MEU LIVRO DA SEMANA - 48
- Carlos A. Buckmann
- 23 de jul. de 2023
- 2 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 48
Carta Sobre a Tolerância – (John Locke)
Um século antes da revolução francesa de 1789, ocorreu na Inglaterra a Revolução Gloriosa (1688), que foi a última fase do movimento impulsionado pelo Parlamento e o príncipe Guilherme de Orange, contra a proteção do rei Jaime II à religião católica. A Revolução Gloriosa é considerada o encerramento da Revolução Puritana e determinou o fim do absolutismo na Inglaterra e a formação da monarquia constitucional, então passando a predominar o poder do Parlamento sobre o poder real.
John Locke, (1632-1704) considerado o pai do liberalismo, estando exilado em Amsterdã , na Holanda, escreveu essa obra em 1686, em latim, traduzida para o inglês por William Popple, no mesmo ano. Ou seja, um século antes de Voltaire escrever o seu Tratado Sobre a Tolerância, sendo que, em ambos os casos o tema trata da intolerância religiosa.
Nesta obra, Locke ao defender a tolerância religiosa, explica por que ela deveria ser a norma em todos os estados partindo da necessidade de afastamento entre Estado e Igreja. Ele defende atribuições diferentes para cada uma dessas instituições, assim como poderes próprios para a realização de suas devidas funções .
Entendendo o poder das religiões sobre os destinos humanos, escreve no início de sua epístola:
- Porque, apesar do que algumas pessoas alardeiam a cerca da antiguidade de seus lugares e nomes, ou do esplendor de seu ritual de culto, outras sobre a reforma de sua doutrina (claramente se referindo à reforma protestante), bem como, todas elas, da ortodoxia de sua fé – pois todos são ortodoxos para si mesmos (...) marcas da luta de homens empenhados em alcançar o poder (...)
Locke é bastante contundente em sua crítica ao poder exercido pelas religiões, submetendo os seres humanos através de dogmas criados e inculcados em mentes menos esclarecidas e sem um verdadeiro propósito de vida, mas atormentados pela esperança de uma salvação em outra vida, pós morte:
- Vemos, finalmente, com toda a clareza, o que o zelo pela Igreja, associado ao desejo de domínio, é capaz de produzir, e com que facilidade a religião e o cuidado da salvação das almas servem de subterfúgio para a espoliação , a rapina e a ambição.
Embora seja um livro escrito há mais de três séculos, nos traz à realidade brutal de nossos dias, onde a manipulação religiosa é a grande força que impulsiona o poder.
Nesse livro, a exemplo de suas outra obras em que trata sobre os governos democráticos, entende-se o porquê de suas ideias serem o embasamento para o liberalismo, não esse explorador que conhecemos hoje, mas o do respeito pelas liberdades individuais.
No contexto do que vivemos em nossas dias, essa é uma obra que nos faz refletir.
Vale a pena.
Boa leitura.
NH, 23/07/2023.
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