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MEU LIVRO DA SEMANA - 36

  • Carlos A. Buckmann
  • 7 de mai. de 2023
  • 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 36

1968 – O ANO QUE NÃO TERMINOU (Zuenir Ventura)

A história se repete para o povo que desconhece a própria história.

Os atuais acontecimentos políticos, sociais e criminais que superlotam e dominam os noticiários de TVs, mídias sociais, rádios e jornais, me fizeram lembrar do livro que comento hoje.

O autor, cujo nome completo é Zuenir Carlos Ventura, mineiro de Além Paraíba, nascido em 1 de junho de 1931, em véspera de completar 92 anos. Atualmente ocupa a cadeira de número 32 da ABL, que foi de Ariano Suassuna. Publicou diversos romances históricos como: Cidade Partida, Chico Mendes Crime e Castigo, Mal Secreto, Sagrada Família e esse 1968 O Ano Que Não Terminou. Jornalista que trabalhou nos principais órgãos de imprensa do País, como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Fatos e Fotos, Veja, Isto É e colunista de O Globo. Foi o jornalismo que trouxe a inspiração para seus romances históricos, onde a realidade, mais que a ficção, são um testemunho vivo da história brasileira das últimas seis décadas.

Nessa realidade-ficção, publicada inicialmente em 1988 e com novas edições em 2008 e 2013, que é a que tenho em minha biblioteca (as anteriores se perderam pelo caminho de minhas andanças pelo país) os personagens se misturam com nossa triste história dos anos de chumbo, onde nossa geração foi perdida, embora lutando, sufocada por uma tirania de ditadura militar. Já na introdução do romance ele nos indica:

- “O conteúdo moral é a melhor herança que a geração de 68 poderia deixar para um país cada vez mais governado pela falta de memória e pela ausência de ética.”

No romance, a narrativa inicia na festa de réveillon “na casa de Helô”, onde o scotch era legítimo e o som combinava ritmos de carnaval com iê-iê-iê, e o amor era livre, mas “não deixavam que se percebesse (...) o que iria acontecer com o país”.

A capacidade literária de Zuenir que transforma personagens fictícios em seres reais e seres reais em coadjuvantes do romance, torna a leitura cativante do início ao fim do livro.

O movimento estudantil de 1968, desencadeou no país, uma luta que se iniciou no Rio de Janeiro e em São Paulo e que veio a culminar com o terrível AI-5, editado pelo ditador de plantão Artur da Costa e Silva, em 13 de dezembro de 1968. Movimento esse que: -“evitava conversar com qualquer deputado ou senador pelo simples fato de ser deputado ou senador (...) O Brasil estava vivendo uma crise, mas crise é uma rotina do capitalismo.”

O livro traz ainda uma farta documentação fotográfica, desde a “passeata dos cem mil” até o ato de assinatura do AI-5.

Na parte mais cruenta onde a história se aparta da ficção, o livro traz relatos jornalísticos do que foi a “Sexta-feira Sangrenta", onde o exército faz um verdadeiro massacre entre os estudantes no centro do Rio de Janeiro, ao ponto em que Carlos Lacerda escreveu: -“É inaceitável que o exército trate os estudantes como se fossem uma horda de inimigos.”

E nesse enredo de história e ficção, o autor, como todo o mundo envolvido, é levado pelo arrastão da história:

- “No dia seguinte ao AI-5, a coluna que saía todos os sábados no Caderno B do JB, assinada por Lea Maria, Marina Colasanti e Carlos Leonam, publicava esta nota:

NUNCA MAIS

O mesmo grupo de intelectuais e artistas que promoveu o famoso réveillon no ano passado em casa de Luís Buarque de Hollanda, ainda não conseguiu outro local. Motivo: Luís não empresta mais a casa. Frase atribuída ao recusante: Réveillon como aquele só uma vez na vida.”

Pois então, esse é um romance que precisa ser lido, porque senão, a história se repete para o povo que desconhece a própria história.

Boa leitura.

NH, 07/05/2023.




 
 
 

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