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MEU LIVRO DA SEMANA - 55

  • Carlos A. Buckmann
  • 10 de set. de 2023
  • 3 min de leitura

Atualizado: 29 de jan. de 2024

O MUNDO AINDA É JOVEM (Domenico De Masi)


Meu livro da semana – 55

O Mundo Ainda É Jovem – (Domenico De Masi)

Domenico De Masi é um sociólogo italiano, nascido em 1º de fevereiro de 1938, em Rotello, Itália. Ele é muito conhecido por seu conceito de “ociosidade criativa”, segundo o qual a ociosidade, longe de ser negativa, é um fator que estimula a criatividade pessoal. De Masi viveu em três cidades italianas: Nápoles, Milão e Roma. Aos dezenove anos, já escrevia artigos sobre sociologia urbana e do trabalho para a revista Nord e Sud. Aos 22 anos, lecionava na Universidade de Nápoles. Mais recentemente, ocupou o cargo de Professor de Sociologia do Trabalho na Universidade de Roma “La Sapienza”. Entre 1978 e 2000, dirigiu o S3.Studium, escola especializada em ciências organizacionais por ele fundada. Ele escreveu vários livros revolucionários. Entre eles estão “Desenvolvimento Sem Trabalho”, “A Emoção e a Regra”, “O Ócio Criativo (que já comentei anteriormente – vide meu Blog) e “O Futuro do Trabalho”. Em 2010, tornou-se cidadão honorário do Rio de Janeiro.

Em “O MUNDO AINDA É JOVEM” ele oferece um instantâneo do tempo em que vivemos através de conversas/entrevistas com a jornalista Maria Serena Palieri.

Aqui abro um parêntese para Maria Serena Palieri, cuja amizade com De Mais, nos legou inúmeras obras e uma nova e agradável arte de escrita.

Maria Serena Palieri, jornalista e escritora, nasceu em Roma em 6 de abril de 1953 e faleceu também em Roma em 16 de maio de 2023. Foi crítica literária, autora e tradutora de ensaios dedicados à narrativa italiana, à história das mulheres e aos aspectos emergentes do panorama político-social na Itália. Depois de estudar literatura e história do teatro na Universidade de Roma La Sapienza, ela trabalhou por mais de trinta anos no jornal Unità, cobrindo cultura e literatura italiana e estrangeira. Além disso, ela escreveu para várias publicações jornalísticas italianas, incluindo L’Espresso e Marie Claire. Ela também foi apresentadora de programas na Rádio Due Rai.

Fechamos o parêntese e voltamos à obra dessa semana.

O livro é estruturado como uma série de conversas divididas em dez unidades temática, longevidade, trabalho, engajamento, conceitos de natureza sociológica, como os de classe e gênero, ou mais próprios da psicologia, como medo e felicidade, sendo que o tema central é a possibilidade de otimismo, mesmo quando temos um cenário cheio de avisos inquietantes:

- Juntamente com vantagens inegáveis – como a música para todos no Spotify, a erudição para todos na Wikipédia, as imagens para todos no Instagram -, também nos deram a selva de fake News e de trolls, os golpes planetários subjacentes à economia do compartilhamento, a concentração inaudita de riqueza, de informação e de publicidade geradora de monopólios que nem mesmo o pior capitalismo ousara criar.

Porém, o otimismo está presente ao longo da argumentação de De Masi e é reforçado na parte final da obra quando apesar de sua visão otimista, o sociólogo fecha o livro com um “aviso” no qual debate os riscos do neofascismo, novas ameaças da extrema-direita e autoritarismo espalhados pelo mundo.

- Hoje, como então, tudo isso desorienta sobretudo as classes médias e incentiva muitos sacrificados, desiludidos e frustrados a compensarem a desorientação refugiando-se nos braços acolhedores de um líder disposto a assumir o papel despótico ao qual, por si só, já era chamado por nascimento e educação.

(...)

- A desconfiança em relação à cultura induz a eleger uma classe dirigente com total desinteresse pela densidade intelectual – senão contrária a ela – que deveria fortalecer a política em todos os setores e níveis.

De Masi não ignora preocupações e agentes do medo em nosso momento presente como sociedade pós-industrial. Pelo contrário, é a partir desses desconfortos e ansiedades que ele traça suas perspectivas e argumentos, analisando não apenas o trabalho, mas também sua relação com a sociedade e essa transição para uma sociedade pós-industrial marcada pelo avanço tecnológico e aparente obsolescência humana .

O contexto histórico em que esta obra foi escrita é aquele em que a sociedade se caracteriza por um sentimento de desorientação. O ponto de partida de De Masi é a verificação sociológica de que temos duas certezas irrefutáveis: primeiro, que o mundo em que vivemos certamente não é o melhor dos mundos, mas é sem dúvida o melhor mundo que já existiu até hoje; em segundo lugar, que o trabalho criativo da humanidade está apenas começando sua jornada e pela primeira vez na história, cabe a nós continuarmos ou interrompê-lo para sempre.

Eis um livro que vale a pena.

Boa leitura.

NH, 10/09/2023

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