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MEU LIVRO DA SEMANA

  • Carlos A. Buckmann
  • 1 de out. de 2022
  • 2 min de leitura

Utopia para Realistas – Rutger Bregman


Pensando bem, neste dia que antecede as eleições para a presidência da República, governos estaduais e casas legislativas, todo mundo deveria ter lido dois livros essenciais para uma tomada de consciência e votar com maior assertividade: 1984 de George Orwell e UTOPIA PARA REALISTAS de Rutger Bregman. No entanto, como o primeiro (1984) é um clássico atemporal e por demais conhecido (será?), vou me ater a comentar o segundo citado.

Publicado no Brasil pela editora Sextante, UTOPIA PARA REALISTAS do jovem historiador e pesquisador holandês, Rutger Bergman, autor de mais quatro obras sobre história, filosofia e sociologia, está na lista dos mais vendidos pelo Sunday Times.

O filósofo Zygmunt Bauman definiu como - “Leitura obrigatória para todos aqueles que se preocupam com as injustiças da sociedade atual e desejam contribuir para sua cura.” – numa síntese que eu não poderia definir melhor.

Lançado em 2016, o texto é atualíssimo, com informações socioeconômicas mundiais documentadas, analisadas e projetadas para a formação de um mundo mais justo, mais igualitário e, com certeza então mais humano.

Numa análise sobre a concentração e distribuição de riquezas pelo mundo, nos mostra os caminhos possíveis para uma utopia realizável.

Citando Joseph Hanlom: - “A pobreza é fundamentalmente uma questão de falta de dinheiro. Não de estupidez. Não tem como esperar que alguém gaste as solas dos sapatos atrás de emprego quando nem sapatos tem.” – aponta o grande problema da desigualdade entre as pessoas, que eu não gostaria de chamar de classes, pois estaria desconhecendo a humanidade pessoal de cada um de nós, que nascemos iguais, nus, como também vamos deixar esse mundo. A divisão dos seres humanos em classes é o que sempre dificultou a utopia de agora, ou a de Thomas Morus, tanto faz.

Suas análises vão mais fundo, quando cita o diálogo com dois engenheiros do MIT: - “É o grande paradoxo da nossa era. A produtividade está em nível recorde, a inovação nunca foi tão rápida e, mesmo assim, temos renda média em queda e menos empregos.”

Mas Rutger não se atém em apenas apontar os problemas, mas traz as sugestões que se são utópicas para os que apenas visam o lucro e o acúmulo de riquezas, mas são possíveis e plenamente realizáveis para os que pensam como ele, onde me incluo.

Em sua utopia ele afirma – “Renda básica; essa é uma ideia cujo tempo já chegou” – e então descreve o projeto MINCOME (Abreviatura de Renda Mínima, em inglês) , CANADÁ - desenvolvido no pequeno município de Dauphin de pouco mais de 13.000 habitantes, onde a utopia se tornou realidade, mostrando que é possível sim, um governo comprometido com seus compatriotas fazer um mundo melhor.

Como define BRIAN ENO, produtor musical e ativista, Rutger Bregman faz parte da nova geração de pensadores que sugere alternativas empolgantes para as ortodoxias dos últimos 50 anos.

Ao ler esse livro, você sentira esperanças ou até mesmo a certeza de que um mundo melhor é possível, principalmente se cada um de nós fizer a sua parte.

NH, 01/10/2022.

 
 
 

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