MEU LIVRO DA SEMANA - 43
- Carlos A. Buckmann
- 25 de jun. de 2023
- 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 43
A felicidade, desesperadamente (André Comte-Sponville)
Antes de falar sobre esse livro e sua importância, me atrevo a lhe perguntar: - Você é Feliz? Sempre? Às vezes? Como você define a felicidade? A felicidade é possível? – Responda para si mesmo. Aliás, as respostas estão dentro de você mesmo.
André Comte-Sponville, nasceu em Paris a 12 de março de 1952, filósofo materialista e professor de filosofia tendo publicado diversos livros, entre eles o mais famoso, não é esse que vamos analisar e sim, O Espírito do Ateísmo, publicado em 2006. Mas esse eu comento em outra oportunidade. Por ora vamos nos ater ao tema da Felicidade, desesperadamente.
A procura da felicidade, consciente ou inconscientemente, sempre foi o que moveu o ser humano, a começar pelos meios de sobrevivência, pela busca da paz interna, ou apenas então, pela simples razão de viver melhor.
Sponville nos mostra que é através da filosofia que podemos entender o que é e como é possível a felicidade, buscando nela o seu entendimento, como salientei acima, nas respostas que estão dentro de você mesmo:
- Se a filosofia não nos ajuda a ser felizes, ou a ser menos infelizes, para que serve a filosofia?
E através do pensamento de Epicuro, (341/270 a.C.) o filósofo grego que criou “O Jardim” para com seus discípulos buscarem o prazer na simplicidade de tudo o que a vida nos dá, ele parte da seguinte premissa:
- A filosofia é uma atividade que, por discursos e por raciocínios, nos proporciona uma vida feliz.
A partir daí, nos mostra como a felicidade só é possível através do conhecimento, da sabedoria (do mundo e principalmente de nós mesmos), através da busca da verdade:
- O que é a sabedoria? É a felicidade na verdade, “ou a alegria que nasce da verdade”.
Baseando-se na ética de Espinosa (Baruch Espinosa (1632-1637), e em todo seu pensamento dali desenvolvido, mostra que precisamos encarar a vida e o mundo, como ela/ele é. E como fulmina Clóvis de Barros Filho: E PONTO. A vida é o que é. É o viver a cada momento, isso não nos impedindo de ser cada vez melhor através da evolução do conhecimento, da verdade. É o conviver com o que se nos é apresentado a cada momento que vamos encontrar a felicidade, que assim não precisa ser desesperadamente. Pode ser simplesmente entendendo que:
- Mais vale uma verdadeira tristeza do que uma falsa alegria.
De uma leitura fácil, gostosa e envolvente, esse pequeno grande livro (formato de bolso e apenas 140 páginas) nos mostra o poder da sabedoria e da verdade, que só encontramos no saber filosofar, e assim poderemos chegar a ser felizes:
- (...) muitos são filósofos sem serem profissionais da filosofia, e é melhor assim; e alguns são profissionais ou professores de filosofia sem que por isso sejam filósofos, e azar deles.
Dessa perspectiva, entendemos que, filosofar é buscar dentro de nós, fora de simples recortes de ideologias, sempre o conhecimento, a verdade, como única forma de ser feliz, deixando de ser desesperadamente.
Se a busca da felicidade nos leva ao desespero, isso com certeza nos afasta do caminho correto que nos leva àquela. E se sabemos que o mundo é o que é, que a vida é o que é, não temos porque chegar a busca dessa tão acalentada felicidade, com desesperança ou com temor.
- O contrário de esperar não é temer, o contrário de esperar é saber, poder e gozar.
Para finalizar esse pequeno comentário da obra, quero trazer uma frase de Jules Renard (1864-1910) que Sponville destaca na página 74 do livro:
- Nada desejo do passado. Já não conto com o futuro. O presente me basta. Sou um homem feliz porque renunciei a felicidade.
Mas, por favor, não renuncie de ser feliz, pois o cominho é como o mundo é. E PONTO.
– Mas Sponville nos deixa a indicação:
- Não há sabedoria que não seja de alegria; não há alegria que não seja de amar.
É o que de coração, lhe desejo.
Vale a pena. Boa leitura.
# Fica a dica: Siga meu blog:




Comentários