e a ética. Ele argumenta que a virtude é encontrada entre os extremos de excesso e deficiência, e que é o equilíbrio entre esses dois que nos mantém éticos.
Por exemplo, a coragem é uma virtude que Aristóteles discute em detalhes. Ele sugere que a coragem é o meio-termo entre a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (deficiência de coragem). Ser corajoso significa enfrentar o medo quando necessário, mas também saber quando é prudente evitar o perigo.
Essa ideia do meio-termo se aplica a todas as virtudes que Aristóteles discute em sua obra, incluindo generosidade, temperança, amizade e justiça. Cada uma dessas virtudes representa um equilíbrio entre dois extremos.
Aristóteles também enfatiza que o meio-termo não é o mesmo para todos. O que pode ser excessivo para uma pessoa pode ser deficiente para outra. Portanto, encontrar o meio-termo requer discernimento e compreensão de si mesmo.
Em suma, a “Ética a Nicômaco” de Aristóteles nos encoraja a buscar o equilíbrio em nossas vidas e ações como um caminho para a virtude e a ética.
Aristóteles, discute ainda várias virtudes que ele acredita serem fundamentais para a vida ética. Além do equilíbrio, que é o tema central de sua filosofia, ele também enfatiza a importância de outras virtudes, mas sempre na busca do equilíbrio, tais como:
1. Coragem: ele vê a coragem como uma virtude que está no meio-termo entre a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (deficiência de coragem).
2. Generosidade: Esta virtude está entre os vícios da mesquinhez e da extravagância, onde se esbanja e gera-se desperdícios.
3. Prudência: onde afirma que a prudência é uma das virtudes e a base de todas as outras. A prudência encontra-se na capacidade humana de deliberar sobre as ações e escolher, baseado na razão, a prática mais adequada à finalidade ética.
4. Justiça: que é vista como uma virtude que envolve dar a cada um o que lhe é devido.
5. Temperança: uma virtude que modera nossos desejos e apetites, permitindo que nos mantenhamos sempre equilibrado entre os extremos.
6. Amizade: Aristóteles vê a amizade como uma virtude importante para a vida ética. Lembra o que escrevi acima?
“Sem amigos, ninguém gostaria de viver, mesmo que tivesse todos os outros bens”.
7. Persistência, Paciência e Determinação: Estas são algumas das virtudes que o filósofo considera importantes para uma vida ética.
Além disso, não deixa por menos, quando também fala sobre as virtudes intelectuais, como conhecimento, sabedoria e discernimento. Ele argumenta que essas virtudes são essenciais para alcançar a felicidade.
Em suma, Aristóteles nos encoraja a cultivar essas virtudes em nossas vidas diárias como um caminho para viver de maneira ética. E eu acrescentaria, que é a única maneira que podemos encontrar para nos tornar realmente seres humanos. E, por que não, melhores?
Vale a pena.
BOA LEITURA
NH, 05/11/2023.
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