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MEU LIVRO DA SEMANA

  • Carlos A. Buckmann
  • 18 de set. de 2022
  • 2 min de leitura

DIAS E NOITES DE AMOR E DE GUERRA (Eduardo Galeano)

Uma autobiografia em pequenas gotas, entre poesia e terror, assim gosto de definir esta obra de Eduardo Galeano (Montevidéu – 1940/2015). Poesia em seu texto sem compromisso com estilo único, onde descreve momentos de amor e paixão nestes “dias e noites de amor e de guerra”, e de palavras secas e apenas descritivas dos duros momentos de amigos sumidos, desaparecidos, torturados e mortos, pelas ditaduras militares que assolaram sua (e por que não nossa?) América Latina, entre os anos sessenta e oitenta do século passado.

Aqui Galeano nos conta suas histórias de como começou sua carreira de escritor e lutador por uma América Latina livre e soberana, de seu exílio entre Argentina e Espanha, passando pelo Brasil, e sua volta a sua volta a sua Montevidéu.

Palavras secas e duras, quando escreve: - “Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, mais vale ficar calado”. - Poesia pura quando escreve: - “Caminhamos juntos, no bom frio da noite. A lua, apagada, deixava ver os movimentos das marés das copas das árvores, ondas lentas, e estavam vivas as árvores, estavam cúmplices, e o mundo circulava suave debaixo dos pés.” – Esta variação de estilos, nos prende na leitura e nos faz viajar com Galeano por todo um tempo que não pode ficar esquecido, que não podemos deixar apagar de nossas memórias, para que evitemos que se repita com todos os seus medos e horrores. Medos e horrores que, apesar deles, lhe deram, com sua imortal obra, AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, vários prêmios como o American Book Award da Universidade de Washington e o Dagerman da Suécia, entre outros.

Mas voltemos para o “Dias e Noites” onde em suas caminhadas em busca de estórias de nossa história, seleciona frases escritas nos muros do cais de Mar Del Plata:

“Busco Cristo e não o encontro.

Me busco a mim mesmo e não me encontro.

Mas encontro ao meu próximo e juntos vamos os três.”

A poesia e a filosofia se misturam desde os pequenos títulos que dividem o livro, como esse: - “A memória nos dará licença para sermos felizes?” - até às grandes reflexões: - “Os presos da necessidade quantos são? É livre um homem condenado a viver perseguindo o trabalho e a comida? Quantos tem o destino marcado na testa desde o dia em que apareceram no mundo e choraram pela primeira vez? A quantos se nega o sol e o sal?” - Galeano é tudo isso nesse livro: história, filosofia, poesia e, acima de tudo, verdade nua e crua. Eu o li de um só fôlego. Não dá pra desprender os olhos de suas páginas. Não tem como não rir e não chorar. Não tem como não viver em cada uma de suas pequenas estórias de nossa história.

Quer uma boa leitura?

Viva esses DIAS E NOITES DE AMOR E DE GUERRA.

NH – 18/09/2022.

 
 
 

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