MEU LIVRO DA SEMANA -50
- Carlos A. Buckmann
- 4 de ago. de 2023
- 7 min de leitura
Atualizado: 18 de set. de 2023

MEU LIVRO DA SEMANA – 50
ROMPENDO FRONTEIRAS (Beto Buckmann)
Hoje o livro escolhido é de minha autoria e está em fase de editoração para ir à impressão e posterior lançamento. Sei que é um livro polêmico, pois os assuntos tratados são POLÊMICOS.
Então, não vou fazer nenhuma sinopse e sim, diretamente expor a introdução que abre o livro e que já vai gerar muita polêmica, mas estou preparado para receber as críticas e o que mais vier:
INTRODUÇÃO
Ninguém pode ser um grande pensador se não reconhece que, como pensador, seu primeiro dever é seguir seu intelecto em quaisquer conclusões a que ele possa levar.
John Stuart Mill
Em meu primeiro livro, ENSAIOS SOBRE GESTÃO DE PEQUENAS EMPRESAS, um dos ensaios ali publicados, tinha o título de ATRAVESSANDO FRONTEIRAS, que iniciava assim:
- Tanto ou mais do que dominar o fogo, foi o ato de transpor fronteiras, que levou a humanidade a evoluir desde o “Australopithecus” ao “Homo Sapiens” de nossos dias. O historiador israelense Yuval Noah Harari, em sua obra SAPIENS, traz a seguinte narrativa: -“... Os humanos surgiram na África Ocidental há cerca de 2,5 milhões de anos, a partir de um gênero anterior de primatas chamado Australopithecus, que significa “macaco do sul”. Por volta de 2 milhões de anos atrás, alguns desses homens e mulheres arcaicos deixaram sua terra natal para se aventurar e se assentar em vastas áreas da África do Norte, da Europa e da Ásia.”
Com certeza, mesmo sem dominar o fogo, essa onda migratória, foi levando seus parcos conhecimentos para mais e mais lugares em que foram se estabelecendo e evoluindo.
Trazendo para nossos séculos recentes, do XV ao XXI e mais precisamente ainda nas últimas quatro ou cinco décadas, foi o rompimento de fronteiras físicas, intelectuais e cibernéticas que trouxeram os maiores progressos para a humanidade.
Este curto ensaio, que se resumiu há pouco mais de duas páginas, ficou com aquele gosto de “quero mais”, pois com meu hábito de filosofia, ou melhor dizendo, de filosofar para conhecer, sigo sempre à procura do porquê e senti que era um assunto a ser desenvolvido com mais minucias, mais estudado, mais aprofundado em cada detalhe das inúmeras fronteiras que precisam ser derrubadas para conseguirmos um mundo melhor.
Entretanto, se nossos antepassados puderam migrar do sul da África para o norte e daí para os demais continentes, foi porque na realidade não existiam barreiras e as únicas fronteiras eram as distâncias a serem percorridas em busca de comida, como caçadores coletores.
As primeiras fronteiras, como barreiras, foram criadas com a evolução da espécie até se transformar em homo sapiens.
Jean Jacques Rousseau, em seu “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, escreveu:
- O primeiro que, ao cercar um terreno, teve a audácia de dizer, isto é meu, e encontrou gente bastante simples para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil.
E certamente, foi aí que nasceu a primeira fronteira a separar o que antes era de todos para criar a propriedade privada e iniciar a disputa pela mais valia.
Criada a primeira barreira, nasceu também a necessidade de a ultrapassar. O vasto continente europeu com seus inúmeros estados, alguns de tamanho menor de que muitos estados brasileiros, só alavancou seu desenvolvimento no final do século XX, mais precisamente em 1980, pelo tratado de Londres, quando derrubou as barreiras comerciais e criou o Mercado Comum Europeu, já profetizado por José Ortega Y Gasset em sua obra A REBELIÃO DAS MASSAS, publicado inicialmente em 1929;
- Não o que fomos ontem, mas o que vamos fazer juntos amanhã nos reúne em Estado.
