MEU LIVRO DA SEMANA - 54
- Carlos A. Buckmann
- 3 de set. de 2023
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de jan. de 2024

MEU LIVRO DA SEMANA – 54
Marco Túlio Cícero (106 a.C. - 44 a.C.), filósofo, escritor, advogado e político romano. Ele nasceu em Arpinum, Itália, e morreu em Fórmias, assassinado por um centurião romano, a mando de Antônio, seu inimigo político. Considerado um dos maiores oradores da Roma antiga, Cícero introduziu os romanos às principais escolas da filosofia grega e criou um vocabulário filosófico latino. Ele se destacou como tradutor e filósofo, contribuindo significativamente para a filosofia política e a jurisprudência. Até hoje é muito lembrado pelas CATILINÁRIAS, um conjunto de discursos feitos por ele no senado romano, contra os desmandos de Catilina.
Em sua obra “Saber Envelhecer”, aqui impressa em conjunto com “A Amizade”, apresenta uma visão positiva e otimista da velhice, desenvolvendo a tese de que a “arte de envelhecer” é encontrar o prazer que todas as idades proporcionam, pois todas têm as suas virtudes.
- A vida segue seu curso muito preciso e a natureza dota cada idade de qualidades próprias.
É um texto límpido sobre a velhice.
- De minha parte, prefiro ser velho por menos tempo do que sê-lo permanentemente.
A estrutura narrativa da obra é composta por várias seções que abordam diferentes aspectos da velhice. Cícero considera falsa a “acusação” de que a idade avançada impede que se continue à frente de negócios, pois as únicas atividades desaconselhadas, são aquelas em que se exige o mesmo vigor físico da juventude, e discute sobre a debilidade do corpo e da mente na velhice, argumentando que a memória só é afetada se a pessoa deixa de exercitá-la.
- Aliás, os velhos a conservam tanto melhor quanto permanecem intelectualmente ativos.
Cícero refuta a ideia de que a velhice afasta os prazeres. Em vez disso, argumenta que a velhice pode ser uma fase de vida doce e harmoniosa se abordada com a atitude correta. Cícero enfatiza que a sabedoria, a experiência e o discernimento são qualidades que os idosos possuem e que podem gerar coisas grandiosas.
Ele defende que o engenho persiste nos idosos, desde que deem continuidade aos estudos e ao trabalho. Portanto, para Cícero, a velhice não é um período de declínio, mas uma fase da vida que pode ser rica e gratificante se vivida com sabedoria e discernimento.
Influenciado pela filosofia grega do estoicismo, nos mostra o saber viver sem medo da morte, única certeza que podemos ter da vida e que, portanto, é inútil temê-la:
- A maneira mais bela de morrer é, com a inteligência intacta e os sentidos despertos, deixar a natureza desfazer lentamente o que ela fez.
Defensor ferrenho da honra e da dignidade, combativo na defesa da verdade, gerou inimizades perigosas, como Catilina e Antônio, o que levou a seu assassinato, como descreve:
- A velhice só é honrada na medida em que resiste, afirma seu direito, não deixa ninguém roubar-lhe seu poder (...) Gosto de descobrir o verdor num velho e sinais de velhice num adolescente. Aquele que compreender isso envelhecerá talvez em seu corpo, jamais em seu espírito.
Não importa a sua idade, SABER ENVELHECER é uma obra necessária para todas as idades. Se você é jovem, suas lições, se bem aprendidas, evitará que envelheça prematuramente seu espírito. Se você, como eu, já tem idade suficiente para saber que teve uma vida útil, encontrará força e sentido para continuar com sua mente aberta e evoluindo sempre, possibilitando ser exemplo para conseguirmos viver em um mundo melhor.
Vale a pena.
Boa leitura.
NH, 03/09/2023.




Comentários