MEU LIVRO DA SEMANA - 38
- Carlos A. Buckmann
- 21 de mai. de 2023
- 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 38
ENSAIOS – (Michel de Montaigne)
Michel Eyquem de Montaigne (28/02/1533-13/09/1592 – Castelo de Saint-Michel de Montaigne – França) nascido em família rica, de grandes posses, teve um tutor alemão que só falava em latim e que o educou com rigidez. Sua biblioteca, como descrito por ele mesmo, instalada na torre de seu castelo, tinha um acervo de mais de mil livros. Foi o introdutor desse gênero literário a que intitulo de ENSAIOS.
Para o professor Luís Augusto Fischer, que escreveu a apresentação destes dois volumes que tenho em minha biblioteca – ENSAIOS – QUE FILOSOFAR É PARENDE A MORRER e Outros Ensaios e, ENSAIOS – DA AMIZADE e Outros Textos, ambos editados pela L&PM, o gênero literário ensaio, - “De saída, somos postos em uma peculiar situação, como leitores: pois quem nomeia como ensaio o seu texto chama a atenção para o aspecto de tentativa, quer dizer, para algo marcado pelo provisório, pelo falível, assim como pela hipótese de revisar, de refazer o raciocínio, de reescrever o texto e a reflexão
No entanto, isso não quer dizer que o autor não tenha convicção sobre o que pensa e que escreve, mas sim que nos obriga a refletir sobre o que escreveu e sobre o que pensa, aberto a abordagens diversas. Essa é uma experiência que vivenciei aos escrever meu primeiro livro.
Esses dois volumes que aqui me atrevo a indicar como dica de leitura, tem temas variados em seus ensaios, o que torna a leitura agradável e que pode ser degustada aos poucos, ao trocar de um assunto (ensaio) para outro.
No ensaio DA AMIZADE, Montaigne reflete sobre os laços que o uniu de forma perene a seu amigo Étienne de La Boétie, filósofo como ele, ao escrever:
“Na amizade, há um calor geral e universal, de resto temperado e igual, um calor constante e sereno, todo doçura e delicado, que nada tem de áspero e pungente.”
E na continuidade desses ensaios, entre outras reflexões, trata também da solidão na ausência dos amigos queridos eu mesmo na ausência de melhor companhia:
- “Por certo, o homem de bom julgamento nada perdeu se tiver a si mesmo (...) Temos uma alma capaz de recolher-se a si mesma, ela pode se fazer companhia (...) ‘Si solis sis turba locis’ – Se estás sós, se para ti mesmo a multidão.”
Em QUE FILOSOFAR É APRENDER A MORRER, temos aqui perfeitamente o pensamento estoico de Sêneca, na aceitação daquilo que a vida nos dá e que não temos como combater ou mudar. Eu, você e qualquer pessoa no mundo, até que a ciência nos prove o contrário, não temos como evitar o nosso momento final. Queiramos ou não, ele um dia chegará, como na música de Raul Seixas “Canto para a Minha Morte”:
“Vou te encontrar, vestida de cetim – Pois em qualquer lugar – Esperas só por mim – E no teu beijo provar o gosto estranho – Que eu quero e não desejo – Mas tenho que encontrar”
Coincidência ou mão, ou vai saber se Raul leu o ensaio de Montaigne, esse nos mostra como, repito, com a filosofia estoica, podemos encarar com tranquilidade aquilo que não podemos evitar:
- “A vida em si não é nem bem nem mal, é o lugar do bem e do mal, conforme nela o fazeis (...)Todos os dias levam a morte, o último atinge-a.”
Comentei aqui apenas os dois ensaios que dão títulos a esses dois volumes, mas dentro deles você vai encontrar reflexões maravilhosas que, por certo, te farão pensar de como viver o dia a dia.
Com certeza, vale a pena.
Boa leitura.
NH, 21/05/2023.
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