(,,,,,)
Esta tendência política avançara inexoravelmente até unificações cada vez mais amplas, sem que haja nada que a detenha a princípio. A capacidade de fusão é ilimitada.(A Revolução da Massas. Vide Editorial página 254 – 5ª edição – janeiro de 2016)
À medida que o ser humano evoluía como espécie, também involuía em relacionamento comunitário, motivado pela ganância e sede de poder, criando barreiras físicas e intelectuais, como sentenciou Lorde Acton (John Dalberg-Acton):
"O poder tende a corromper, e o poder absoluto corrompe absolutamente, de modo que os grandes homens são quase sempre homens maus.”
e Thomas Hobbes, em seu Leviatã escreveu
“O homem é lobo do homem”
traduzindo o dito latino de Plautus (254-184 a.C.) dramaturgo romano:
“homo homini lupus"
Mas para evoluirmos, para ultrapassar as fronteiras que nos impedem do pleno desenvolvimento como seres humanos, é preciso que queiramos aprender, que queiramos buscar conhecimento em todas as áreas possíveis, que tiremos lições da história, tanto recente como as mais antigas. A história tem sempre lições a nos ensinar. Como escreveu Eduardo Galeano na introdução de sua obra AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA:
“A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi, e contra o que foi, anuncia o que será.”
A realidade dos dias atuais nos mostra que, se o mundo anda um passo para afrente na tentativa de romper com as barreiras, logo criam-se novos obstáculos, fazendo que a humanidade de um passo para trás. Slavoj Zizek, em um de seus ensaios no livro “Bem-vindo ao Deserto do Real, publicado pela Boitempo em 2003, na página 171, escreveu:
Recentemente uma decisão abominável da União Europeia passou quase sem ser notada: o plano de estabelecer uma força policial de fronteira para toda a Europa a fim de assegurar o isolamento do território da União e assim evitar a entrada de imigrantes.
Então, resolvi escrever sobre isso: as fronteiras que ainda precisam ser derrubadas. Em cada página deste livro, vou abordar os temas (fronteiras) que ainda nos impedem de evoluir para uma humanidade de progresso dentro da paz,
Não tenho a menor pretensão de apresentar soluções, mas simplesmente fazer registros históricos que nos incitem a pensar, a filosofar, a buscar conhecimento como forma de evoluir.
Começarei pela mais importante e que em nosso país, é a maior barreira (fronteira) a ser derrubada: A EDUCAÇÃO, sem a qual nenhum progresso e nenhuma paz será conseguida. Como escreveu Castro Alves em seu ESPUMAS FLITUANTES:
(...)
Oh! Bendito o que semeia Livros à mão cheia E manda o povo pensar! O livro, caindo n'alma É germe – que faz a palma, É chuva – que faz o mar!
(...)
No apanhado histórico e bibliográfico que apresento, está apenas a intenção de despertar o interesse do leitor para que busque sair de sua zona de conforto.
Minha filosofia, meu jeito de pensar, é que só com a educação se consegue um povo mais “adulto” (repentinamente, me parece um termo um tanto impróprio, pois tem muito adulto imbecil). Assim, abordada esta fronteira, passaremos a estudar ao que chamarei de sub-fronteiras, ou empecilhos criados pela falta de educação, (entendendo por borda, beirada, como sinônimos de fronteira; daí o abordar): juventude, medo, estado, ingenuidade, passado (que posso chamar de tradição), demagogia, sonhos, linguagem, sentido (propósito), pobreza, salários e quantas barreiras mais nos forem erguidas.
A segunda grande fronteira, é a RELIGIÃO, que também cria inumeráveis sub-fronteiras, ou intransponíveis barreiras. Abordaremos os fatos históricos de todas as religiões em todos os tempos, algumas mais reduzidamente e outras mais detalhadamente, conforme seu grau de relevância e de seguidores no mundo atual. Minha intenção é fazer o registro do quanto cada uma tem, a seu modo, as suas verdades e seus dogmas, para que cada leitor chegue às suas conclusões.
