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MEU LIVRO DA SEMANA - 37

  • Carlos A. Buckmann
  • 14 de mai. de 2023
  • 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 37

O NAUFRÁGIO DAS CIVILIZAÇÕES (Amin Maalouf)

O livro que comento nessa semana, eu realmente li nessa semana. Faço isso, porque é urgente que todos nos conscientizemos que realmente estamos embarcados em um Titanic que está a deriva e que pode, a qualquer momento, ir de encontro a um enorme iceberg que o levará ao fundo.

O autor, AMIN MAALOUF, de nacionalidade Libanesa, mora há muitos anos na França, onde foi eleito em 2011 para a Academia Francesa, na cadeira que foi de Claude Lévi-Strauss. De sua autoria, também já li e comento noutro dia, As Cruzadas Vistas pelos Árabes. Mas isso fica então mesmo para outro dia.

Neste, O NAUFRÁGIO DAS CIVILIZAÇÕES, suas pesquisas históricas nos trazem o curso que nosso Titanic, o planeta Terra, sua tripulação e nós, passageiros embarcados em todas as classes, rumam para uma catástrofe que se anuncia há muito tempo, mas que não queremos ver.

Sua narrativa se inicia em sua região de origem, o Líbano, integrado a utopia de desenvolvimento chamada de O Levante. - De uma forma geral, a região se resume à Síria, à Jordânia, a Israel, à Palestina, ao Líbano e a Chipre. Outras fontes definem o Levante de uma maneira mais ampla, incluindo porções da Turquia, do Iraque, da Arábia Saudita e do Egito. Mas todas essas fontes, tratam a região como o berço da civilização e região mais culta do Oriente Médio. E Maalouf assim começa sua descrição:


Não conheci o Levante em sua época de ouro, cheguei tarde demais, quando, do grande teatro, só restava um cenário em retalhos e, do banquete, as migalhas.


Então, numa narrativa documentada, descreve os conflitos, guerras, revoluções, tiranias, ditaduras, lutas pelo poder e domínio de territórios em que a humanidade se envolveu e se envolve cada dia mais.

Como introdução ao segundo capítulo, ele nos traz a citação de Antoine de Rivarol (1753-1801):


Os impérios mais civilizados estarão sempre tão perto da barbárie quanto o ferro mais polido está da ferrugem; as nações, como os metais, de brilhantes só tem as superfícies.


O desenvolvimento do seu raciocínio lógico, baseado na análise dos conflitos sociais, nas disputas e guerras do Ocidente contra o Oriente, passando pela guerra dos seis dias – árabe/israelense, travada entre os dias 5 e 10 de junho de 1967, onde Israel, com auxílio dos EEUU, aniquilou a aviação inimiga em terra, eliminando qualquer chance de uma reação pela TEMPESTADE DO DESERTO, conjunto de ações coordenadas por terra ar e mar no combate ao regime dos aiatolás e ao EI (Estado Islâmico) e para onde esses conflitos nos encaminham como um navio à deriva.

Maalouf nos faz entender que o pensamento identitário e segregacionista que hoje se desenvolve em todas as partes do mundo, num duelo de Fake News e tentativas de encarar a verdade dos fatos, dilui nossa sociedade em sua mais primitiva base, que é a família e nossas mais estreitas relações sociais:


Se a disparidade de nossos dias são tão preocupantes, não é porque elas arriscam produzir rebeliões planetárias. É porque o desaparecimento da bússola moral que representa o princípio de igualdade contribui, em cada um de nossos países, e para a humanidade inteira, à desagregação do tecido social.


E o livro contém um posfácio para a edição brasileira, escrito durante a pandemia do Corona Virus em 2020, onde nos traz esse pensamento basilar:


Ao fazer cortes orçamentários num setor não-produtivo mas literalmente vital como saúde, o que se traduziu numa diminuição substancial das capacidades médicas, provocou-se um cataclismo humano que comprometeu gravemente a legitimidade moral do liberalismo econômico.


Na tentativa de desviar nosso Titanic de seu desastre fatal, Maalouf busca nos abrir os olhos defendendo sua profissão de pensador histórico:


O escritor é um vigia; quando a casa está pegando fogo, sua missão não é a de deixar os moradores dormirem e desejar-lhes bons sonhos: é o de acordá-los.


Então, mantenha-se acordado. Cada um de nós precisa fazer sua parte para desviarmos do desastre que se aproxima. Ainda dá tempo. Comece por essa leitura e reflexione sobre o que está aí maravilhosamente escrito.

Vale a pena.

Boa leitura.

NH, 14/05/2023.

 
 
 

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