MEU LIVRO DA SEMANA - 46
- Carlos A. Buckmann
- 9 de jul. de 2023
- 4 min de leitura

EMÍLIO, ou Da Educação. (Jean-Jacques Rousseau)
Durante os dois últimos anos, tenho dedicado minhas leituras para pesquisas sobre os temas que estou escrevendo para o meu próximo livro, buscando registros históricos sobre as duas grandes barreiras que nos impedem de crescer como nação e mesmo como seres humanos, já que não se constrói uma nação sem cidadãos conscientes. Assim, minhas leituras têm se focado nos temas de educação e de religião, que são fronteiras que precisamos ultrapassar para crescermos como gente, para construir um país melhor e mais justo. Por isso trago hoje essa análise sobre a mais importante obra de Jean-Jacques Rousseau:
EMÍLIO, ou Da Educação.
O pensamento de Rousseau admitia o avanço da ciência e da técnica, (na época não se compreenderia usar o termo tecnologia), e que a vida civilizada estava se tornando mais suave através das artes, mas negava que isso estaria tornando o ser humano melhor no ponto de vista da ética. Demonstra bem isso ao Escrever “EMÍLIO ou Da Educação”, uma obra filosófica sobre a natureza do homem, escrita em 1762, e que ele próprio afirmava: "Emílio foi o melhor e mais importante de todas minhas obras." Abordando temas políticos e filosóficos referentes à relação do indivíduo com a sociedade, particularmente explica como o indivíduo pode, através da educação, conservar sua bondade natural, enquanto participa de uma sociedade que ele considera inevitavelmente corrupta, através da tomada de consciência (Rousseau sustenta que o homem não é mau por natureza).
"Há no fundo das almas um princípio inato de justiça e de virtude, com o qual nós julgávamos as nossas ações e as dos outros como boas ou más; e é a este princípio que dou o nome de consciência."
Rousseau propõe, mediante a descrição do homem, um sistema educativo que permita ao “homem natural” conviver com essa sociedade corrupta. – Corrupta no trato com seus semelhantes e cruel no trato com os animais:
"Os animais que você come não são aqueles que devoram outros, você não come as bestas carnívoras, você as toma como padrão. Você só sente fome pelas criaturas doces e gentis que não ferem ninguém, que o seguem, o servem, e que são devoradas por você como recompensa de seus serviços."
(...)
"De todos os animais, o homem é aquele a quem mais custa viver em rebanho."
Também acompanha o tratado de uma história romanceada do jovem Emílio e seu tutor, para ilustrar como se deve educar ao cidadão para chegar ao ser humano ideal. No entanto, Emílio não é um guia detalhado para uma educação primorosa com a finalidade acima descrita, mas, ainda assim inclui alguns conselhos sobre como educar as crianças. Essa obra é considerada o primeiro tratado sobre filosofia da educação no mundo ocidental e uma das principais publicações do Iluminismo.
Dividido em cinco “livros”, nas suas 711 páginas, sendo os três primeiros dedicados à infância de Emílio. O quarto à sua adolescência, e o quinto à educação de Sofia, a “mulher ideal” e futura esposa para Emílio e à vida doméstica e civil deste, incluindo sua formação política. Ora não podemos deixar de contextualizar os usos e costumes da época em que essa obra foi escrita , o que aqui se observa, quando trata das diferenças homem/mulher:
A principal diferença apontada é que o objetivo de ambos é comum, mas as maneiras de atingirem esses objetivos são diferenciadas. O homem é ativo e forte, enquanto a mulher é passiva e fraca. Assim, é necessário que um possa e queira, enquanto o outro possa e resista um pouco. A partir desta diferença, Rousseau impõe que a mulher é feita especialmente para agradar ao homem e o homem agrada pelo simples fato de ser forte. Uma maneira romantizada dos costumes do século XVII, herdados de toda uma história milenar da submissão da mulher, destinada para cuidar dos filhos e da casa.
Emílio, o livro, foi proibido e queimado em Paris e em Genebra, por causa do controverso fragmento sobre a “Profissão de fé do vigário Saboiano”(alguns autores grafam como Savoiano); porém, apesar, ou por causa de sua reputação, pois tudo que é proibido desperta a curiosidade, rapidamente converteu-se em um dos livros mais lidos na Europa. Durante a Revolução francesa, Emílio serviu como inspiração do novo sistema educativo nacional.
A "Profissão de Fé do Vigário Saboiano" é um capítulo do livro, onde Rousseau apresenta a religião natural através do personagem do Vigário Saboiano, um padre católico que vive na região de Saboia, na França. O Vigário explica sua crença em Deus baseada em princípios como os sentimentos naturais do homem, a consciência e a razão, e a revelação cristã. (Mais tarde, Baruch Espinosa aprimorou esse pensamento).
Este capítulo foi considerado controverso na época em que foi publicado, pois apresentava uma visão crítica da religião organizada e defendia uma crença, como já escrevi, baseada na razão e na experiência pessoal, em vez de seguir dogmas e tradições.
A "Profissão de Fé do Vigário Saboiano" continua sendo um texto importante para entender o pensamento de Rousseau sobre religião e moralidade. Ele defende que a verdadeira religião é aquela que nos leva a fazer o bem e a agir de acordo com nossa consciência, em vez de seguir cegamente as regras impostas por instituições religiosas.
Como toda a obra de Rousseau, esse é mais um livro, pelo seu conteúdo pedagógico e histórico, que vale a pena ser lido.
Recomendo.
Boa leitura.
NH, 09/07/2023.
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