Se visualizarmos nossa terra dentro do sistema solar e mais ainda dentro do cosmos como um todo, somos uma “poeira espacial” que temos a pretensão de nos chamar de planeta. O astronauta Jeff Ashby, comandante do ônibus espacial, lembrando de sua primeira viagem em órbita terrestre declarou:
“Na Terra, astronautas olham para as estrelas – a maioria de nós é fanática por estrelas- mas, no espaço, elas continuam iguais ao que são aqui. O que tem de diferente é a Terra, a perspectiva que ela lhe dá. (...) Ao enxergar a fragilidade daquela camadinha fina sobre a qual existe toda a humanidade, é fácil entender a conexão entre alguém em um lado do planeta e alguém do outro lado – não há fronteiras. Então parece existir apenas uma camada única em que todos vivemos.”
Visto desta perspectiva, da insignificância de nossa integração no cosmos, fica difícil entender o porquê de criarmos barreiras, fronteiras entre nós, já que, mesmo insignificantes, rompemos a barreira do espaço sideral.
Então, vamos juntos. É preciso romper fronteiras para evoluirmos em um mundo melhor, para uma vida mais plena e mais feliz.
Quero deixar registrado também, que foram dois anos de intensas pesquisas, lendo em média de um a dois livros por semana, buscando embasamento para o que aqui vai exposto.
Ah! Em tempo: este não é um livro de autoajuda. Se você ainda acredita nestas bobagens, nem perca seu tempo. Esse é um livro em que te proponho a pensar e agir. Só com ação (trabalho) e mente aberta (que sabe pensar por si mesmo) conseguiremos um mundo melhor, pois é com a mudança de cada um que mudaremos o mundo (ou quem sabe, pelo menos mudaremos a sociedade em que vivemos, nossa empresa, a cidade, nosso estado, ou nosso Brasil) qualquer um, já será um começo.
Mais uma observação, ou esclarecimento, como preferirem: nesse livro não haverá notas de rodapé, nem números indicativos de referências para serem consultados no fim da obra. Todas as minhas citações virão com imediata fonte de referência, em respeito a seus autores em quem me baseei e para que não se perca o foco do assunto na tentativa de buscar a fonte da informação. Então, é papo reto. Direto à fonte. É como eu gosto de ler. Portanto é assim que escrevi.
Reforçando, minha intenção é mostrar, através dos registros aqui deixados com base nas pesquisas, que temos um longo caminho a percorrer e que o percorrido até aqui, não é suficiente para avançarmos rumo a um mundo melhor, como escreveu André Comte-Sponville:
Nascemos homens, tornamo-nos humanos.
Será?
Reflita com os versos do poeta português FERNANDO CORREIA PINA:
SALDO NEGATIVO
Dói muito mais arrancar um cabelo de um europeu que amputar uma perna, a frio, de um africano.
Passa mais fome um francês com três refeições por dia que um sudanês com um rato por semana.
É muito mais doente um alemão com gripe que um indiano com lepra.
Sofre muito mais uma americana com caspa que uma iraquiana sem leite para os filhos.
É mais perverso cancelar o cartão de crédito de um belga que roubar o pão da boca de um tailandês.
É muito mais grave jogar um papel ao chão na Suíça que queimar uma floresta inteira no Brasil.
É muito mais intolerável o xador de uma muçulmana que o drama de mil desempregados em Espanha.
É mais obscena a falta de papel higiênico num lar sueco que a de água potável em dez aldeias do Sudão.
É mais inconcebível a escassez de gasolina na Holanda que a de insulina nas Honduras.
É mais revoltante um português sem celular que um moçambicano sem livros para estudar.
É mais triste uma laranjeira seca num kibutz hebreu que a demolição de um lar na Palestina.
Traumatiza mais a falta de uma Barbie de uma menina inglesa que a visão do assassínio dos pais de um menino ugandês
e isto não são versos;
isto são débitos numa conta sem provisão do Ocidente.
Boa leitura. (Quando for lançado)
NH, 06/08/2023.
Obs.: Para cobrir os custos de publicação desse livro, estou fazendo uma “vaquinha” entre meus apoiadores. Quem quiser colaborar, por favor entre em contato pelo WhatsApp (51) 99259-6364.




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