MEU LIVRO DA SEMANA - 61
- Carlos A. Buckmann
- 22 de out. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 61
AFORISMOS PARA SABEDORIA DE VIDA
(Arthur Schopenhauer)
Arthur Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão do século XIX, conhecido como o "filósofo do pessimismo", o que só vem comprovar o que escrevi na semana passada quando comentei o livro de Alain de Botton – considero Schopenhauer um “chato de galocha”. - Mas não posso desconhecer a importância de sua obra para a filosofia. Ele é mais conhecido por sua obra principal que ele orgulhosamente chama de “minha obra magna”, “O Mundo como Vontade e Representação” (1819), onde caracteriza o mundo fenomenal como o produto de uma vontade metafísica cega, insaciável e maligna. Schopenhauer foi um dos primeiros filósofos alemães a incorporar o pensamento oriental em seus escritos.
Nessa obra “Aforismos para a Sabedoria de Vida” apresenta uma perspectiva secular sobre os aspectos negativos da vida. Ela explora como as pessoas podem alcançar a felicidade diante do sofrimento que parece ser intrínseco à vida, conforme sua visão. Eis o filósofo do pessimismo.
A obra é composta em capítulos: “Daquilo que se é”, “Daquilo que se tem”, “Daquilo que se representa”, “Da diferença entre as idades”. Nesses ensaios, Schopenhauer discorre sobre a amizade, a simplicidade, a felicidade, a vida, a morte, a honra, sempre com um olhar sereno e estável, embora sem perder seu olhar pessimista.
Mas a obra é iniciada com um capítulo introdutório que ele intitula Divisão Fundamental, onde anuncia os assuntos a serem abordados detalhadamente nos capítulos que já mencionamos e, mais ainda, faz uma análise da importância que dá ao isolamento do indivíduo como ser humano:
- Um homem com riqueza de espírito tem, em total solidão, uma distração excelente em seus próprios pensamentos e fantasias, enquanto que, para um homem embotado mesmo a constante variação de companhia, espetáculos, passeios e divertimentos são incapazes de afastar o tédio martirizante.
Quando trata, no segundo capítulo DAQUILO QUE SE É, Schopenhauer expõe sua visão sobre a importância da personalidade e do caráter para a felicidade humana. Ele afirma que aquilo que somos em nós mesmos, ou seja, nossa natureza íntima, é o fator mais decisivo para o nosso bem-estar e contentamento. Ele contrasta isso com aquilo que temos, como bens materiais, posição social, fama, etc., e aquilo que representamos, como aparência, reputação, opinião alheia. (Como falei na semana passada, aqui Alain de Botton buscou inspiração para o seu DESEJO DE STATUS). Schopenhauer argumenta que esses fatores externos são secundários e transitórios, e que não podem nos satisfazer plenamente. Ele também discute como a personalidade e o caráter se manifestam nas diferentes idades da vida, nas relações interpessoais, na escolha da profissão, na saúde e na moralidade. Ele oferece conselhos práticos e reflexões filosóficas sobre como cultivar e preservar nossa individualidade e nosso valor interior. – Mesmo se relevando o período em que foi escrito, não dá para deixar de comentar que nesse capítulo, o lado racista do autor é expressamente manifesto:
- Os negros devem ser as pessoas mais sociáveis de todas, uma vez que são decididamente inferiores intelectualmente: segundo relatos vindos da América do Norte em jornais franceses (Le Commerce, 19 de outubro de 1837) os negros, livres e escravos misturados, encarceram-se em grandes números nos menores espaços, porque não conseguem ver seus rostos negros de nariz achatado suficientemente repetidos.
Não temos como não refutar esses pensamentos nos dias atuais.
No capítulo três, tratando sobre DAQUILO QUE SE TEM, ou seja, sobre os bens materiais, as posses, as riquezas e as propriedades que as pessoas adquirem ou desejam na vida, ele analisa como essas coisas afetam a felicidade e a sabedoria humana e oferece alguns conselhos sobre como lidar com elas. Algumas das ideias principais desse capítulo são:
A riqueza é relativa: Schopenhauer afirma que a riqueza não é uma medida absoluta de felicidade, mas sim uma medida relativa que depende da comparação com os outros. Ele diz que a riqueza só traz satisfação quando supera a dos outros, e que isso gera inveja, competição e descontentamento, citando os provérbios:
“O dinheiro não traz felicidade, mas acalma os nervos”.
