MEU LIVRO DA SEMANA - 59
- Carlos A. Buckmann
- 8 de out. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 59
LEVIATÃ (Thomas Hobbes)
Thomas Hobbes (1588-1679) foi um teórico político e filósofo inglês, conhecido justamente por sua obra “Leviatã”, um tratado político, cuja ideia central é a defesa do absolutismo e a elaboração da tese do contrato social. Ele nasceu em Westport, Inglaterra, e foi educado por seu tio após o abandono de seu pai. Hobbes teve uma vida ligada à monarquia inglesa, tornando-se preceptor de William Cavendish, que viria a ser o segundo duque de Devonshire.
Para entendermos LEVIATÃ, primeiro é preciso entender seu autor e o mundo onde nasceu e foi criado.
Thomas Hobbes nasceu em uma família anglicana. Seu pai era um clérigo da Igreja Anglicana, mas desapareceu após se envolver em uma briga, deixando Hobbes aos cuidados de um tio. Hobbes foi educado por esse tio e enviado para Oxford.
No entanto, apesar de sua criação anglicana, Hobbes desenvolveu uma visão agnóstica da religião. Ele acreditava que a autoridade bíblica se baseava na revelação direta e nos milagres, mas como os milagres haviam cessado, restava apenas a interpretação dos textos bíblicos como autoritativos. Hobbes, sendo protestante, rejeitava a legitimidade de uma única autoridade como intérprete oficial da vontade divina.
Essa falta de autoridade levou Hobbes a acreditar na necessidade da intervenção do Estado sobre a religião e resultou na impossibilidade de usar a Bíblia como lei. Isso colocou Hobbes em conflito com a Igreja Católica e o Governo Francês, que consideravam suas ideias antiteológicas, o que fez Hobbes se colocar em defesa de uma visão agnóstica.
O pensamento filosófico de Hobbes é muitas vezes descrito como materialista. Ele acreditava que o mundo é feito apenas de matéria e que todos os fenômenos (incluindo pensamentos, sentimentos, alma e Deus) podem ser explicados em termos de interações materiais.
“Leviatã”, reforçando o dito acima, é um tratado político que explora a natureza humana, o contrato social e o papel do Estado na sociedade. A obra se divide em quatro partes: 1) Natureza do homem e as leis naturais; 2) Natureza da sociedade civil e os direitos do poder soberano; 3) Da sociedade cristã; 4) Do reino das trevas
Quanto aos direitos do soberano, controlando a ordem religiosa, e como defensor do totalitarismo, escreve:
O soberano de um Estado, seja ela uma assembleia, seja um homem, não está sujeito às leis civis. Como ele é quem tem o poder de fazer e revogar as leis, pode, quando lhe aprouver libertar-se dessa sujeição, revogando as leis que o estorvam e fazendo novas, consequentemente, já era livre antes. Porque é livre quem pode libertar-se quando quiser.
(...)
No que diz respeito ao que será tratado a seguir, isto é, à natureza e aos direitos de um Estado cristão, em que muita coisa depende das revelações sobrenaturais da vontade de Deus, o fundamento do meu discurso deverá ser, além da palavra natural de Deus, a palavra profética.
Podemos também analisar essa obra, com base no que considero três afirmações de maior importância e contextualizando-as:
Vamos então ao contexto em que cada uma delas foi colocada:
“O homem é o lobo do homem” (traduzindo o dito latino de Plautus (254-184 a.C.) dramaturgo romano: “homo homini lupus"). Esta frase é uma tese da natureza humana. Segundo Hobbes, os indivíduos, buscando realizar seus interesses pessoais, acabariam criando uma constante guerra de todos contra todos. O homem é, desde a mais tenra infância, egoísta, parcial, competitivo, orgulhoso, vingativo, vaidoso e ambicioso.
“A liberdade consiste em poder fazer tudo aquilo que não prejudica a outrem”: Esta frase expressa a visão de Hobbes sobre a liberdade individual dentro da sociedade civil. Para Hobbes, a liberdade individual é limitada pela necessidade de preservar a paz e a ordem social. Assim, um indivíduo tem liberdade para fazer tudo o que quiser, desde que suas ações não prejudiquem os outros.
“O medo e a esperança são as duas paixões que levam os homens a crerem em coisas sobrenaturais”: Esta frase reflete a visão de Hobbes sobre as motivações humanas para a crença no sobrenatural. Segundo Hobbes, o medo e a esperança são as duas paixões fundamentais que levam os homens a crerem em coisas sobrenaturais. O medo do desconhecido e a esperança de um futuro melhor são forças poderosas que podem levar as pessoas a buscarem conforto e orientação nas crenças sobrenaturais.
O livro foi escrito no século XVII, durante um período conturbado para os ingleses (o Iluminismo Inglês), tanto no campo cultural quanto no religioso e político. Foi publicado em 1651, mesmo ano em que terminou a Guerra Civil Inglesa.
É um livro denso, com uma filosofia que abalou o pensamento inglês de sua época, mas que nos mostra o quanto a história se repete.
Vale a pena.
Boa leitura.
NH, 08/10/2023
# Fica a dica: Siga meu Blog:
https://betobuckmann46.wixsite.com/betobuckmannconsult/blog




Comentários