MEU LIVRO DA SEMANA - 33
- Carlos A. Buckmann
- 16 de abr. de 2023
- 2 min de leitura
O Processo - Franz Kafka

MEU LIVRO DA SEMANA – 33
O PROCESSO – (Franz Kafka)
Até que ponto da degradação humana, um regime totalitário pode nos levar? Como pode destroçar o espírito de uma pessoa e levá-lo às raias da loucura, transtornando a mente e colocar seus nervos em frangalhos? – Esta é a temática desse romance de Franz Kafka.
Franz Kafka nasceu em Praga, a capital Tcheca, em 3 de julho de 1883 e morreu em 3 de junho de 1924, em Kieling, na Áustria. – Considerado pela crítica literária como um dos mais influentes escritores do século XX e, por sua vez, em suas obras encontramos a influência que teve de Fiodor Dostoiévski e de Friedrich Nietzsche. O Processo, juntamente com A Metamorfose, estão entre suas principais obras.
O Processo narra a história do funcionário público Josef K. , que:
- “ Alguém deveria ter caluniado Josef K., pois, sem que tivesse feito mal algum, ele foi detido certa manhã.”
Daí por diante, a vida de K., entra em um verdadeiro redemoinho, envolvido em um processo em que não consegue formar sua defesa por não saber e nunca lhe contarem, porque estava sendo processado.
Durante o desenrolar da história, encontramos nitidamente a influência de Dostoiévski, com nuances de tortura psicológica que encontramos em Crime e Castigo, a obra mais famosa do escritor russo.
A narrativa traz diálogos angustiantes, fazendo com que a mente de K. se perca em labirintos de sua própria imaginação, na tentativa de descobrir o porquê de estar sendo processado. Num regime totalitário, onde as leis são feitas e interpretadas de acordo com a vontade do ditador e até da pequena autoridade de plantão, o que menos importa é se o acusado é culpado ou não. Importa é que a lei, que ele desconhece, dá o direito a que o processo seja instalado, o réu seja julgado e receber a inevitável sentença de culpado, onde o conluio entre as forças policiais, promotoria e juiz, criam a situação de culpabilidade.
- “Não conheço essa lei, disse K.
- Tanto pior para o senhor – disse o vigia.
- Mas ela provavelmente existe apenas em suas cabeças – disse K.: ele parecia querer de alguma maneira penetrar nos pensamentos dos vigias, virá-los a seu favor, ou se instalar dentro deles.
Mas o vigia apenas disse, em tom de rejeição:
- O senhor haverá de senti-la.”
Como em todo regime autoritário, funcionários públicos tem apenas que cumprir ordens superiores, mesmo desconhecendo de onde são emanadas e o que querem dizer. O importante é dizer sim para quem manda, mesmo perpetrando-se as maiores injustiças.
Numa narrativa em crescendo, as situações se desenvolvem num processo longo e misterioso, que leva o leitor a pensar e, por que não? Comparar com dias e fatos atuais em algum lugar dessa desumana humanidade.
Como sempre afirmo, vale a pena.
Boa leitura.
NH, 16/04/2023.
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