MEU LIVRO DA SEMANA - 31
- Carlos A. Buckmann
- 2 de abr. de 2023
- 3 min de leitura

MEU LIVRO DA SEMANA – 31
AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA (Eduardo Galeano)
As notícias recentes de descobertas de diferentes focos de “trabalho análogo a escravidão”, termo bonito que foi encontrado para substituir o de “exploração de mão de obra escrava pelo capital espoliativo”, me fez lembrar de trazer a luz novamente essa obra de Eduardo Galeano.
Como de costume, um breve comentário sobre o autor: EDUARDO GALEANO (13/09/1940 – Montevideu. 13/04/2015- Montevideu) produziu nada menos de que 40 livros, publicados em vários e diferentes idiomas. Em 2006, ganhou o Prêmio Internacional de Direitos Humanos através da Global Exchange, instituição humanitária americana.
AS VEIAS ABERTAS DA AMÉRICA LATINA, publicado originalmente em 1970, quando a maioria dos governos latino-americanos eram ditaduras militares sanguinárias, é um documento histórico e, lamentavelmente ainda atual.
As notícias sobre o trabalho escravo (me recuso a intitular isso de análogo) me causam “vergonha alheia” por ver o quanto a ganância leva um ser, que se diz humano, a explorar seus semelhantes, o que demonstra que não aprendemos nada com a história, que Galeano aqui retrata em toda sua crueza, desde o prefácio escrito pelo próprio autor para a edição publicada em 2010 pela LP&M:
- “O autor lamenta que o livro não tenha perdido a atualidade. A história não quer se repetir – o amanhã não quer ser o outro nome do hoje - , mas a obrigamos a se converter em destino fatal quando nos negamos a aprender as lições que ela, senhora de muita paciência, nos ensina dia após dia.”
E nos ensina com a afirmação que é a síntese desse livro:
- “A história é um profeta com o olhar voltado para trás: pelo que foi e contra o que foi, anuncia o que será”.
Sua narrativa vai desde a descoberta da América por Cristóvão Colombo, onde se via o “Símbolo da cruz nas empunhaduras das espadas, mostrando a eterna aliança da igreja, hoje seriam das igrejas, com o poder do estado para a manutenção desses ambos poderes, sobre os despossuídos e dos crentes alienados, trazendo fatos históricos para documentar sua narrativa nessa obra:
- “...Tão só em mínima proporção a prata americana era aplicada na economia espanhola: embora fosse formalmente registrada em Sevilha , ia parar nas mãos dos Függer, poderosos banqueiros que tinham adiantado para o Papa os fundos necessários para a conclusão da Catedral de São Pedro, e de outros grandes prestamistas da época, no estilo dos Welser, dos Shetz ou dos Grimaldi.”
Dessa maneira, sempre documentando cada fato e em cada país da América Latina, vais descrevendo a eterna submissão desses ao capital especulativo dos eternos senhores do poder: Elites em comunhão com a Igreja.
Cada página é uma análise criteriosa que chega, infelizmente até nossos dias, como disse em 1967 os diretor da agência governamental americana para o desenvolvimento da Amazônia:
- “...Na América Latina é normal: sempre se entregam os recursos em nome da falta de recursos.”
Ou então a selvageria da declaração do FMI, em que afirmava:
- “...uma demanda excessiva nestas terras de famintos, seria a culpada pela inflação.”
Embora publicado em 1970, esse livro continua sendo um retrato vivo de nossas veias abertas, sugadas pelo capital especulativo.
Mesmo assim, ainda temos esperanças de dias melhores em uma humanidade mais humana (perdoem-me a redundância) e menos exploradora de seus semelhantes, menos feroz e mais cristã, mesmo sem igrejas.
Vale a pena.
Boa leitura.
NH, 02/04/2023.
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