MEU LIVRO DA SEMANA - 32
- Carlos A. Buckmann
- 9 de abr. de 2023
- 2 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 32
WALDEN – (H. D. Thoreau)
Atualmente, quando alguém se retira para um local isolado, um mosteiro, um chalé nos Alpes eu mesmo recluso em um quarto para meditar sobre sua vida, ou o sentido dela, identificamos com um ano, ou um período sabático. Falamos de qualquer modo, de um período de reflexão.
Foi exatamente isso que fez Henry David Thoreau, durante exatamente dois anos, dois meses e dois dias, às margens do lago Walden, e cercado de uma floresta pouco explorada, onde raramente se veria um ser humano naquela época e, em cujo período ele descreve esse maravilhoso ensaio publicado em 1854.
Como sempre, primeiro algumas pinceladas sobre o autor: - H. D. Thoreau nasceu em Concord, Massachussets, nos Estados Unidos, em 12 de julho de 1817 e morreu na mesma cidade em 6 de maio de1862. Foi escritor, poeta e filósofo. Alguns críticos atuais de sua obra, alegam que ele não estava tão isolado assim, pois sua cabana estava há poucos quilômetros de Concord. Mas esquecem esses críticos que ela vivia nos anos 1800, século XIX, sem rodovias asfaltas e que os meios de transportes eram o cavalo e o carro de bois. Esquecem também, que para um período sabático, usando os termos de nossa época, qualquer lugar isolado nos serve para meditação.
Mas deixemos de lado o autor e vamos para a obra. Ao ler Walden, você se transporta imediatamente para o local e passa a viver com Thoreau esses dois anos, tal o poder descritivo de seu autor, desde a construção, com suas próprias mãos, da cabana onde foi morar nesse período:
- “Antes do inverno construí uma lareira, e revesti as laterais de minha casa, que já eram impermeáveis à chuva, com placas de madeira irregulares e úmidas de seiva que tirei da primeira camada do tronco, cujas beiradas tive de acertar com uma plaina.”
Na sua labuta diária na construção de sua pequena cabana, onde cada prego, cada ferramenta foi metodicamente contabilizada, nos traz belíssimos ensinamentos de vida através de seu pensamento filosófico:
- “A própria simplicidade e o despojamento da vida do homem nos tempos primitivos traz pelo menos essa vantagem, que ainda lhe permitia ser apenas um hóspede da natureza.”
Então, paremos apenas um minuto para refletir: o que somos nós, senão hóspedes temporários desta terra, em que, teimosamente, insistimos em destruir a natureza.
Mas voltemos a filosofia de Thoreau:
- “O fundo da questão é que, se um homem está vivo, há sempre o perigo de que possa morrer, embora se deva reconhecer que é um perigo proporcionalmente menor se ele for um morto-vivo”
E com quantos mortos-vivos nos deparamos diariamente, pessoas que apenas esqueceram de deitar, pois nada mais são do que isso: mortos-vivos.
Eu te convido a percorrer as páginas dessa obra inigualável, feita de poesia e filosofia, que por certo vai fazer você repensar, se não sua vida, pelo menos seu modo de viver, como ele magistralmente assevera:
- “Nossa vida é alarmantemente moral. Nunca há um instante de trégua entre a virtude e o vício. A bondade é o único investimento que nunca falha.”
Com certeza, nessa obra você vai encontrar toda a beleza descritiva de um período sabático e de uma filosofia que vai do epicurismo ao estoicismo.
Vale a pena.
Então, boa leitura.
NH, 09/04/2022.
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