“A riqueza é como a água do mar, quanto mais se bebe, mais sede se tem,”
A pobreza é preferível à riqueza excessiva: argumenta que a pobreza moderada é mais favorável à sabedoria do que a riqueza excessiva, pois a pobreza estimula a reflexão, a moderação, a independência e a criatividade. Ele diz que a riqueza excessiva torna as pessoas preguiçosas, vaidosas, dependentes e superficiais, citando o exemplo de Sócrates, que viveu na pobreza e foi o mais sábio dos homens.
A riqueza deve ser usada com prudência e generosidade: Schopenhauer recomenda que as pessoas usem sua riqueza com prudência e generosidade, evitando o desperdício, a ostentação, a avareza e a cobiça. Ele diz que a riqueza deve ser usada para satisfazer as necessidades básicas, para promover a cultura e a educação, e para ajudar os necessitados. E mais uma vez cita o exemplo de outro filósofo grego, Aristóteles, que gastou sua fortuna com livros e filantropia.
No quarto capítulo, DAQUILO QUE SE REPRESENTA, encontro aqui toda a inspiração de De Botton para o seu DESEJO DE STATUS. Ele nos mostra como a aparência, a reputação e a opinião dos outros influenciam a nossa felicidade e a nossa autoestima. Defende que devemos nos preocupar mais com o nosso valor interno do que com o nosso valor externo, e que devemos evitar a vaidade, a falsidade e a hipocrisia. Ele também explica como o nosso modo de vestir, de se expressar e de se comportar revela o nosso caráter e o nosso gosto, nos aconselhando para que sejamos sinceros, modestos e educados, e que busquemos a verdade, a beleza e a virtude.
Mesmo diante de tão belos pensamentos filosóficos, nesse capítulo, em duas passagens, manifesta seu lado xenofóbico, destacando a superioridade da raça alemã, e misógino, ao comentar sobre a inferioridade feminina.
O livro tem seu fecho em dois capítulos:
Parêneses e Máximas: Onde apresenta uma série de conselhos e reflexões sobre diversos temas relacionados à vida humana, como a felicidade, a virtude, a sabedoria, a moral, a religião, a arte, a política, a educação, o amor e a morte. Ele usa um estilo conciso e direto, muitas vezes recorrendo a citações de outros autores e exemplos históricos. Ele busca oferecer ao leitor uma orientação prática e filosófica para enfrentar os desafios e as oportunidades da existência.
Parêneses, é um termo que Schopenhauer usa no penúltimo capítulo, que significa conselhos, advertências ou exortações que o autor dirige ao leitor, com o objetivo de orientá-lo na busca pela felicidade e pela sabedoria.
Em “Da diferença entre as Idades”, último capítulo, Schopenhauer analisa como as diferentes fases da vida influenciam o caráter, o humor, o gosto e o comportamento das pessoas. Ele divide a vida em quatro períodos: infância, juventude, maturidade e velhice. Ele destaca as vantagens e desvantagens de cada um deles, bem como as mudanças que ocorrem na percepção do tempo, na memória, na imaginação, na razão e na vontade. São belíssimos conselhos sobre como aproveitar o melhor de cada idade e como se preparar para a transição entre elas.
Não deixando de ressaltar os aspectos xenofóbicos (e reafirmando que ele é “um chato de galochas”), Schopenhauer atribuiu a primazia civilizacional às raças brancas, que ganharam sensibilidade e inteligência através do refinamento causado pela vida no rigoroso clima do norte é evidente que, é importante notar que essas visões são agora amplamente rejeitadas e consideradas pseudocientíficas, para dizer o mínimo. Talvez se escrevesse hoje, responderia a processos.
Afora isso, é uma obra que VALE A PENA. Boa Leitura.
NH, 22/10/2023.
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