MEU LIVRO DA SEMANA - 35
- Carlos A. Buckmann
- 30 de abr. de 2023
- 2 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 35
RUMO À ESTAÇÃO FINLÂNDIA – Edmund Wilson
Escritor, ensaísta, jornalista e historiador norte americano, Edmund Wilson (8 de maio de 1895/12 de junho de 19720), tendo entre suas principais obras, O Castelo de Axel, Manuscritos do Mar Morto e essa, Rumo à Estação Finlândia, nos traz a imagem de um pesquisador e historiador isento de ideologias e preocupado com os detalhes até então desconhecidos do grande público.,
RUMO À ESTAÇÃO FINLÂNDIA é um belíssimo apanhado da história do socialismo e do comunismo, sem entrar no merecimento ou não dessas ideologias, narrado através da vida íntima de seus pensadores, desde Jules Michelet, e passando por Anatole France, Babeuf, Saint-Simon, Fourrier, e então chegando a Marx e Engels e suas influências, na Publicação de O Capital e o Manifesto Comunista à Revolução Russa de 1917, com Lenin e Trotsky.
Antes que você desista de continuar lendo esse meu comentário sobre a obra, pensando que estaria defendendo uma ideologia de esquerda ou comunista, deixa eu te adiantar o seguinte: esse livro é a história por trás da história.
Nele você vai conhecer a vida íntima desses pensadores e o que os levou a estes tratados filosóficos ideológicos. Saberá, por exemplo, que Jules Michelet era um apaixonado professor de filosofia e história do século XIX, e que,
“...tendo nascido em 1798, já possuía a tradição da Revolução (francesa).Crescera durante o período napoleônico e a restauração dos Bourbon, e na adolescência fez-se batizar, tornando-se católico...”
E Michelet escreve:
“...Olha dentro de ti mesmo, pensa em teus filhos – lá encontrarás a França. (...) O homem foi levado a moldar sua alma conforme sua situação material. Que coisa extraordinária! Agora temos a alma do pobre, a alma do rico, a alma do comerciante. (...) O homem parece não passar de um acessório de sua posição.”
E passamos então por outros pensadores dos citados acima, até chegarmos em Marx e Engels e as histórias de suas vidas mais íntimas, que até então ninguém havia transcrito para os anais do socialismo histórico. Encontraremos um Karl Marx, - cuja grande tarefa em seu primeiro período de pensador, foi engajar o pensamento filosófico alemão nas realidades da Alemanha de seu tempo. – Encontraremos um Marx, desapegado dos valores materiais e entregue à sua luta pela causa do proletariado, passando dificuldades até chegar à miséria, tendo que ser sustentado por seu amigo Friedrich Engels, filho de um industrial estabelecido em Manchester, Inglaterra, onde trabalhou como administrador dos negócios do pai. Encontraremos o convívio de uma fraterna amizade e o desenvolvimento das ideias socialista, combatidas naquele tempo tanto como agora, como descreve Wilson:
- “A tendência de boicotar Marx e Engels, que se verifica tanto entre os historiadores literários como entre os economistas, constitui uma notável corroboração da teoria marxista da influência da classe sobre a cultura.”
Eis o que demonstra, como um historiador norte americano, consegue se ater apenas à história, sem defender qualquer ideologia.
No decorrer de sua narrativa, vai chegar até Vladimir Ilyich, o Lenin e a Leon Trotsky, que abraçaram as ideais de Marx e Engels como base para a revolução Russa.
É um livro apaixonante para quem gosta de história, independentemente de ideologias, diria até, desapegada de qualquer ideologia e, volto a frisar, da história por trás da história.
Vale a pena. Boa leitura.
NH, 30/04/2023.
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